Bir Lehlou, (territoires libérés), 09/02/2007 (SPS) Le Gouvernement de la République Arabe Sahraouie Démocratique (RASD) a dénoncé vendredi "la décision du Gouvernement de Madrid de réarmer les forces marocaines", a déclaré le porte parole du Gouvernement de la RASD dans une déclaration écrite, dont SPS a reçu une copie.
La RASD a, d'autre part, appelé "la société civile espagnole et toutes les forces politiques démocratiques à intervenir en urgence pour stopper cette regrettable opération dont les effets sur la paix et la stabilité dans la région sont imprédictibles".
10.2.07
5.2.07
Dados sobre a África do Sul
Research Surveys on Sunday are as follows (Figures in brackets are for 2005): How we live: Households 12.4 million; Houses 9.4 million; Shacks 1.3 million; Huts 1.7 million. What we have: Work 48% (45%); Indoor water 55% (52%);
No clean water 6% (9%) ;Flush toilet 57% (54%) ; Electricity 88% (86%). How we feel: Proudly South African — 96%; (Source: Research Surveys Poll as carried in The Sunday Times, 20070204)
No clean water 6% (9%) ;Flush toilet 57% (54%) ; Electricity 88% (86%). How we feel: Proudly South African — 96%; (Source: Research Surveys Poll as carried in The Sunday Times, 20070204)
21.1.07
A força do nacionalismo na sociedade turca
A forma como o adolescente Ogun Samast explicou o facto de ter assassinado o escritor de origem arménia Hrant Dink veio chamar a atenção para grupos como o Partido de Acção Nacionalista (Milliyetçi Hareket Partisi, MHP), porta-estandarte da extrema-direita turca, que se opõe ao pluralismo cultural e se opõe a uma etnicidade homogénea.
Para além de ter demonstrado o precário estado da liberdade de expressão num país com pretensões a vir a fazer parte da União Europeia, o assassínio do representante de uma minoria colocou em foco as posições de nacionalismo radical que de vez em quando parecem ganhar novo fôlego na sociedade turca.
Os nacionalistas sempre viram os apelos de Dink a um reconhecimento por Ancara de que foram chacinados muitos arménios durante a I Guerra Mundial como um insulto à honra da nação, que para eles é o valor supremo.
“O nosso grande ideal é elevar a nossa nação ao mais elevado nível de civilização e prosperidade”, disse Kemal Ataturk, que viveu de 1881 a 1938 e foi o fundador da República, herdeira do Império Otomano que existiu de 1299 a 1923.
Dezenas de intelectuais têm sido acusados de insultar a identidade turca, ao abrigo do artigo 301 do Código Penal revisto, aprovado pelo actual Governo mas que mesmo assim ainda deixa muito a desejar em relação aos cânones ocidentais.
Dia 3 deste mês, no Financial Times, o correspondente Vincent Boland fez uma análise da forma como “os turcos estão a ficar cada vez mais desiludidos com a Europa”, tendo assinalado o surgimento de um novo tipo de nacionalismo. E no dia 12 o académico turco Kaan Durukan sintetizou que, para a maioria dos seus compatriotas, “o nacionalismo é o menor denominador comum da sua identidade, independentemente do estatuto social, do poder económico e da filiação política”. J.H.
Para além de ter demonstrado o precário estado da liberdade de expressão num país com pretensões a vir a fazer parte da União Europeia, o assassínio do representante de uma minoria colocou em foco as posições de nacionalismo radical que de vez em quando parecem ganhar novo fôlego na sociedade turca.
Os nacionalistas sempre viram os apelos de Dink a um reconhecimento por Ancara de que foram chacinados muitos arménios durante a I Guerra Mundial como um insulto à honra da nação, que para eles é o valor supremo.
“O nosso grande ideal é elevar a nossa nação ao mais elevado nível de civilização e prosperidade”, disse Kemal Ataturk, que viveu de 1881 a 1938 e foi o fundador da República, herdeira do Império Otomano que existiu de 1299 a 1923.
Dezenas de intelectuais têm sido acusados de insultar a identidade turca, ao abrigo do artigo 301 do Código Penal revisto, aprovado pelo actual Governo mas que mesmo assim ainda deixa muito a desejar em relação aos cânones ocidentais.
Dia 3 deste mês, no Financial Times, o correspondente Vincent Boland fez uma análise da forma como “os turcos estão a ficar cada vez mais desiludidos com a Europa”, tendo assinalado o surgimento de um novo tipo de nacionalismo. E no dia 12 o académico turco Kaan Durukan sintetizou que, para a maioria dos seus compatriotas, “o nacionalismo é o menor denominador comum da sua identidade, independentemente do estatuto social, do poder económico e da filiação política”. J.H.
2.1.07
O Ocidente sempre apoiou a Etiópia
Bem se poderá dizer que a Administração de George W. Bush nada mais faz hoje em dia, ao apoiar a Etiópia contra os islamistas somalis, do que prosseguir uma linha traçada por D. João II de Portugal, o Príncipe Perfeito, quando em 1487 enviou Afonso de Paiva em demanda do Preste João, o imperador cristão etíope que Lisboa queria ter como aliado na luta contra “os infiéis”, que eram os muçulmanos.
Quando o Ocidente hoje em dia se refere à “Etiópia cristã”, apesar de as estatísticas dizerem que os cristãos não são ali muito mais do que os seguidores de Maomé (o anuário da CIA até os coloca em minoria), prossegue o imaginário de D. João II e de D. Manuel I, que se deixaram seduzir pelas igrejas e conventos que haveria naquela terra remota.
Tendo a partir do século XVI os reis de Portugal adoptado também, entre outros, o título de “senhores do comércio, da conquista e da navegação da Etiópia”, enviaram tropas a proteger o seu negócio e a combater os piratas somalis que infestavam as costas do Corno de África.
Os etíopes vivem no Estado africano que desde há mais tempo é independente, mas até hoje ainda não conseguiram definir uma fronteira clara com a Somália, antes tendo uma linha administrativa a separá-los da região de Oromo, no Sul do país vizinho. Essa mesma área por onde nos últimos 15 dias rodaram os seus tanques, em aliança com o frágil Governo que se encontrava aquartelado em Baidoa e que perdera para os islamistas o controlo de Mogadíscio, a capital.
De 1976 a 1978 travou-se a guerra de Ogaden, pela qual o regime de Siad Barre pretendia anexar uma parte da Etiópia e preparar a Grande Somália. E agora são as Forças Armadas de Meles Zenawi que alcançam Mogadíscio e Kismayo, como que, por intermédio de uma espécie de “Governo fantoche”, a tentarem constituir uma...Grande Etiópia.
Para que a tradição continue a ser o que era, os aliados somalis de Addis-Abeba solicitaram aos Estados Unidos que lhes garantam meios para proteger a costa. Exactamente o que os etíopes do século XVI pediram aos soberanos do longínquo Portugal. J.H.
Quando o Ocidente hoje em dia se refere à “Etiópia cristã”, apesar de as estatísticas dizerem que os cristãos não são ali muito mais do que os seguidores de Maomé (o anuário da CIA até os coloca em minoria), prossegue o imaginário de D. João II e de D. Manuel I, que se deixaram seduzir pelas igrejas e conventos que haveria naquela terra remota.
Tendo a partir do século XVI os reis de Portugal adoptado também, entre outros, o título de “senhores do comércio, da conquista e da navegação da Etiópia”, enviaram tropas a proteger o seu negócio e a combater os piratas somalis que infestavam as costas do Corno de África.
Os etíopes vivem no Estado africano que desde há mais tempo é independente, mas até hoje ainda não conseguiram definir uma fronteira clara com a Somália, antes tendo uma linha administrativa a separá-los da região de Oromo, no Sul do país vizinho. Essa mesma área por onde nos últimos 15 dias rodaram os seus tanques, em aliança com o frágil Governo que se encontrava aquartelado em Baidoa e que perdera para os islamistas o controlo de Mogadíscio, a capital.
De 1976 a 1978 travou-se a guerra de Ogaden, pela qual o regime de Siad Barre pretendia anexar uma parte da Etiópia e preparar a Grande Somália. E agora são as Forças Armadas de Meles Zenawi que alcançam Mogadíscio e Kismayo, como que, por intermédio de uma espécie de “Governo fantoche”, a tentarem constituir uma...Grande Etiópia.
Para que a tradição continue a ser o que era, os aliados somalis de Addis-Abeba solicitaram aos Estados Unidos que lhes garantam meios para proteger a costa. Exactamente o que os etíopes do século XVI pediram aos soberanos do longínquo Portugal. J.H.
30.12.06
Meles Zenawi é um grande jogador africano
Como num simples golpe de mágica, o chefe do Governo de Addis-Abeba, Meles Zenawi, aproveitou os últimos oito dias de 2006 para lançar no Corno de África uma “guerra-relâmpago” que reverteu por completo seis meses de impasse na vizinha Somália.
Aproveitando-se do facto de controlar um Exército de 150.000 a 180.000 homens, um dos mais poderosos de todo o continente, o pequeno herdeiro de um povo muito antigo, com largos séculos de independência, colocou fora de acção as milícias islâmicas que se haviam entrincheirado em Mogadíscio e noutras zonas do território somali.
Sob a sua condução, a partir de 1991, a Etiópia que teve um sistema feudal tornou-se um país com que o Ocidente, designadamente a Administração Bush, tem agora de contar para neutralizar o avanço islamista no Nordeste da África e o risco de um alastrar das actividades da Al-Qaeda, de Osama bin Laden.
Em 2006, Meles Zenawi foi um dos membros da comissão de Tony Blair para a África - encarregada de combater a extrema pobreza no continente - e ganhou mais notoriedade do que todos os seus adversários na região, fossem eles os dirigentes da Eritreia ou a União dos Tribunais Islâmicos (UTI) que se apoderara da capital somali.
Raramente, desde a Guerra dos Seis Dias, conduzida em 1967 pelo general israelita Moshe Dayan contra a Jordânia, o Egipto e a Síria, se viu assim um político agir de forma tão determinada para alcançar os seus objectivos, deixando o Conselho de Segurança das Nações Unidas praticamente sem saber o que fazer, perdido em contradições.
O Governo legítimo da Somália, reconhecido pela comunidade internacional, mostrou-se incapaz de, isoladamente, colocar o pé fora da cidade de Baidoa. Só o poderoso reforço etíope lhe permitiu, em escassos dias, dar uma reviravolta total na situação, como ainda em meados de Dezembro ninguém poderia imaginar que fosse possível.
Analistas tinham avisado que uma operação demorada poderia acarretar alguns dos perigos que as Forças Armadas norte-americanas têm vindo a enfrentar no Iraque. Por isso, Meles determinou que tudo se fizesse rapidamente e com força, a começar pelo bombardeamento dos aeroportos somalis, incluindo o de Mogadíscio.
Com os olhos do mundo porventura colocados noutras paragens, do Afeganistão ao Sudão, os Estados Unidos encorajaram discretamente o primeiro-ministro etíope e deram-lhe mão livre para avançar, de modo a derrotar sem apelo nem agravo aqueles que já estavam a ser vistos como os “taliban africanos”.
A médio prazo, o futuro poderá ainda reservar muitas surpresas tanto à Etiópia como à Somália, mas no imediato, num balanço de 2006 em África, Meles Zenawi é visto, indiscutivelmente, como um nome que se impôs.
Enquanto isto, os islamistas avisam que irão procurar compensar a sua “retirada estratégica” por meio de uma guerra não convencional, que poderá abranger atentados suicidas. Jorge Heitor/PÚBLICO 31 de Dezembro de 2006
Aproveitando-se do facto de controlar um Exército de 150.000 a 180.000 homens, um dos mais poderosos de todo o continente, o pequeno herdeiro de um povo muito antigo, com largos séculos de independência, colocou fora de acção as milícias islâmicas que se haviam entrincheirado em Mogadíscio e noutras zonas do território somali.
Sob a sua condução, a partir de 1991, a Etiópia que teve um sistema feudal tornou-se um país com que o Ocidente, designadamente a Administração Bush, tem agora de contar para neutralizar o avanço islamista no Nordeste da África e o risco de um alastrar das actividades da Al-Qaeda, de Osama bin Laden.
Em 2006, Meles Zenawi foi um dos membros da comissão de Tony Blair para a África - encarregada de combater a extrema pobreza no continente - e ganhou mais notoriedade do que todos os seus adversários na região, fossem eles os dirigentes da Eritreia ou a União dos Tribunais Islâmicos (UTI) que se apoderara da capital somali.
Raramente, desde a Guerra dos Seis Dias, conduzida em 1967 pelo general israelita Moshe Dayan contra a Jordânia, o Egipto e a Síria, se viu assim um político agir de forma tão determinada para alcançar os seus objectivos, deixando o Conselho de Segurança das Nações Unidas praticamente sem saber o que fazer, perdido em contradições.
O Governo legítimo da Somália, reconhecido pela comunidade internacional, mostrou-se incapaz de, isoladamente, colocar o pé fora da cidade de Baidoa. Só o poderoso reforço etíope lhe permitiu, em escassos dias, dar uma reviravolta total na situação, como ainda em meados de Dezembro ninguém poderia imaginar que fosse possível.
Analistas tinham avisado que uma operação demorada poderia acarretar alguns dos perigos que as Forças Armadas norte-americanas têm vindo a enfrentar no Iraque. Por isso, Meles determinou que tudo se fizesse rapidamente e com força, a começar pelo bombardeamento dos aeroportos somalis, incluindo o de Mogadíscio.
Com os olhos do mundo porventura colocados noutras paragens, do Afeganistão ao Sudão, os Estados Unidos encorajaram discretamente o primeiro-ministro etíope e deram-lhe mão livre para avançar, de modo a derrotar sem apelo nem agravo aqueles que já estavam a ser vistos como os “taliban africanos”.
A médio prazo, o futuro poderá ainda reservar muitas surpresas tanto à Etiópia como à Somália, mas no imediato, num balanço de 2006 em África, Meles Zenawi é visto, indiscutivelmente, como um nome que se impôs.
Enquanto isto, os islamistas avisam que irão procurar compensar a sua “retirada estratégica” por meio de uma guerra não convencional, que poderá abranger atentados suicidas. Jorge Heitor/PÚBLICO 31 de Dezembro de 2006
25.12.06
A Etiópia está a bombardear alvos na Somália
Ethiopian fighter jets have bombed two Islamist-held airports in Somalia, one day after Ethiopia formally declared war on the country's powerful Union of Islamic Courts. One fighter jet struck Moghadishu's International airport with machine-gun fire, while three jets attacked Somalia' biggest military airport Baledogle, about 100 kilometers west of Mogadishu. The weak interim government based in Baidoa said it was closing all of Somalia's land, sea and air borders. Military experts estimate Ethiopia may have between 15,000-20,000 troops in Somalia. Its major rival, Eritrea, is believed to have about troops 2,000 supporting the Islamists who control most of Somalia. The European Union has demanded an immediate end to the fighting.
23.12.06
Darfur, o primeiro genocídio do século XXI
O conflito no Darfur, que logo em 2004 foi considerado pelo Congresso dos Estados Unidos um autêntico genocídio, arrasta-se há já quase quatro anos numa região semi-árida da parte ocidental do Sudão e tem fortes repercussões nos vizinhos Chade e República Centro-Africana.
Tudo começou a ser notado no início de 2003, quando grupos rebeldes atacaram instalações governamentais, alegando que as comunidades locais, que na sua maioria se dedicam ao amanho da terra, estavam a ser alvo de uma milícia de nómadas criadores de camelos chamada janjawid. Darfur significa, etimologicamente, a terra dos fur, o principal povo da região, que vive tradicionalmente do cultivo de milho miúdo, ou paínço. Muçulmanos negros que falam uma língua nilo-sariana.
Os rebeldes desse vasto território que tem o tamanho da França - e cerca de 6,5 milhões de habitantes - queixam-se de que guerreiros que se deslocam a cavalo e de camelo começaram, com o beneplácito das autoridades árabes de Cartum, a assaltar as terras onde poderia haver água e pastagens.
O regime do marechal-de-campo Omar Hassan al-Bashir, que tomou o poder em 1989, não tem querido reconhecer que apoia a milícia janjawid, preferindo acusar algumas potências estrangeiras de simpatizarem com os grupos rebeldes que se afirmam representativos das mais antigas tradições da região.
Os fur, os zaghawa e os massalit são os grupos étnicos que se consideram vítimas deste primeiro genocídio do século XXI, o qual segundo algumas estimativas já teria feito perto de 450.000 mortos, para além de haver forçado dois milhões e meio de pessoas a abandonar os seus lares.
“Limpeza étnica” é também uma expressão que já tem sido utilizada quando se fala dos horrores do Darfur, com a aviação governamental a bombardear aldeias, por onde em seguida passam os janjawid, para as pilhar.
Jorge Heitor Natal de 2006
Tudo começou a ser notado no início de 2003, quando grupos rebeldes atacaram instalações governamentais, alegando que as comunidades locais, que na sua maioria se dedicam ao amanho da terra, estavam a ser alvo de uma milícia de nómadas criadores de camelos chamada janjawid. Darfur significa, etimologicamente, a terra dos fur, o principal povo da região, que vive tradicionalmente do cultivo de milho miúdo, ou paínço. Muçulmanos negros que falam uma língua nilo-sariana.
Os rebeldes desse vasto território que tem o tamanho da França - e cerca de 6,5 milhões de habitantes - queixam-se de que guerreiros que se deslocam a cavalo e de camelo começaram, com o beneplácito das autoridades árabes de Cartum, a assaltar as terras onde poderia haver água e pastagens.
O regime do marechal-de-campo Omar Hassan al-Bashir, que tomou o poder em 1989, não tem querido reconhecer que apoia a milícia janjawid, preferindo acusar algumas potências estrangeiras de simpatizarem com os grupos rebeldes que se afirmam representativos das mais antigas tradições da região.
Os fur, os zaghawa e os massalit são os grupos étnicos que se consideram vítimas deste primeiro genocídio do século XXI, o qual segundo algumas estimativas já teria feito perto de 450.000 mortos, para além de haver forçado dois milhões e meio de pessoas a abandonar os seus lares.
“Limpeza étnica” é também uma expressão que já tem sido utilizada quando se fala dos horrores do Darfur, com a aviação governamental a bombardear aldeias, por onde em seguida passam os janjawid, para as pilhar.
Jorge Heitor Natal de 2006
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