14.4.13

A morte de Thatcher, vista por Alfredo Barroso

Morreu Margaret Thatcher, uma das principais responsáveis pela contra-revolução neoliberal que há mais de 30 anos vem devastando os regimes democráticos ocidentais, deformando a economia, tornando as sociedades democráticas cada vez mais desiguais, destruindo a coesão social, impondo o «casino da especulação monetária» e a ditadura dos mercados financeiros globais que hoje mandam em nós. Morreu, além disso, a amiga de Pinochet, um dos ditadores mais sanguinários e corruptos da América Latina, que permitiu que o Chile se tornasse banco de ensaio das políticas ultraliberais preconizadas pela famigerada «escola de Chicago» e levadas a cabo pelos «Chicago boys», apadrinhados por Milton Friedman e Friederich von Hayek, figuras tutelares do pensamento de Margaret Thatcher, além da mercearia do pai. Não faço esta acusação de ânimo leve. São factos conhecidos, designadamente a sua acendrada admiração por Augusto Pinochet, como se projectasse nele aquilo que ela desejaria impor, mas nunca conseguiria, na velha democracia inglesa. Há muitas fotos em que aparecem ambos sorridentes, lado a lado, quer quando o ditador estava no poder, quer quando o detiveram em Londres na sequência do pedido de extradição efectuado pelo juiz espanhol Baltazar Garzon, que o acusou de ser responsável, durante a ditadura, pelo assassínio e desaparecimento de vários cidadãos espanhóis. Esta mulher a quem chamaram «dama de ferro», como poderiam ter chamado «de zinco» ou «de chumbo», nutria um profundo desprezo pelos grandes intelectuais ingleses do seu tempo, designadamente Aldous Huxley, John Maynard Keynes, Bertrand Russell, Virgínia Woolf e T. S. Eliot, conhecidos como o «círculo de Bloomsbury» (do nome do famoso bairro londrino de editores e livreiros e de boémia intelectual). A frustração dela perante o talento e a inteligência que irradiavam deles, e que ela não conseguia captar, levaram-na a considerá-los «intelectuais estouvados, que conduziram o Reino (Unido) pelos caminhos nada recomendáveis da segunda metade do século XX». Ao diabo as «literatices» da «clique de Bloomsbury», dizia ela. «O meu Bloomsbury foi Grantham» (onde o pai tinha a famosa mercearia) (…) Para compreender a economia de mercado, não há melhor escola do que a mercearia da esquina». Deve ser por isso que as mercearias estão a falir… Thatcher considerava «a distância entre ricos e pobres perfeitamente legítima» e proclamava «as virtudes da desigualdade social» como motor da economia. A verdade dos números é, no entanto, bastante diferente. Como salienta John Gray, um dos mais importantes pensadores contemporâneos, na Grã-Bretanha da chamada «dama de ferro» os níveis dos impostos e das despesas públicas eram tão ou mais altos, ao fim de 18 anos de governos conservadores, do que quando os trabalhistas deixaram o poder, em 1979. Ao mesmo tempo, nos EUA de Ronald Reagan, co-autor da «contra-revolução neoliberal», o mercado livre e desregulado destruiu a civilização de capitalismo liberal baseada no New Deal de Roosevelt, em que assentou a prosperidade do pós-guerra. Convém dizer que John Gray, autor de vários livros editados em português, entre os quais Falso Amanhecer (False Dawn), chegou a ser uma das figuras dominantes do pensamento da chamada «Nova Direita», que teve uma grande influência nas políticas que Thatcher pôs em prática. Mas ficou desiludido e alarmado com as terríveis consequências dessas políticas e tornou-se um dos críticos mais lúcidos e implacáveis dos «mercados livres globais», cuja desregulação tem causado os efeitos mais perversos nas sociedades contemporâneas, provocando a desintegração social e o colapso de muitas economias. O capitalismo global parece funcionar, segundo Gray, de acordo com as regras da selecção natural, destruindo e eliminando os que não conseguem adaptar-se e recompensando, quase sempre de maneira desproporcionada, os que se adaptam com sucesso. Estas são, logicamente, as inevitáveis consequências do pensamento de Thatcher, ao pôr em prática «as virtudes da desigualdade social» como motor da economia. A pesada herança de Margaret Thatcher, tal como a de Ronald Reagan - adoptadas não apenas pela direita ultraliberal, mas também por uma certa esquerda neoliberal (Tony Blair, Gerhard Schröder e alguns discípulos da Europa do Sul, designadamente lusitanos) - é esta crise brutal em que a UE e os EUA estão mergulhados há já cinco anos. E o mais terrível é que é o pensamento dos principais responsáveis por esta crise que continua e prevalecer na maioria dos governos que prometem acabar com ela à custa da austeridade, do empobrecimento dos cidadãos e do confisco dos seus direitos sociais. Lisboa, 8 de Abril de 2013 Alfredo Barroso (este texto foi oferecido ao jornal PÚBLICO, que não teve espaço para o utilizar)

13.4.13

A Austrália vai a eleições no dia 14 de Setembro

The 2013 Australian federal election will elect members of the 44th Parliament of Australia. Prime Minister Julia Gillard has announced it will be held on 14 September 2013. No writ of election has been issued, and the date is thus still subject to change, though it must be held no later than 30 November. The centre-left Labor minority government she leads will attempt to win a third term against the opposition centre-right Coalition led by Opposition Leader Tony Abbott, a Liberal.

12.4.13

Omar al-Bashir visita o Sudão do Sul

President Omar al-Bashir of Sudan is visiting South Sudan for the first time since it became independent in 2011. Mr Bashir and his southern counterpart, Salva Kiir, will discuss territorial disputes and border demarcation. Also on the agenda is a recent deal on how much the South should pay for exporting its oil through Sudan. The two countries came to the brink of war last year over unresolved disputes following South Sudan's secession. However, there has been an easing of tension since they agreed to resume pumping oil last month. A military band played the two national anthems as Mr Bashir was welcomed by Mr Kiir at the airport in the southern capital, Juba. Security in the city is described as tight, with only official vehicles on the road and those on foot subject to regular checks. Speaking ahead of the visit, South Sudanese Information Minister Barnaba Marial Benjamin said it would be "good for the future of the two countries". Struggling economies The South's independence - which followed decades of civil war - left key issues unresolved. South Sudan took with it nearly three-quarters of Sudan's oil production when it declared independence and the two sides fell out over how much the South should pay to export its oil through Sudanese pipelines. At the height of the dispute last year, the South shut down its entire oil output, badly hitting both struggling economies. Oil started flowing again this month after both sides struck a deal in the Ethiopian capital, Addis Ababa, in March. They also agreed to withdraw troops from their border area. BBC

Moçambique: riscos de fortes conflitos

Cidade do Vaticano, 11 abr 2013 (Ecclesia) – O Papa recebeu hoje no Vaticano o primeiro-ministro de Moçambique, Alberto Vaquina, num encontro que realçou a “contribuição positiva da Igreja Católica para a paz e o desenvolvimento do país através das suas obras caritativas e sociais”. Durante as “conversações cordiais” foi manifestada a “satisfação pelas boas relações existentes entre a Santa Sé e Moçambique, reforçadas pelo acordo bilateral entre as partes, assinado a 7 de dezembro de 2011 e ratificado o ano passado”, revela uma nota enviada à Agência ECCLESIA pelo Serviço de Informação do Vaticano. Depois de renovar as felicitações da população moçambicana pela eleição de Francisco, o primeiro-ministro discutiu com o Papa alguns dos problemas que afetam o sul de África, assinala a nota. Afonso Dhlakama, líder do principal partido da oposição moçambicana, Renamo, disse esta quarta-feira que o presidente da República, Armando Guebuza, lhe enviou cinco pontos de negociação para a manutenção da paz no país, incluindo a cessação imediata dos ataques a forças de segurança e civis, como aconteceu recentemente em Sofala, refere o site do jornal ‘Notícias’. A Conferência Episcopal de Moçambique assinalou em agosto de 2012 com uma nota pastoral a celebração dos 20 anos do Acordo Geral de Paz no Estado lusófono, alertando para os riscos que se colocam ao regime democrático. “A democracia e a paz no nosso país só estarão garantidas se houver uma efetiva transformação dos partidos políticos, para que sejam não somente retórica mas verdadeiramente democráticos, a partir do seu interior”, vincam os bispos católicos. O documento centra-se também na vaga de descobertas de recursos minerais e nos riscos de se poderem converter em fonte de “divisão, conflitos e guerras”. "Se vierem a faltar, a sabedoria, a prudência e políticas justas e clarividentes, na sua exploração, podem tornar-se em pesadelo, uma séria ameaça para o país", alerta o episcopado. O texto criticava igualmente os casos de privatização de bens ou de espaços, “inicialmente destinados às comunidades”, como no caso da “devastação rápida e excessiva” das florestas ou a atribuição de “praias, ilhas e reservas florestais” a cidadãos nacionais ou estrangeiros. RJM/OC

11.4.13

Bissau: estagnação geral de um país sem perspectivas

Bissau- O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau afirmou hoje (quinta-feira) acreditar na justiça norte-americana para um tratamento justo no processo do ex-chefe da Armada Bubo Na Tchuto, suspeito de tráfico de droga. Falando à Agência Lusa no âmbito do balanço de um ano após o golpe de Estado que destituiu as autoridades eleitas, Daba Na Walna aproveitou para comentar que tudo o que se sabe até agora sobre a captura de Bubo Na Tchuto pelas autoridades norte- americanas é através da imprensa. "Acredito na justiça norte-americana. Se há país no mundo em que a justiça funciona com imparcialidade são os Estados Unidos e, como disse o governo, Bubo Na Tchuto terá um tratamento como qualquer um, terá o seu advogado para lhe garantir a defesa. Vamos aguardar para ver o que vai ser", declarou Na Walna, frisando ser prematuro tecer mais comentários. O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas sublinhou que Bubo Na Tchuto já não fazia parte dos quadros desde que passou à reserva em Dezembro de 2011, na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado de que seria autor. "Mas seja como for, como cidadão e como militar, não deixa de entristecer um pouco saber que o meu concidadão foi capturado por um outro país e seguramente será submetido à justiça nesse país", notou Na Walna. Aquele militar abordou igualmente a actual situação da Guineé-Bissau, destacando ser praticamente impossível realizar eleições gerais ainda este ano por falta de agenda nacional que balize o período de transição. Ao ser solicitada uma data excata para as eleições, Na Walna disse que prefere dizer o que o Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, tem dito. "Assumiria a posição do Presidente da República. Que não é apologista de uma transição 'ad eternum' (sem fim) mas também não é apologista de uma transição feita à pressa", disse Na Walna, atirando "as culpas" para a classe política por aquilo que diz ser a estagnação geral do país. "Trinta e nove anos já se passaram desde a independência, vejam o que o nosso país é. Isto é uma miséria. Digo isso francamente, quando oiço políticos a dizerem que são políticos, eu pergunto, mas qual a vossa experiencia política, que não se traduz em bem-estar social do povo. O país está como está. A capital Bissau está com ruas esburacadas, isto não obstante o país ser rico em recurso minerais", disse o coronel. Para Na Walna é "um pingue-pongue" o exercício que se faz no país sobre as eventuais responsabilidades entre os políticos e os militares sobre a situação da Guiné-Bissau. O porta-voz do Estado-Maior citou como exemplo do ex-Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que considera preferir uma "política de terra queimada" em vez de privilegiar o interesse nacional. Na Walna disse ter ficado perplexo quando ouviu Gomes Júnior a afirmar que se for eleito Presidente da República não irá respeitar os acordos assinados pelo actual governo de transição. Quanto aos países lusófonos com os quais as autoridades de transição praticamente não falavam desde o golpe de Estado, o porta-voz do exército guineense enalteceu que "paulatinamente" as portas se estão a abrir de novo. E disse que a Guiné-Bissau "nunca cortou as relações" com Angola, com Portugal e com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa no seu todo.

9.4.13

Bissau: Ramos-Horta começa a acordar para a realidade guineense

A Guiné-Bissau "enfrenta como Nação uma ameaça existencial, enquanto Estado" e as elites políticas e militares deviam aproveitar o aniversário de mais um golpe para fazerem um exame de consciência, defendeu hoje o representante da ONU. Num depoimento a propósito do primeiro aniversário sobre o golpe de Estado que a 12 de abril derrubou os governantes eleitos, o representante do secretário-geral da ONU em Bissau, Ramos-Horta, avisou também que a comunidade internacional está cansada e que há um "perigo real" de abandonar o país. Independentemente das razões que levaram ao golpe, disse o responsável, "a verdade é que se aprofunda a crise social e económica e o isolamento internacional da Guiné-Bissau". "Por isso espero que, ao completar-se o primeiro aniversário do golpe e do regime de transição, as elites política e militar façam uma introspeção, um exame de consciência, e ganhem consciência de que a Guiné-Bissau realmente enfrenta como Nação uma ameaça existencial, enquanto Estado", alertou. É que, justificou José Ramos-Horta, sem um Estado forte, um Governo e instituições políticas sólidas e coesas, é "extremamente difícil a Guiné-Bissau sobreviver aos desafios regionais, às ameaças de crime organizado, nomeadamente dos cartéis de droga das mais variadas origens", e a ameaças de outro género como a extrema pobreza. Outro aviso de Ramos-Horta é o de que a comunidade internacional, que sempre quis e quer ajudar a Guiné-Bissau, "já está também cansada e há um perigo real de a própria ONU, a União Europeia e outros amigos e parceiros tradicionais da Guiné-Bissau dizerem ´não mais´". Por isso, Ramos-Horta apelou aos políticos guineenses para que cheguem rapidamente a um acordo para um roteiro de transição que contemple o recenseamento eleitoral e o calendário para as eleições, que podem ser este ano "desde que as elites políticas se entendam". "Dado os desafios que este país enfrenta, bem grandes, até digo existencialistas para este país enquanto Estado, que se entendam e que formem um Governo de grande inclusão o mais rapidamente possível", para haver eleições num clima pacífico e para que depois das eleições não hajam vencedores ou perdedores", disse. Após as eleições, acrescentou, o partido mais votado terá sentido de Estado e consciência da gravidade da situação que o país enfrenta, e terá consciência de que nenhum partido sozinho, nenhuma elite partidária sozinha, pode resolver os problemas do país. "Deem a mão" e formem um Governo de grande abrangência, pediu Ramos-Horta, acrescentado que só assim se pode passar a uma segunda fase, após as eleições, de reorganização do Estado, com o apoio da comunidade internacional. Tal é possível porque a Guiné-Bissau é um país potencialmente rico e com um "povo fabuloso" e pessoas "altamente qualificadas, disse Ramos-Horta, acrescentando: "por isso, neste ano em que se completa um aniversário de mais um golpe, triste, espero que façam uma reflexão séria, deem a mão e salvem a vossa Nação".O representante da ONU reafirmou que há tempo para organizar eleições ainda este ano e que as Nações Unidas continuam disponíveis para, em parceria com a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, e com o apoio financeiro da União Europeia, liderar o processo eleitoral. Publicada por António Aly Silva no blog Ditadura do Consenso

8.4.13

Sarkozy: negócios com o Qatar

In mid-December, some of Europe’s best-connected businessmen gathered in Paris to discuss a highly sensitive project: Nicolas Sarkozy’s entry into the world of private equity. Seven months after the former French president lost power, he and his closest advisers were casting around for a new direction for his post-Elysée life that would parlay his political experience into a more lucrative career. Mr Sarkozy, who has spent virtually all his professional life in politics, has long made no secret of his desire to make money after leaving office. While he began to raise his profile as a speaker at conferences, one idea had started to coalesce in his inner circle – a project that would take advantage of his close connections with a deep pool of capital far from the arrondissements of Paris in the deserts of Qatar. The proposal was to set up a private equity fund backed by the Qatar Investment Authority, the $100bn sovereign wealth fund, that would invest in “European reconstruction” – companies in continental Europe, with a particular emphasis on Spain. The December meetings were called to flesh out a plan. In attendance, were businessmen including Sir Simon Robertson, the British banker who was formerly president of Goldman Sachs Europe and now chairman of Rolls-Royce, and Paolo Scaroni, chief executive of ENI, the Italian energy group, and former chief executive of Pilkington, the UK glassmaker. Alain Minc, one of Mr Sarkozy’s advisers, who is widely thought to be involved in many of the backroom intrigues in French business, had a central role in the plan, according to people familiar with the matter. On at least one occasion, Mr Sarkozy shared a meal with his potential business partners, cracking jokes to which his friends responded with loud laughter, an insider said. The project looked promising: Mr Sarkozy had received a letter of intent from the QIA to commit €250m to the private equity fund, according to four people with knowledge of the pledge. It even had a mooted name, Columbia Investments. It would have an office in London in which the former president would visit one or two days a week, according to a person familiar with the matter. Mr Sarkozy held talks with at least one investment executive to join the firm as his other partner in the British capital, according to three people familiar with the matter. Financial Times