18.11.12

Bissau: Congresso do PRS em Dezembro

Bissau, 14 nov (Lusa) - O presidente do Partido da Renovação Social (PRS) e de novo candidato à liderança do segundo maior partido da Guiné-Bissau, considerou hoje que "vai ser fácil" ganhar o congresso partidário e as próximas eleições guineenses. Kumba Ialá falava aos jornalistas após ter apresentado a candidatura a presidente do PRS no congresso marcado para dezembro, liderança que vai disputar com outros quatro candidatos. Cinco candidatos, disse, demonstra "a dinâmica democrática do PRS" e demonstra que dentro do partido "há democracia interna". Ainda assim garantiu não ter adversários à sua altura. Kumba Ialá disse que o mesmo se passa a nível do país, onde considera que o PRS não tem adversários. "O único adversário que tínhamos no passado era o general Nino Vieira, através do seu prestígio de guerrilheiro e de chefe de Estado", afirmou. "Neste momento, do ponto de vista político, não tenho nenhum adversário capaz de me resistir, porque tive o privilégio de aprender a democracia em Portugal, enquanto estudante de liceu e universitário, assistindo aos debates de grandes políticos portugueses, como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Sá Carneiro e outros, e que me permitiu aprender a democracia e o diálogo democrático", adiantou. Questionado sobre se considera haver condições para que as próximas eleições na Guiné-Bissau se realizem em abril Kumba Ialá afirmou estar pronto mas referiu que a realização das eleições "depende de quem esteja a dirigir o país", tal como a viabilidade da Assembleia Nacional (até agora inoperacional) depende dos deputados. "Quem está a criar fricções é o PAIGC, nós temos 28 deputados, não podemos criar problemas", disse, referindo-se ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, o maior partido da Guiné-Bissau. Ainda de acordo com o candidato que aposta na reeleição "quem cria dificuldades no país é o PAIGC" e é desse partido que depende que a democracia "funcione a cem por cento" na Guiné-Bissau. Nas próximas eleições, disse, "o PRS vai passear para entrar no poder", porque "o PAIGC está quebrado". Kumba Ialá, além do tradicional barrete vermelho, apareceu com indumentária tradicional entre vivas ao partido e gritos de "vitória". "Apareci tal como 99 por cento da população, apareci tal como o meu povo", justificou. O congresso do PRS realiza-se de 11 a 14 de dezembro. Em abril do próximo ano deverá haver eleições, depois de um ano de transição, na sequência de um golpe de Estado em abril passado que derrubou o poder eleito.

Bissau: Kumba, senhor dos balantas

BISSAU — Koumba Yala Kobdé Nhanca, ancien chef d’Etat de Guinée-Bissau et dirigeant du Parti de la Rénovation social (PRS), s’est déclaré candidat à sa propre succession à la tête de ce parti, qui tiendra son congrès en décembre prochain. “Je n’ai pas d’adversaire politique au PRS et je suis persuadé que je serai à nouveau reconduit au poste de président du parti que j’occupe depuis sa création en 1991″, a-t-il affirmé ce jeudi après avoir déposé sa candidature au siège de sont parti pour sa propre succession. Outre Koumba Yala, quatre candidats peu connus sont en lice pour diriger le PRS qui est, avec 28 députés sur 100 au parlement bissau-guinéen le deuxième parti politique du pays derrière le PAIGC (67 députés). Koumba Yala a dirigé la Guinée-Bissau de 2000 à 2003 avant d’être écarté du pouvoir par un coup d’Etat militaire. Parti à forte connotation ethnique, avec environ 95% de Balantes (ethnie majoritaire de Bissau avec 25% de la population), le PRS est soutenu par les hauts officiers de l’armée, dont le général Antonio Injai, chef d’état-major des armées. © Copyright Xinhuanet

Moçambique: gás natural na bacia do Rovuma

As empresas ENI East Africa Mozambique e Anadarko Moçambique descobriram mais reservas de gás natural em águas profundas da bacia do Rovuma, em resultado de furos efectuados em Fevereiro e Abril, informou há tempos em Maputo o Instituto Nacional de Petróleos (INP) de Moçambique. Citado pelo matutino Notícias, de Maputo, o comunicado do INP informa que no caso da ENI East Africa Mozambique a descoberta foi estimada entre 7 biliões e 10 biliões de pés cúbicos em resultado do furo Coral, efectuado em Fevereiro na Área 4 da bacia do Rovuma. Com esta descoberta, as reservas de gás natural da subsidiária moçambicana do grupo italiano ENI elevam-se a 47/52 biliões de pés cúbicos. Por seu turno, a descoberta da Anadarko Moçambique foi feita na Área 1 da bacia do Rovuma, na sequência do furo Golfinho, efectuado a partir de 12 de Abril, situando-se as reservas encontradas entre sete biliões e vinte biliões de pés cúbicos. Até à data, o volume de gás natural anunciado pela Anadarko aproxima-se de 50 biliões de pés cúbicos. ---- Já há um bom quarto de século se falava das boas potencialidades do Triângulo de Quionga, uma porção de terra que no princípio do século XX a Alemanha chegou a ocupar na margem direita do Rio Rovuma, tendo os portugueses sido capazes de a tirar de lá, para que a zona de Quionga ficasse efectivamente a ser território moçambicano. Ainda hoje, por exemplo, se pode encontrar em Lisboa uma Rua Heróis de Quionga, a recordar os tempos em que Portugal era capaz de fazer frente às pretensões alemãs.

16.11.12

Mujica - um Presidente como há poucos

It's a common grumble that politicians' lifestyles are far removed from those of their electorate. Not so in Uruguay. Meet the president - who lives on a ramshackle farm and gives away most of his pay. Laundry is strung outside the house. The water comes from a well in a yard, overgrown with weeds. Only two police officers and Manuela, a three-legged dog, keep watch outside. This is the residence of the president of Uruguay, Jose Mujica, whose lifestyle clearly differs sharply from that of most other world leaders. President Mujica has shunned the luxurious house that the Uruguayan state provides for its leaders and opted to stay at his wife's farmhouse, off a dirt road outside the capital, Montevideo. The president and his wife work the land themselves, growing flowers. This austere lifestyle - and the fact that Mujica donates about 90% of his monthly salary, equivalent to $12,000 (£7,500), to charity - has led him to be labelled the poorest president in the world. BBC

14.11.12

Bissau: alerta máximo

O porta-voz do governo transitório da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, revelou ontem (13) que todas as forças de defesa e segurança nacional estão em alerta máximo, e prontas a agir para salvarguadar a integridade territorial. Fernando Vaz afirmou que o governo de transição já organizou forças no leste e sul do país, a fim de aumentar a capacidade para defender a integridade territorial, caso for necessário. De acordo com as informações, as "tropas mercenárias no país" estão a preparar uma intervenção militar para trazer de volta ao poder o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior. No dia 12 de Abril deste ano, os soldados da Guiné-Bissau desencadearam um golpe de Estado em que alguns alto funcionários foram detidos e presos. Posteriormente, segundo os requisitos da comunidade internacional, Carlos Gomes Júnior foi libertado e se refugiou para Portugal. Tradução:Guo Hao Revisão:João Pimenta CHINA RADIO INTERNATIONAL

12.11.12

O Sacro Império Euro-Germânico

Estará a UE a transformar-se num império governado pela Alemanha? Para o sociólogo alemão Ulrich Beck, devíamos aproveitar este receio generalizado e muito debatido, para estabelecer uma nova organização da União, com base numa verdadeira comunidade de cidadãos. Excertos. Ulrich Beck A Europa já antes realizou um milagre: inimigos passaram a bons vizinhos. À luz da crise do euro, temos uma vez mais de enfrentar a questão crucial: como pode a Europa garantir paz, liberdade e segurança aos seus cidadãos, no meio das tempestades arriscadas que assolam o mundo globalizado? Isto apela para nada menos que um segundo milagre: como pode a Europa da burocracia tornar-se uma Europa dos cidadãos? Era uma vez… Depois de a dívida grega ter sido reduzida, as pessoas começaram a respirar e a ter esperança: a Europa tinha sobrevivido e estava mesmo suficientemente forte e ágil para superar os seus problemas. Então, o primeiro-ministro grego, George Papandreu, anunciou que queria colocar a questão fatídica ao povo grego num referendo. De repente, veio à tona uma realidade oculta e invertida. Na Europa, tão orgulhosa da sua democracia, alguém que pratique a democracia torna-se uma ameaça para a Europa! Papandreu foi forçado a cancelar o referendo democrático. Embora ainda há pouco tempo contássemos, para citar o poeta alemão Hölderlin, que "onde há perigo, cresce também a salvação", está agora a aparecer no horizonte uma contrarrealidade nova: onde há salvação, cresce também o perigo. De imediato, insinuou-se na cabeça das pessoas uma questão nervosa: as medidas tomadas para salvar o euro estarão a acabar com a democracia europeia? Será que a UE "resgatada" está a deixar de ser uma União Europeia, tal como a conhecemos, e a tornar-se um IE, um Império Europeu com selo alemão? Esta crise interminável estará a parir um monstro político? Não há muito, era comum falar-se em termos depreciativos sobre a dissonância dentro da União Europeia. Agora, de repente, a Europa tem um único telefone: toca em Berlim e, de momento, pertence a Angela Merkel. Derrubar os Potemkin erguidos por países devedores Alguns alemães acreditam que o seu modelo exerce uma atração magnética sobre os povos da Europa: os europeus estão a aprender alemão, dizem. Mas seria mais realista perguntar: qual é a base do poder em execução? Angela Merkel ditou que o preço de dívidas sem restrições é a perda de soberania. Esse futuro que ganha forma no laboratório da recuperação do euro como um efeito colateral intencional assemelha-se – hesito em dizê-lo – a uma variante europeia tardia da União Soviética. Uma economia centralizada já não significa elaborar planos quinquenais para a produção de bens e serviços, mas planos quinquenais para a redução da dívida. O poder executivo tem vindo a ser colocado nas mãos de "comissários", autorizados por "direitos de acesso direto" (Angela Merkel) a não hesitar em derrubar os Potemkin erguidos por famigerados países devedores. Todos sabemos como a URSS acabou. Mas haverá alguma oportunidade no meio da crise? O antigo Presidente norte-americano John F. Kennedy em tempos surpreendeu o mundo com a sua ideia de criar um corpo de paz. Por analogia, a neo-europeia Angela Merkel devia atrever-se a surpreender o mundo com a perceção e iniciativa de que a crise do euro não é apenas uma questão de economia, mas do início da europeização da Europa a partir de baixo, de diversidade e autodeterminação, de um espaço político e cultural em que os cidadãos não se confrontam uns aos outros como inimigos privados de direitos e sugados até à medula. Crie-se a Europa dos cidadãos, já! A liberdade precisa de um terceiro pilar O Estado de Direito e o mercado não são suficientes. A liberdade precisa de um terceiro pilar, para se tornar segura: é ele a sociedade civil europeia. Em termos mais concretos, há que construir a Europa e a atividade cívica europeia. Tal prática cívica autónoma, com a concessão de financiamento básico aos jovens desempregados da Europa, iria, sem dúvida, custar muito dinheiro, mas representaria apenas uma fração dos zeros que foram e vão continuar a ser, provavelmente, engolidos pela recuperação dos bancos. Não devemos ter medo da democracia direta. Sem oportunidades transnacionais para intervenções de baixo para cima, sem referendos europeus sobre os temas europeus que fazem tremer o navio oceânico Europa, a empresa irá falhar no seu conjunto. Porque não fazer eleger diretamente o presidente da Comissão Europeia por todos os cidadãos europeus no mesmo dia, tornando-os, assim, pela primeira vez, europeus no sentido estrito? Também podia fazer sentido nomear uma nova assembleia constituinte, que, desta vez, conferisse legitimação democrática a uma outra Europa – chamemos-lhe "Comunidade Europeia de Democracias". Isso seria apenas um começo, não a resposta para a crise europeia. Temos que falar da Europa do citoyen, do citizen, do burgermaatschappij, do ciudadano, do obywatel, etc., dados os antagonismos escondidos na fórmula unificadora "Europa dos cidadãos". Como é possível uma democracia europeia sem desautorizar os parlamentos nacionais? Supondo que se reconhece que a aplicação de direitos democráticos envolve e requer muitas vias, pode a autoridade democrática de uma Europa cosmopolita ser acompanhada por um reforço das democracias nacionais nos Estados-membros? A resposta passa por essa nova Europa não seguir o modelo alemão de euro nacionalismo, mas o de uma emergente Comunidade Europeia de Democracias. E a partilha de soberania tornar-se um multiplicador de poder e democracia. – The Guardian Dezembro 2011

9.11.12

Bissau: a morte dos mares da Guiné

Greenpeace calls on the Senegalese government to immediately investigate the causes of the death of animal species within its waters, which have occurred in the past few weeks. This follows a research by Greenpeace team that confirmed local fishermen’s reports of deaths of fish, marine mammals and sea turtles on many beaches across the country. According to several reports, this phenomenon emerged in early September and is affecting the entire coastline of Senegal from the Casamance up to Kayar. To date, Greenpeace has documented the death of two whales (on September 14th and 22nd respectively at Kayar and Rufisque), two turtles (October 3rd at Yoff) and an impressive amount of fish (during October in the south of the country). “This worrying and unusual situation in Senegalese waters needs to be addressed with urgent concerted action by the Ministries of Ecology and Sustainable Development, Energy and Mining, Fisheries and Maritime Affairs as well as the fishing communities by identifying its causes in order to preserve fisheries already badly affected by overfishing, " said Ahmed Diamé, Greenpeace Africa’s Oceans campaigner. According to Greenpeace’s investigations, these observations coincided with the start of oil exploration activities, in the south along the border between Senegal and Guinea-Bissau by the petroleum company, ORYX. “At this point, no direct link has been established between these incidents. However, some technologies such as seismic method, used in this kind of exploration are known for their very harmful impacts on the echolocation systems of marine mammals,” continued Diamé.