3.12.12

Bissau: lágrimas por um país desfeito

As contradições da luta pela independência e da afirmação de um Estado continuam hoje em dia bem vivas na Guiné-Bissau – quase 40 anos decorridos sobre o assassínio de Amílcar Cabral, o homem que melhor defendeu essa independência. Jorge Heitor, na revista Além-Mar, dos missionários combonianos A situação actual das populações guineenses é verdadeiramente «preocupante», pelo que a Igreja Católica, se bem que muito pouco representada por aquelas bandas, quando comparada com o Islão e com o animismo, tenciona lançar em breve uma «iniciativa de diálogo a nível nacional», conforme noticiou em Novembro a Agência Fides. O bispo de Bissau, D. José Camnate na Bissign, disse à saída de uma audiência com o presidente de transição reconhecido pelas Forças Armadas, Manuel Serifo Nhamadjo, que o melhor caminho para resolver os problemas internos e abrir perspectivas de futuro seria sentar à mesma mesa representantes de todas as sensibilidades. As palavras são sábias; só que já por mais de uma vez se verificou que nem toda a gente está disposta ao diálogo, nem sequer a ter em conta as opiniões dos outros. Há quatro décadas que se encontra adiado o sonho de um país independente e em paz, onde os Guineenses se começassem a desenvolver. Há quatro décadas que se espera, até agora em vão, um país melhor. O golpe de 12 de Abril deste ano, um dos tantos a que a Guiné-Bissau tem assistido, afastou para o exílio, em Portugal, o presidente que se encontrava em funções interinas, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro que se candidatara à Presidência da República, Carlos Gomes Júnior (vulgo Cadogo Júnior). Uma pobreza avassaladora A manobra golpista de Abril, que impediu uma segunda volta das eleições presidenciais, na qual Cadogo Júnior iria enfrentar o antigo presidente Kumba Ialá, convertido ao Islamismo, aumentou ainda mais a extrema pobreza do pequeno país e das suas gentes, que pertencem a uma série de grupos étnicos, não tendo desenvolvido ainda uma forte consciência nacional. «Ninguém sabe por quanto tempo é que poderá durar o isolamento político-diplomático da Guiné-Bissau. E quem pagará as consequências desta nova crise são os doentes, as crianças, as mulheres e os velhos», disse o bispo de Bissau, impotente perante tanto sofrimento. Nem as Nações Unidas, nem a União Africana, nem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reconhecem o actual estado de coisas, com um presidente de transição e um Governo impostos pelos militares que deram o golpe de Estado. Apenas a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), de que fazem parte, entre outros, o Senegal, a Costa do Marfim, a Nigéria e o Burkina Faso, tolera um regime que é tutelado pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general António Indjai, em clara associação com o antigo presidente Kumba Ialá. Autoridades no exílio O primeiro-ministro deposto Carlos Gomes Júnior disse durante o mês de Novembro, em Lisboa, que já apresentou a sua recandidatura à liderança do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e que gostaria de participar no congresso agendado para Janeiro; mas que ninguém acredita que se possa realizar nessa data. «Desde que sejam criadas condições de segurança para que as pessoas se possam expressar livremente, tenho todas as condições para voltar para o meu país», disse Carlos Gomes Júnior. Só que não há de forma alguma condições de segurança, numa terra onde os militares associados ao narcotráfico exercem todo o poder e não aceitam de forma alguma submeter-se a autoridades civis. Prometeram há tempos os golpistas que procurariam marcar eleições para Abril de 2013, a substituir as que este ano eles não permitiram que chegassem ao fim. Mas a verdade é que não há dinheiro para a organização de novo processo eleitoral, dentro dos próximos quatro meses. Ninguém acredita que elas se possam efectuar antes da próxima estação das chuvas, que começa em Maio. «Quando os políticos são espancados e são proibidas manifestações nas ruas, não estamos num Estado de direito. Nós queremos é repor a Guiné-Bissau no Estado de direito que existia antes de 12 de Abril, em que existia liberdade e condições para qualquer cidadão se expressar livremente», disse Cadogo Júnior. Bissau é uma cidade onde raramente existe energia eléctrica, onde falta a água canalizada e onde o Hospital Central Simão Mendes não apresenta um mínimo de condições, faltando inclusive medicamentos. Diálogo de surdos Tal como a Igreja Católica, também o primeiro-ministro exilado reconhece que «só com o diálogo se podem conseguir resultados concretos» na resolução da crise da Guiné-Bissau. Diálogo esse que nunca houve no país, desde que em 24 de Setembro de 1973 o PAIGC proclamou unilateralmente a independência, nas colinas de Madina do Boé, onde mantinha uma actividade de guerrilha. Quando aquele partido começou a exercer realmente o poder, depois do 25 de Abril de 1974, perseguiu os guineenses que tinham estado a combater ao lado das autoridades coloniais. E em 1980 o ramo guineense da mesma formação política começou a perseguir os naturais de Cabo Verde, tornando impossível que os dois territórios caminhassem lado a lado, num desenvolvimento paralelo, como era desejo do engenheiro agrónomo Amílcar Cabral. Depois disso, já foram assassinados o presidente João Bernardo Vieira, diversos chefes do Estado-Maior-General e muitas outras pessoas, numa série de ódios e de crimes que têm sido cometidos com toda a impunidade. Contraditoriamente, a primeira colónia portuguesa que no século passado proclamou unilateralmente a sua independência é agora a mais infeliz de todas, permanecendo refém tanto de umas Forças Armadas ditatoriais como de uma forte corrente de narcotráfico que por ali passa, no caminho entre a América Latina e a Europa. Militares assustadores Como têm vindo a explicar pessoas como o jornalista António Aly Silva, a Guiné-Bissau está refém de militares que assustam, torturam e matam guineenses, sempre tendo resistido até agora a todos os programas, nomeadamente da União Europeia e de Angola, para as reestruturar e reduzir. São alguns milhares de homens que, em muitos casos, pegaram nas armas quando eram adolescentes, antes do 25 de Abril, e depois disso nunca mais as largaram, até agora, quando têm 55 e mais anos. E homens, algo mais novos, que com esses se formaram, sempre dentro da mentalidade de que o poder está nos quartéis e não na Assembleia da República ou nos tribunais. É a cultura da mais completa impunidade, reforçada agora com a presença no país de dezenas de narcotraficantes latino-americanos, que circulam sem restrições e até têm tanto pistas de aterragens como ilhas desabitadas onde podem desembarcar os seus produtos. «Ajudem o povo da Guiné-Bissau!», pediu o já referido jornalista Aly Silva, que mantém o blogue Ditadura do Consenso. «Não abandonem o povo guineense», acrescentou, referindo que numa só semana dez pessoas foram assassinadas, muitas vezes depois de torturadas. O clima ali é de verdadeiro terror; e por isso tantos cidadãos guineenses têm fugido para Portugal e outros países. Basta ver a quantidade deles que enchem normalmente o Largo de São Domingos, em Lisboa, e as suas imediações. Basta ler os sítios especializados em assuntos africanos para se saber o quanto a Guiné-Bissau é um dos territórios onde mais se sofre. Algumas datas da vida guineense  Proclamação unilateral da independência em Madina do Boé: 24 de Setembro de 1973.  Reconhecimento formal da independência da Guiné-Bissau por Portugal: 10 de Setembro de 1974.  Fuzilamento público de pessoas acusadas de colaboração com as autoridades coloniais portuguesas: 10 de Março de 1976.  Morte do primeiro-ministro Francisco Mendes (Chico Té) num acidente de viação, que se presume ter sido provocado: 7 de Julho de 1978.  Golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980 depõe o presidente Luís Cabral, suspende a Constituição e a Assembleia Nacional e cria o Conselho da Revolução. Ruptura com Cabo Verde.  Alegada tentativa de golpe de Estado e conspiração contra a segurança do Estado que culminou na condenação à morte de Paulo Correia, 1.º vice-presidente do Conselho de Estado, Viriato Pã, procurador-geral da República, e oficiais de etnia balanta: 17 de Outubro de 1985.  Levantamento militar comandado pelo brigadeiro Ansumane Mané dá origem à guerra civil de 1998/1999, que acaba com a rendição do presidente Nino Vieira.  Vitória do Partido da Renovação Social (PRS) nas legislativas de Novembro de 1999, terminando a hegemonia do PAIGC.  Eleição de Kumba Ialá como presidente da República: 16 de Janeiro de 2000.  Morte violenta do general Ansumane Mané: 30 de Novembro de 2000.  Golpe de Estado organizado pelo CEMGFA, general Veríssimo Seabra, derruba o presidente Kumba Ialá: 14 de Setembro de 2003.  Vitória relativa do PAIGC nas legislativas, Carlos Gomes Júnior à chefia do Governo: 28 de Março de 2004.  Assassínios do general Veríssimo Seabra e do seu adjunto tenente-coronel Domingos Barros: 6 de Outubro de 2004.  Nino Vieira regressa à presidência da República, em Julho de 2005, acabando por ser assassinado em 2 de Março de 2009.  Assassínio dos políticos Baciro Dabó e de Hélder Proença: 5 de Junho de 2009.  Malan Bacai Sanhá, candidato do PAIGC, derrota nas presidenciais Kumba Ialá: 26 de Julho de 2009.  Falecimento do Presidente Malam Bacai Sanhá em Paris. Raimundo Pereira, presidente da Assembleia Nacional Popular, assume interinamente a Chefia de Estado: 9 de Janeiro de 2012.  Primeira volta das presidenciais antecipadas, em que o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior obtém 49 % e Kumba Ialá 23 %: 18 de Março de 2012.  Tomada do poder pelos militares, para que já não houvesse segunda volta: 12 de Abril de 2012.

27.11.12

Escrito em Maputo: Portugal "moleque" de Angola

Portugal vira “moleque” de Angola! Não fosse o mundo em que vivemos hoje ("globalização"), esta posição de Angola em relação a Portugal seria, a todos os títulos, agradável, a um excolonizado como eu, infelizmente! Repito, o mundo em que vivemos mudou radicalmente. Os escravos foram libertos por convenção, o racismo está a ser combatido quer por via legislativa quer por via de consciencialização, a expressão mais alta de segregação racial, o APARTHEID, deu lugar a uma nação do "arco-íris" na África do Sul. Estas relações são transformadas de dia para noite ou vice-versa e todos temos de rapidamente nos adaptar. A África do Sul, que criou a Comissão da Verdade e Reconciliação, ainda assim se ressente das feridas do regime segregacionista. O famoso "Black Cont. na pág. 8 Cont. da pág. 7 Portugal vira “moleque” de Angola! empowment" não foi sufi ciente para sarar as feridas profundas criadas por esse regime hediondo. Portugal, por mais boa vontade que tenha, está inserido numa comunidade onde existem regras de convivência e de procedimento. Nesta comunidade, os crimes económicos ou de branqueamento de capitais são punidos de forma severa, pelo que, em algum momento, por mais boa vontade que tenha Portugal, as coisas irão acontecer como mandam as regras, independentemente de existirem 120 mil portugueses a trabalharem em Angola, isso, por si só, não muda as regras do jogo, que é transparência nos negócios! Este intróito vem a propósito das declarações de Paulo Portas, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, à Lusa: “o Governo português fará tudo o que está ao seu alcance para melhorar ainda mais as relações com Angola e não deixar que nada as prejudique". De acordo com Paulo Portas, as relações entre Portugal e Angola são excelentes! Paulo Portas referiu ainda que mais de oito mil empresas exportam para o mercado angolano e acrescentou que "inúmeros interesses e investimentos angolanos fi zeram o seu caminho e ganharam espaço muito relevante em Portugal. Como é evidente, tudo isto é tão importante para os dois países que o Governo português fará tudo o que estiver ao seu alcance para melhorar ainda mais as relações com Angola e não deixar que nada as prejudique”. Este exercício do Executivo de Lisboa surge em resposta ao anúncio do Ministério Público português através do jornal Expresso de que altos dirigentes angolanos estão a ser investigados por suspeitas de crimes económicos ou de branqueamento de capitais. As referidas fi guras, segundo o mesmo jornal, são Manuel Vicente, o general Hélder Vieira Dias e Leopoldino Nascimento, Vice-Presidente de Angola, Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar e Consultor do anterior, respectivamente, restando saber o que fará efectivamente Portugal para evitar esse referido inquérito-crime. Rafael Marques, um activista angolano, conhecido por investigar casos de corrupção naquele território, depôs em Janeiro e em Julho do corrente como testemunha num caso de denúncia de um cidadão angolano residente em Portugal e, na altura, referiu-se a uma longa lista de duas dezenas de cidadãos angolanos com "investimentos e propriedades em Portugal", acusando-os de branqueamento de capitais. Sendo Rafael Marques um cidadão angolano que denuncia a corrupção no seu território, não seria mais sensato Angola ocupar-se de corrigir esses casos, ao invés de querer exportar problemas de um grupo de pessoas para um país que terá muito pouca manobra para "aju- Correio da manhã dar", porque as regras são claras. Outro aspecto que me parece relevante, a investigação de um cidadão, tenha ele o estatuto que tiver, na minha opinião, não deve pôr em causa as relações entre dois estados e governos, considerando que as relações baseiam-se no respeito mútuo. Escrevo este artigo com duas perspectivas, a saber: uma, de alertar aos angolanos que eventualmente tenham adquirido propriedades e estejam a investir em Portugal que nenhum governo os irá proteger de acções judiciárias no quadro do espaço europeu. As boas relações e a amizade com alguns governantes podem adiar a execução, mas nunca impedir que se faça justiça, de acordo com as regras da União Europeia, onde Portugal tem a voz muito "rouca" e dependente de outras economias mais fortes, essas propriedades e investimentos serão revertidos a favor desses governos um dia, por isso, é melhor ouvir a voz do vosso concidadão no lugar de confi ar na palavra do receptor que, certamente, será benefi ciário amanhã! A segunda é chamar a atenção de algumas personalidades portuguesas sobre o seu papel ambíguo na prossecução de relações sãs entre as antigas colónias. Haja o que houver, é importante agir em função das políticas correctas no lugar de fazer um paternalismo que, na primeira oportunidade, descarta. A consequência disso é mais grave na medida em que, aí sim, serão os 120 mil portugueses que se sujeitarão à vingança de quem for a perder. Serão os oito mil empresários cujos negócios serão bloqueados como consequência de não cumprimento de algo que, à partida, estava claro que seria difícil conseguir. Portugal deve desenvolver as relações com os países em estrito respeito às convenções internacionais e a demais legislação. Portugal não deve afi rmar que esteja "disposto a tudo para salvaguardar relações com Angola", mesmo sabendo que se trata de uma promessa difícil de cumprir. A terminar, Portugal deve ter o sentido de autoestima mesmo considerando a fase em que atravessa, porque, parafraseando a mãe do meu colega Baptista, “quanto mais baixar as calças mais se vê o que pretende proteger". Portugal não deve ser moleque de Angola, embora assim o desejasse! REFLEXÃO, de Adelino Buque, no jornal Correio da Manhã, de Maputo, de 26 de Novembro 2012

23.11.12

Uganda : Pena de morte por homosexualidade?

In hours, Uganda could pass a law that could impose the death penalty for homosexuality. An international outcry shelved this bill last year -- we urgently need to ramp up the pressure to press President Museveni to stand up for human rights and stop this brutal law. Sign below, and tell everyone: The Ugandan Parliament is set to pass a brutal law that could carry the death penalty for homosexuality. If they do, thousands of Ugandans could face execution -- just for being gay. We've helped stop this bill before, and we can do it again. After a massive global outcry last year, Ugandan President Museveni blocked the bill's progress. But political unrest is mounting in Uganda, and religious extremists in Parliament are hoping confusion and violence in the streets will distract the international community from a second push to pass this hate-filled law. We can show them that the world is still watching. We have no time to lose. Let’s get one million voices against Uganda's gay death penalty in the next 24 hours -- we'll deliver it to Uganda's leaders and key countries. Click here to take action, then forward this email to everyone: http://www.avaaz.org/en/uganda_stop_gay_death_law/?bFXXgbb&v=19438 Being gay in Uganda is already dangerous and terrifying. LGBT Ugandans are regularly harassed and beaten, and just last year gay rights activist David Kato (pictured above) was brutally murdered in his own home. Now they are threatened by this draconian law which could impose life imprisonment for people convicted of same-sex relations, and the death penalty for “serial offenders”. Even NGOs working to prevent the spread of HIV can be imprisoned for “promoting homosexuality” under this hate-filled law.

20.11.12

É ético pagar o débito?

Roma, martedì 20 novembre 2012 Padre Alex Zanotelli, comboniano, riflette sulla situazione economico-finanziaria attuale dell’Italia e dell’Europa e valuta che ormai “la democrazia è cancellata” e che “siamo in piena dittatura delle banche”. Per risalire la china, P. Zanotelli suggerisce “un piano serio e efficace”. Afferma: “Da parte mia rifiuto di accettare un Sistema di Apartheid mondiale dove il 20% della popolazione mondiale consuma l’80% delle risorse: un pianeta con un miliardo di obesi tra i ricchi, e un miliardo di affamati tra gli impoveriti, e dove ogni minuto si spendono tre milioni di dollari in armamenti e nello stesso minuto muoiono di fame quindici bambini”. Contro la dittatura della finanza E’ ETICO PAGARE IL DEBITO? Ho riflettuto a lungo come cristiano e come missionario, nonché come cittadino, sulla crisi economico-finanziaria che stiamo attraversando, e sono riandato alla riflessione che noi missionari avevamo fatto sul debito dei paesi impoveriti del Sud. Per noi i debiti del Sud del mondo erano ‘odiosi’ e ‘illegittimi’ perché contratti da regimi dittatoriali per l’acquisto di armi o per progetti faraonici, non certo a favore della gente. E quindi non si dovevano pagare! “E’ immorale per noi paesi impoveriti pagare il debito,” – così affermava Nyerere, il ‘padre della patria’ della Tanzania, in una conferenza che ho ascoltato nel 1989 a Nairobi (Kenya). “Quel debito – spiegava Nyerere – non lo pagava il governo della Tanzania, ma il popolo tanzaniano con mancanza di scuole e ospedali”. La nota economista inglese N. Hertz nel suo studio Pianeta in debito, affermava che buona parte del debito del Sud del mondo era illegittimo e odioso. Perché abbiamo ora paura di applicare gli stessi parametri al debito della Grecia o dell’Italia? Nel 1980, il debito pubblico italiano era di 114 miliardi di euro, nel 1996 era salito a 1.150 miliardi di euro ed oggi a quasi duemila miliardi di euro. “Dal 1980 ad oggi gli interessi sul debito – afferma F. Gesualdi – hanno richiesto un esborso in interesse pari a 2.141 miliardi di euro!” Lo stesso è avvenuto nel Sud del mondo. Dal 1999 al 2004 i paesi del Sud hanno rimborsato in media 81 miliardi di dollari in più di quanto non ne avessero ricevuto sotto forma di nuovi prestiti. E’ la finanziarizzazione dell’economia che ha creato quella ‘bolla finanziaria’ dell’ attuale crisi. Una crisi scoppiata nel 2007/08 negli USA con il fallimento delle grandi banche, dalla Goldman Sachs alla Lehman Brothers, e poi si è diffusa in Europa attraverso le banche tedesche che ne sono state i veri agenti, imponendola a paesi come l’Irlanda, la Grecia… “Quello che è successo dal 2008 ad oggi – ha scritto l’economista americano James Galbraith – è la più gigantesca truffa della storia”. Purtroppo la colpa di questa truffa delle banche è stata addossata al debito pubblico dei governi allo scopo di imporci politiche di austerità e conseguente svendita del patrimonio pubblico. Queste politiche sono state imposte all’Unione Europea dal ‘Fiscal Compact’ o Patto Fiscale, firmato il 2 marzo 2012 da 25 dei 27 capi di Stato della UE. Con il ‘Fiscal Compact’ si rendono permanenti i piani di austerità che mirano a tagliare salari, stipendi, pensioni, a intaccare il diritto al lavoro, a privatizzare i beni comuni. Per di più impone il pareggio in bilancio negli ordinamenti nazionali. I governi nazionali dovranno così attuare, nelle politiche di bilancio, le decisioni del Consiglio Europeo, della Commissione Europea e soprattutto della Banca Centrale Europea (BCE) che diventa così il vero potere ‘politico’ della UE. Il potere passa così nelle mani delle banche e dei mercati. La democrazia è cancellata. L’ha affermato la stessa Merkel: “La democrazia deve essere in accordo con il mercato”. Siamo in piena dittatura delle banche. E’ il potere finanziario che ha imposto come presidente della BCE, Mario Draghi, già vicepresidente della Goldman Sachs, (fallita nel 2008!) e a capo del governo italiano Mario Monti, consulente della Goldman Sachs e Coca-Cola, nonché membro nei consigli di amministrazione di Generali e Fiat. (Monti fa parte anche della Trilaterale e del Club Bilderberg). Nel governo Monti poi molti dei ministri siedono nei consigli di amministrazione dei principali gruppi di affari della Penisola: Passera, ministro dello Sviluppo Economico, è ad di Intesa San Paolo; Fornero, ministro del lavoro , è vicepresidente di Intesa San Paolo; F. Profumo, ministro dell’istruzione è amministratore di Unicredit Private Bank e di Telecom Italia; P. Gnudi, ministro del Turismo, è amministratore di Unicredit Group; Piero Giarda, incaricato dei Rapporti con il Parlamento, è vicedirettore del Banco Popolare e amministratore di Pirelli. Altro che ‘governo tecnico’: è la dittatura della finanza! Infatti sotto la spinta di questo governo delle banche, il Parlamento italiano ha votato il ‘Patto Fiscale’, il Trattato UE che impone di ridurre il debito pubblico al 60% del PIL in vent’anni. Così dal 2013 al 2032, i governi italiani, di destra o sinistra che siano, dovranno fare manovre economiche di 47-48 miliardi di euro all’anno, per ripagare il debito. “Noi italiani siamo polli in una macchina infernale – commenta giustamente F.Gesualdi – messa a punto dall’oligarchia finanziaria per derubarci dei nostri soldi con la complicità della politica”. E ancora più incredibile è il fatto che sia stato proprio il Parlamento, massima istituzione della democrazia, a mettere il sigillo “a una interpretazione del tutto errata della crisi finanziaria, ponendola nell’eccesso di spesa dello Stato, soprattutto della spesa sociale – così pensa L. Gallino. La crisi, nata dalle banche, è stata mascherata da crisi del debito pubblico”. Il problema non è il debito pubblico (anche se bisogna riflettere per capire perché siamo arrivati a tali cifre!), ma il salvataggio delle banche europee che ci è costato almeno 4mila miliardi di dollari, a detta dello stesso presidente della UE, Barroso (Sembra che il salvataggio delle ‘banche americane’ fatto da Obama sia costato su 14mila miliardi di dollari!). E’ chiaro che non possiamo accettare né il Patto fiscale della UE, né la sua ratifica fatta dal Parlamento italiano ,né la modifica costituzionale dell’articolo 81, perché a pagarne le spese sarà il popolo italiano. C’è in Europa una nazione che ha scelto un’altra strada: l’Islanda. La nostra stampa non ne parla. L’Islanda piuttosto che salvare le banche (non avrebbe neanche potuto farlo, dato che i suoi debiti si erano gonfiati fino a dieci volte del suo PIL!), ha garantito i depositi bancari della gente ed ha lasciato il suo sistema bancario fallire, lasciando l’onere ai creditori del settore piuttosto che ai contribuenti. E la tutela del sistema di welfare, come scudo contro la miseria per i disoccupati, ha contribuito a riportare la nazione dal collasso economico verso la guarigione. E’ vero che l’Islanda è un piccolo paese ma può aiutarci a trovare una strada per tentare di uscire dalla dittatura delle banche . Per questo suggeriamo alcune piste per una seria riflessione e conseguente azione: 1.Richiesta di una moratoria per il pagamento del debito pubblico; 2.Indagine popolare (audit) sulla formazione del nostro debito pubblico allo scopo di annullare la parte illegittima, rifiutando di pagare i debiti ‘odiosi’ o ‘illegittimi’, come ha fatto l’Ecuador di R. Correa nel 2007; 3.Sospensione dei piani di austerità che, oltre essere ingiusti, fanno aumentare la crisi; 4.Divieto di transazioni finanziarie con i paradisi fiscali e lotta alla massiccia evasione fiscale delle grandi imprese e degli straricchi; 5.Messa al bando dei ‘pacchetti tossici’ e della speculazione finanziaria sul cibo; 6.Divisione delle banche ‘troppo grandi per fallire’ in entità più controllabili, imponendo una chiara distinzione tra banche commerciali e banche di investimento; 7.Apertura di banche di credito totalmente pubbliche; 8.Imposizione di una tassa sulle transazioni finanziarie per la ‘tracciabilità’ dei trasferimenti e un’altra sui grandi patrimoni; 9.Rifondazione della BCE riportandola sotto controllo politico (democratizzazione), consentendole di effettuare prestiti direttamente ai governi europei a tassi di interesse molto bassi. Sono solo dei suggerimenti per preparare un piano serio ed efficace per uscire dalla dittatura delle banche. Per chi è interessato alle campagne in atto per un’altra uscita dal debito, consulti: smonta il debito, www.cnms.it; rivolta il debito, www.rivoltaildebito.it; no debito, www.nodebito.it. Se ci impegniamo, partendo dal basso e mettendoci in rete, a livello italiano ed europeo, il nuovo può fiorire anche nel vecchio Continente. Da parte mia rifiuto di accettare un Sistema di Apartheid mondiale dove il 20% della popolazione mondiale consuma l’80% delle risorse: un pianeta con un miliardo di obesi tra i ricchi, e un miliardo di affamati tra gli impoveriti, e dove ogni minuto si spendono tre milioni di dollari in armamenti e nello stesso minuto muoiono per fame la morte di quindici bambini. Il mercato, la dittatura della finanza si trasformano allora “in armi di distruzione di massa”, dice giustamente J. Stiglitz, premio Nobel dell’economia. “Il potere economico-finanziario lascia morire – afferma F. Hinkelammert – e il potere politico esegue… Entrambi sono assassini.” Diamoci da fare perché vinca invece la vita! Alex Zanotelli Napoli, 18 novembre 2012

Bissau: situação tem continuado a agravar-se

World Politics Review Global Insider: ECOWAS Mission in Guinea-Bissau Shows Little Success At a summit meeting earlier this month, leaders from the Economic Community of West African States (ECOWAS) extended the mandate of a small peacekeeping force in Guinea-Bissau that was put in place after a coup in the West African state in April. In an email interview, Lars Rudebeck, a professor emeritus of political science at Upsalla University in Sweden, discussed ECOWAS’ mission in Guinea-Bissau. WPR: What is the composition of the ECOWAS force in Guinea-Bissau, and what are its goals? Lars Rudebeck: The force is made up of around 600 soldiers from Burkina Faso, Senegal and Togo, according to ECOWAS. It was initially deployed in May 2012 for six months. At the ECOWAS summit meeting in Abuja, Nigeria, earlier this month, the decision was made to extend the mandate for the force for another six months. It is reported that Nigerian troops will now be substituting for some of the others. The ECOWAS force was deployed after a roughly equally large Angolan force was obliged to leave after the military coup on April 12, 2012. The Angolan soldiers had arrived in March 2011 on invitation by the legal government that was overthrown by the coup. They had all left by early June 2012. The official reason for the presence of the ECOWAS force is to support and help pave the way for peaceful transition/return to constitutional democracy, after the electoral process was interrupted in April between the first and second rounds of the presidential election then underway. Underlying this are interests in control -- West African, particularly Senegalese and Nigerian, as opposed to Angolan -- and a measure of stability. WPR: How effective has the mission been? Rudebeck: The short answer is that, so far, the mission has not been effective at all. Overall the political, economic and social situation seems to have continued to deteriorate since the coup. The following are a few indications: - Frequently closed banks, which cause great difficulties for, among others, farmers attempting to market their cashew harvest, due to lack of buyers' access to cash. This in turn is serious both for the farming population, the great majority in Guinea-Bissau, and for the national economy -- cashew exports are almost the sole source of foreign currency besides foreign aid, which is also dwindling. - Frequently closed schools, due to teachers striking over unpaid wages. - Difficult access to all kinds of oil-based fuels. - Rising unemployment in urban centers. - No apparent end in sight to Guinea-Bissau's role as a significant hub in drug trafficking between Latin America, especially Colombia, and Europe. - The sacking in early August 2012 of the director of the independent social science research institute INEP, who had come out openly in May in support of an immediate return to constitutional democracy. - An armed attack on a military base near Bissau, the capital city, on Oct. 21, in which six assailants and one guard were killed. The leader of the assault, an army captain, was caught and is now being held in jail. - The severe beating of two leading representatives of the democratic opposition outside Bissau on Oct. 23. They were then dumped in the countryside. WPR: How does the mission in Bissau reflect on ECOWAS' larger role as a conflict manager in West Africa? Rudebeck: To date, it does not reflect very positively, judging from the lack of success. Still, the fact that ECOWAS intervened at all probably looks better, so far, than if it had simply remained passive. In the longer run, however, it is an increasingly serious problem for ECOWAS that the entire "international community," with ECOWAS as the sole significant exception, refuses to accord any legitimacy at all to the coup government ECOWAS itself is cooperating with.

18.11.12

Bissau: Congresso do PRS em Dezembro

Bissau, 14 nov (Lusa) - O presidente do Partido da Renovação Social (PRS) e de novo candidato à liderança do segundo maior partido da Guiné-Bissau, considerou hoje que "vai ser fácil" ganhar o congresso partidário e as próximas eleições guineenses. Kumba Ialá falava aos jornalistas após ter apresentado a candidatura a presidente do PRS no congresso marcado para dezembro, liderança que vai disputar com outros quatro candidatos. Cinco candidatos, disse, demonstra "a dinâmica democrática do PRS" e demonstra que dentro do partido "há democracia interna". Ainda assim garantiu não ter adversários à sua altura. Kumba Ialá disse que o mesmo se passa a nível do país, onde considera que o PRS não tem adversários. "O único adversário que tínhamos no passado era o general Nino Vieira, através do seu prestígio de guerrilheiro e de chefe de Estado", afirmou. "Neste momento, do ponto de vista político, não tenho nenhum adversário capaz de me resistir, porque tive o privilégio de aprender a democracia em Portugal, enquanto estudante de liceu e universitário, assistindo aos debates de grandes políticos portugueses, como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Sá Carneiro e outros, e que me permitiu aprender a democracia e o diálogo democrático", adiantou. Questionado sobre se considera haver condições para que as próximas eleições na Guiné-Bissau se realizem em abril Kumba Ialá afirmou estar pronto mas referiu que a realização das eleições "depende de quem esteja a dirigir o país", tal como a viabilidade da Assembleia Nacional (até agora inoperacional) depende dos deputados. "Quem está a criar fricções é o PAIGC, nós temos 28 deputados, não podemos criar problemas", disse, referindo-se ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, o maior partido da Guiné-Bissau. Ainda de acordo com o candidato que aposta na reeleição "quem cria dificuldades no país é o PAIGC" e é desse partido que depende que a democracia "funcione a cem por cento" na Guiné-Bissau. Nas próximas eleições, disse, "o PRS vai passear para entrar no poder", porque "o PAIGC está quebrado". Kumba Ialá, além do tradicional barrete vermelho, apareceu com indumentária tradicional entre vivas ao partido e gritos de "vitória". "Apareci tal como 99 por cento da população, apareci tal como o meu povo", justificou. O congresso do PRS realiza-se de 11 a 14 de dezembro. Em abril do próximo ano deverá haver eleições, depois de um ano de transição, na sequência de um golpe de Estado em abril passado que derrubou o poder eleito.

Bissau: Kumba, senhor dos balantas

BISSAU — Koumba Yala Kobdé Nhanca, ancien chef d’Etat de Guinée-Bissau et dirigeant du Parti de la Rénovation social (PRS), s’est déclaré candidat à sa propre succession à la tête de ce parti, qui tiendra son congrès en décembre prochain. “Je n’ai pas d’adversaire politique au PRS et je suis persuadé que je serai à nouveau reconduit au poste de président du parti que j’occupe depuis sa création en 1991″, a-t-il affirmé ce jeudi après avoir déposé sa candidature au siège de sont parti pour sa propre succession. Outre Koumba Yala, quatre candidats peu connus sont en lice pour diriger le PRS qui est, avec 28 députés sur 100 au parlement bissau-guinéen le deuxième parti politique du pays derrière le PAIGC (67 députés). Koumba Yala a dirigé la Guinée-Bissau de 2000 à 2003 avant d’être écarté du pouvoir par un coup d’Etat militaire. Parti à forte connotation ethnique, avec environ 95% de Balantes (ethnie majoritaire de Bissau avec 25% de la population), le PRS est soutenu par les hauts officiers de l’armée, dont le général Antonio Injai, chef d’état-major des armées. © Copyright Xinhuanet