6.7.13
Bissau: Militares terão de ter uma nova mentalidade
O representante do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para a Guiné-Bissau, o antigo Presidente timorense José Ramos-Horta, pessoa com muitos apoios nos Estados Unidos, tenciona organizar a partir de 11 de Julho um seminário destinado a calendarizar a modernização das Forças Armadas. Coisa que nos últimos sete anos tanto a União Europeia como Angola já tentaram, sem êxito.
Ramos-Horta, que precisa de mostrar que está a fazer algo de útil em Bissau, depois de os timorenses não lhe terem querido dar um novo e segundo mandato à frente da República, entende que o seu jovem país pode dar um contributo para a tão necessária modernização das Forças Armadas da Guiné-Bissau, onde o peso dos oficiais e dos sargentos é excessivo, quando comparado com o número de praças.
Para além de ser preciso, necessário e urgente reformular por completo os sectores guineenses da Defesa e da Segurança, que tantos problemas têm dado por não saberem de forma alguma o que seja um Estado de Direito, importa muito em especial, na presente conjuntura, conseguir afastar da chefia do Estado-Maior General o general António Indjai, que os Estados Unidos acusam de envolvimento no tráfico de cocaína e no tráfico de armas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Para além disso, Indjai já de há muito deveria ter sido afastado por ter ameaçado de morte o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, em pleno centro de Bissau, aquando de uma das frequentes interferências dos militares na vida pública.
Dizem agora algumas notícias, mas o próprio Estado-Maior já o desmentiu, que António Indjai poderá muito bem ter como sucessor o general Tomás Djassi, de 45 anos, secretário-geral da Guarda Nacional. E outros nomes atirados para a arena são os de Daba Na Walna e de Júlio Cabi.
Nestas circunstâncias, o que se poderá dizer que o que importa não é sobretudo o nome das pessoas, mas sim o seu estado de espírito. Não é por Djassi ou Na Walna serem um bocado mais novos do que o general Indjai que merecem muito mais confiança do que ele, se acaso estiverem eivados dos mesmos vícios de formação.
A instituição militar guineense surgiu em 1974 da antiga guerrilha e ainda nunca se conseguiu libertar do complexo de que ela é que foi fundamental para acabar com o colonialismo e alcançar a independência; ainda nunca conseguiu reformular a sua mentalidade, ao longo destes 39 anos, desde que Portugal reconheceu que nada mais tinha a ver com a administração de tal território.
Portanto, o seminário previsto para o período de 11 a 31 de Julho vai ser fundamental para toda a gente compreender que não é de nenhum Djassi, Na Walna ou Cabi que as Forças Armadas guineenses necessitam, se acaso eles pensarem da mesma forma que Bubo Na Tchuto ou António Indjai.
No futuro, os oficiais da Guiné-Bissau terão de respeitar escrupulosamente qualquer Presidente da República ou qualquer Governo que o povo escolher, remetendo-se ao seu papel específico de guardar as fronteiras.
JH/no LusoMonitor
1.7.13
Toda a fortuna de Teodorin Nguema Obiang
Comment Teodorin Nguema Obiang (dit TNO), le fils du président de Guinée équatoriale, a-t-il pu financer son train de vie mirobolant aux Etats-Unis et en France? C’est ce que cherchent à savoir les juges qui enquêtent sur lui depuis 2010. Jusqu’à ce jour, pour justifier l’achat du fastueux hôtel particulier de l’avenue Foch (évalué entre 100 et 150 M€), les 11 Ferrari, Bentley et Bugatti saisies fin 2011, ou sa collection Yves Saint Laurent (18 M€), ses explications n’avaient jamais varié : « Il s’agit de son argent propre, tiré de l’activité de sa société forestière Somagui Forestal », clame son avocat parisien, Me Emmanuel Marsigny.
15 € par mètre cube
De nouveaux éléments dans l’enquête viennent pourtant mettre à mal cette ligne de défense. A la demande de leurs collègues hexagonaux, les policiers espagnols ont en effet entendu en novembre dernier Pedro Tomo, un ressortissant espagnol qui a longtemps baroudé dans les mines d’or et les exploitations forestières en Guinée équatoriale. Aux enquêteurs, Pedro Tomo a expliqué que depuis 1996, date à laquelle le fils Obiang a été nommé ministre de l’Agriculture, chaque société étrangère implantée en Guinée et souhaitant exporter du bois ou d’autres matières premières, devait verser une taxe de 15 € par mètre cube de marchandise exportée. Cette taxe était créditée sur le compte de la fameuse société forestière de Obiang fils, Somagui, qui n’a selon lui eu pour seule finalité que de percevoir cette fameuse taxe au profit de TNO lui-même. Au total, le volume des commissions touchées par TNO aurait atteint 17 milliards de francs CFA depuis 1996, soit… 26 M€ par an. « Ces témoins sont connus, ce sont des opposants au régime de M. Obiang, j’attends des preuves », rétorque Emmanuel Marsigny. Ces nouveaux éléments tombent pourtant mal pour son client : le mandat d’arrêt international lancé il y a un an par les juges pour entendre Teodorin Obiang vient d’être validé par la cour d’appel de Paris, alors que son avocat en contestait la légitimité au nom de l’immunité diplomatique. Me Marsigny vient de se pourvoir en cassation.
Le Parisien
21.6.13
A Guiné-Bissau, um destacado Narco-Estado
By ADAM NOSSITER
For months, they met in hotel rooms and at an army base in Guinea-Bissau, plotting the exchange of thousands of pounds of cocaine and an arsenal of weapons between South America and West Africa.
The plans involved high-ranking Guinea-Bissau military officers, present and former; drug traffickers; would-be Colombian guerrillas; and, in the background, government officials of the tiny coastal country, a haven for narcotics smuggling.
The stakes were high. Millions in cash, guns and drugs were on the table, anda swaggering figure around town, the former chief of the Guinea-Bissau Navy, Rear Adm. José Américo Bubo Na Tchuto, was determined to claim his share: a cool $1 million for each 1,000 kilos of cocaine brought in under his front company. He would then store it in an underground bunker.
Mr. Na Tchuto did not know it, but some in the sweaty negotiations were Drug Enforcement Administrationoperatives. The trap had been set, and on Monday, the former admiral found himself in a Manhattan courtroom facing federal drug trafficking charges, the culmination of elaborate American stings two weeks ago.
Mr. Na Tchuto — a veteran of his country’s war of liberation against Portugal in the 1960s and 1970s, which he joined at the age of 14 — was arrested by American agents on the high seas off West Africa on April 2, along with several other trafficking suspects.
The stings — a “very complex, very dangerous operation,” said Derek Maltz, special agent in charge of the D.E.A. special operations division — were the closing chapter of an American campaign in which Mr. Na Tchuto had been labeled a “drug kingpin” by the Treasury Department more than three years ago. At the end, the D.E.A. agents were “sitting out in the Atlantic Ocean, 30-40 hours, away from their families” to capture their prey, Mr. Maltz said.
The operations have also laid bare some of the inner workings of what has long been considered one of the world’s leading narco-states. Guinea-Bissau, an impoverished, tropical nation of 1.6 million, has a political history of nonstop coups and a seemingly endless array of coastal inlets and islands that have made it an ideal staging ground for Latin American cocaine bound for Europe.
Indeed, Mr. Na Tchuto told the operatives in August that times were quite propitious because of the weakness of the country’s government, installed with military backing after a coup a year ago, according to the indictments.
For much of the last decade, officials at the United Nations and elsewhere have suggested that the state itself, at its highest military and civilian levels, was implicated in the international narcotics trade. The stings go some way toward demonstrating it, for the first time.
The arrest of the former admiral appears to have shocked the authorities in the capital, Bissau. Last week, they dismissed the country’s top intelligence official, apparently for failing to spot the American operation unfolding under their noses over months.
“One can imagine that he was not able to provide information to his authorities about what was going on,” said the ambassador of the European Union in Bissau, Joaquin Gonzalez-Ducay, explaining the dismissal. The union does not recognize the current government, which has stalled on promised elections.
In the federal court documents, officials are depicted as demanding a cut of the imported cocaine — 13 percent; signing off on fake shipments of military uniforms to conceal the drugs; discussing the cocaine-and-arms scheme at high levels; accepting an upfront payment of 20,000 euros from the operatives; and setting up a front company to store the cocaine.
The D.E.A. operatives posed as members of the Revolutionary Armed Forces of Colombia, or FARC, the rebel group designated a terrorist organization by the United States. They met with ranking members of the Bissau military to import thousands of kilos of cocaine into the country. The Guinea-Bissau government would then buy weapons on FARC’s behalf and ship them back on the same plane that had brought in the cocaine, the indictments say.
The key intermediary in that scheme was described in the indictments as a current “high-level official in the Guinea-Bissau military,” and identified simply as “Co-Conspirator 1.”
Last July, the D.E.A.’s operatives met with him at a “military facility in Guinea-Bissau,” where the military official “acknowledged that the weapons procurement plan would go through him and the Guinea-Bissau government.”
The military official then “agreed with the proposal to ship FARC cocaine to Guinea-Bissau for later distribution in the U.S. and to procure weapons for FARC,” and he “stated that he would discuss the plan with the president of Guinea-Bissau,” the indictments say.
A spokesman for the Guinea-Bissau president, Manuel Serifo Nhamadjo, who took power last year after the military coup, has denied any involvement in the plot. For much of last year, the United States tried to work with Mr. Nhamadjo’s government, even as the D.E.A operatives were hatching their sting in the capital.
In August, one of the indicted traffickers, Manuel Mamadi Mane, “conveyed a request for military uniforms” — which would be used to hide the cocaine shipped into Bissau — “from the prime minister of Guinea-Bissau,” the indictments say.
Several months later, one of the D.E.A. operatives was shown “Guinea-Bissau government paperwork relating to the purchase of weapons,” which would have included surface-to-air missiles to shoot down American helicopters in Colombia.
The operatives who carried out the unusual stings are identified only as “confidential sources” in the indictments; no D.E.A. agents were in Bissau, said Mr. Maltz, the special agent. “It’s a narco-state,” he said. “There’s no way we would put any of our agents in Guinea-Bissau. It’s too risky.”
Mr. Maltz said there had “absolutely not” been any cooperation from the Guinea-Bissau authorities. But the arrests, particularly of Mr. Na Tchuto, may have shaken things up in Bissau.
“The era of impunity is over,” said Mr. Gonzalez-Ducay, the European Union ambassador.”
THE NEW YORK TIMES
Amigo de Bubo à frente da secreta guineense
BISSAU, Guinea Bissau - Guinea-Bissau says a navy officer with links to a suspected drug kingpin had been named head of the West African nation's information service.
The appointment of Biom Natchongo (capitão-de-mar-e-guerra) was announced in a statement Thursday by the Council of Ministers.
Natchongo is an associate of former navy chief Jose Americo Bubo Na Tchuto, who was arrested in April and transferred to New York on charges of conspiring to import narcotics into the U.S.
Natchongo has also served as a bodyguard to former President Joao Bernardo Vieira, who was assassinated in 2009.
Long a transit point for South American cocaine bound for Europe, Guinea-Bissau has been trapped in a cycle of instability since gaining independence from Portugal in 1974, with the most recent coup occurring in April 2012.
http://www.montrealgazette.com/news/GuineaBissau+naval+officer+with+links+drug+kingpin+named/8554388/story.html#ixzz2Wrstm1de
Visitas de Ramos-Horta a Kumba e ao general Indjai
"Numa entrevista à RDP-África, Ramos-Horta, representante em Bissau do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, falou das suas constatações factuais da realidade do país em todas as vertentes da vida nacional, e traçou os percursos que teve de fazer em visitas privadas aos políticos e às chefias militares, sublinhando a sua visita às Aldeias do Dr. Kumba Yalá e do general António Indjai, para depois resumir que é um engano quando se fala em ser ricos os políticos e as chefias militares do país.
"Na questão social, referiu a profunda pobreza e uma penúria total, com uma necessidade de um apoio urgente, sob pena de a fome assolar o país. E lamentou o triste estado da educação e saúde muito, atingidos pelo isolamento de país.
"Ramos-Horta disse que o general António Indjai está disponível para uma operação de investigação internacional da questão da droga na Guiné-Bissau. Uma vontade manifestada e reforçada de que é a melhor maneira de se poder dissipar as dúvidas, para deixar de acusar a quem não se deve e de humilhar a quem não se deve".
Blog Rispito --- Assombroso, verdadeiramente assombroso. Visitas aos grandes chefes Yalá e Indjai, desmentido de que sejam ricos; e uma vontade enorme de que se deixe de "acusar a quem não se devem e humilhar a quem não se deve"...
Coitadinho do senhor general António Indjai, que tão vilipendiado tem sido, o pobre homem; mas que poderá contar agora com toda a boa vontade do senhor dr. Ramos-Horta!
19.6.13
O “May be man” – Por Mia Couto
Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.
O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Simplesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.
A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.
Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniência. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideologia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma nação muito gaseificada.
Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enquadra-se no combate contra a pobreza.
Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opinião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.
O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao português, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.
O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recente: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrupto: em nome da lei, assalta o cidadão.
Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cautela, os do chefe do chefe.
O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigente: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem nomeá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.
Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma fortuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.
O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.
Acordo com os tuaregues do Mali
Dans la capitale malienne, Bamako, les réactions étaient (presque) unanimes mardi 18 juin, après la signature à Ouagadougou d’un accord entre le pouvoir malien et rebelles touaregs occupant Kidal (nord-est du Mali).
Satisfaction, espoirs de paix, rares critiques. C'est ce qui ressort des premières réactions recueillies à Bamako après la signature mardi 18 juin à Ouagadougou d’un accord entre le pouvoir malien et rebelles touaregs occupant Kidal (nord-est du Mali).
« C'est un véritable espoir de paix. Nous allons dans le bon sens », a déclaré Boubacar Touré, un responsable de l'Alliance pour la démocratie au Mali (Adema), un des principaux partis de ce pays. « Il est important que les différentes parties respectent cet accord. Nous attendons avec émotion le jour où le drapeau malien flottera sur Kidal. Nous attendons avec émotion le jour où l'armée malienne mettra les pieds à Kidal », a-t-il ajouté.
Même son de cloche du côté de Amadou Koïta, président du Parti socialiste et membre du Front uni pour la défense de la République et de la démocratie (FDR), coalition de formations politiques opposées au coup d'État militaire du 22 mars 2012. Cet accord « signifie la libération totale du Mali, la libération de nos populations. (Il) signifie aussi que nous amorçons un important processus de paix. Nous demandons au MNLA (Mouvement national de libération de l'Azawad, rébellion touareg) de respecter cet accord », a dit M. Koïta.
Pour Mme Fatoumata Siré Diakité, responsable d'un réseau d'organisations féminines maliennes, l'accord va aussi dans le bon sens. « L'armée malienne sera bientôt à Kidal pour montrer que cette localité est une localité malienne », a-t-elle dit. « C'est très bien. On est content de ça. Il faut que le MNLA respecte son engagement écrit. (...) Si ça peut amener la paix, c'est ce qu'on souhaitait », juge de son côté Amidou Sankaré, un habitant de Bamako.
"Les rebelles doivent désarmer"
Les rares critiques émanaient mardi soir du président du Forum des organisations de la société civile du Mali (FOSCM, coalition d'ONG), Mamoutou Diabaté. « Nous sommes contre cet accord. C'est sans conditions que l'armée malienne doit aller à Kidal, et les rebelles (groupes armés touareg) doivent désarmer immédiatement et sans conditions ! », a-t-il affirmé.
Lundi, il avait été interpellé à Bamako avec 20 autres membres du FOSCM pour avoir tenté de manifester - en dépit de l'état d'urgence qui interdit les manifestations dans les rues - contre les discussions alors en cours à Ouagadougou. Tous ont été relâchés mardi sans charges retenues contre eux.
Le document de 12 pages pour 25 articles a été signé officiellement par les représentants du gouvernement malien, du MNLA et d'un autre groupe touareg, le Haut conseil pour l'unité de l'Azawad (HCUA). Il prévoit un cessez-le-feu, un déploiement progressif de l'armée malienne à Kidal en partenariat avec les forces françaises de l'opération Serval et surtout de la Minusma, et un cantonnement des combattants touaregs sur des sites de regroupement. Leur désarmement n'interviendra que dans un second temps, lors d'un processus adéquat. Les mandats d'arrêt lancés par Bamako contre des rebelles ne seront probablement pas exécutés, selon un accord non écrit, mais aucune amnistie ne couvre les crimes contre l'humanité et crimes de guerre commis, qui feront l'objet d'enquêtes internationales.
L'accord doit ainsi permettre, dans un premier temps, le déroulement de l'élection présidentielle dont le premier tour est prévu pour le 28 juillet. Mais il dresse aussi le cadre des négociations post-électorales.
(Jeune Afrique, Avec AFP)
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