10.2.14

Bissau: Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC

Nasce em Farim, Guiné-Bissau, a 20 de Outubro de 1963, ano do início da Guerra armada de libertação nacional.  Filho de pai agricultor, pequeno proprietário forçado a abandonar a propriedade devido ao início da guerra. A demora em concretizar tal exigência da administração colonial é considerada indicativa da sua relação com os “terroristas”, o que lhe irá valer 3 anos de prisão pela PIDE-DGS.  Segue para Bissau e logo depois, em 1969, para Cacheu, onde frequenta o ensino primário, sob orientação do reputado Professor Domingos Mendonça, tio e desde então seu principal mentor.  Cacheu, até então considerada uma localidade relativamente tranquila, já era palco de intensas movimentações militares e, por consequência, aportando bastantes ensinamentos sobre o momento político que se vivia.  Com o fim do ensino primário, chega a transferência para Bissau e o confronto com as intensas movimentações dos agentes da administração colonial já em preparação de retirada. Tinha soado o 25 de Abril e então, a independência unilateralmente proclamada pelo PAIGC nas zonas libertadas iria ser efetiva para o conjunto do território e para todo o povo guineense.  Nesse mesmo ano, 1974, integra um dos primeiros grupos de pioneiros que, no Liceu Nacional Honório Barreto, rebatizado de Kwame N’krumah (LNKN) e sob a monitorização de Adriano Ferreira e Hélder Proença, dava os primeiros passos na disseminação da nova ideologia e orientação políticas.  Todavia, só em 1979, através das palestras organizadas tanto quinzenalmente no LNKN como aos sábados na sede do partido, se sentirá atraído e finalmente interessado nos assuntos políticos, assumindo, então, a adesão ao partido através do núcleo da JAAC do Liceu.  Em Fevereiro de 1981 ano em que viria a terminar o Ensino Liceal, com distinção, ao pertencer à lista dos dez melhores alunos do Liceu e que integraram permanentemente o quadro de honra no curso complementar (sexto e sétimo anos) vê-se numa Manifestação Estudantil tumultuosa.  Com a conclusão do ensino Liceal, e devido à atividade que já desenvolvia no núcleo da JAAC do Liceu Kwame Nkrumah, é selecionado para professor de formação militante no Liceu, o que assume para o curso noturno, enquanto que, durante o dia, leciona matemática no então Centro de Formação Técnico Profissional (Escola Técnica) e na Escola dos Técnicos da Saúde (Enfermagem).  Em 1982 beneficia de uma Bolsa de formação para a URSS e lá, integra naturalmente a Associação dos Estudantes da Guiné Bissau, organização que acaba presidindo na sua subcomponente local da cidade de Odessa.  Em 1988, a data da graduação e outorga do diploma de Engenheiro de Construção Civil e Industrial vai coincidir com a notícia da trágica morte do irmão Bartolomeu SP, o que força o regresso imediato ao país apesar de antes haver programado continuar por mais dois anos e concluir o mestrado enquanto aguardaria pela noiva, então à mesma distância do fim do respetivo curso.  Era uma situação difícil de enfrentar para o jovem Engenheiro de 24 anos, por esse motivo, após 2 meses de permanência em Bissau, no Ministério das Obras Públicas, parte para Cacheu, para trabalhar na CUP - Cooperativa Unidade e Progresso, uma das maiores empresas de construção na época, e concluir as 4 residências geminadas a tempo do IV Centenário. ​ Lá, conhece o então Governador Samba Lamine Mané, o irmão Manuel Alaje Mané, o tio Kau Sambu, o Comandante Gazela, o Administrador Arlindo Pires e o Filipe (que vem a ser Cônsul da Guiné-Bissau em Ziguinchor) e outros que visitavam Cacheu mais esporadicamente, como o Sr. Luciano Ndau e o Ministro Provincial Mário Cabral. É em Cacheu que assume uma militância mais ativa no PAIGC e, por solicitação do tio Kau, passa a promover à noite, seminários de superação sobre a componente histórica e política dos festejos em preparação.  De volta a Bissau é nomeado Diretor Geral Adjunto da CUP e, nessa qualidade participa em 1990 no Primeiro Ciclo de Formação do PAIGC visando a abertura democrática. São os principais companheiros deste programa o Francisco Mansoa, então Diretor da Escola do Partido, o Koumba Yala Kobde Nhanca, a Francisca Vaz Turpin e o Spencer (De Mansoa).  Entretanto ganha uma bolsa de mestrado para o exterior, e até 1994 permanece nos EUA, na Universidade Estatal de Fresno, onde conclui o programa de Mestrado em Ciências Técnicas da Engenharia Civil na especialidade de estruturas.  Regressa à Guiné Bissau em Julho de 1994, e acompanha os últimos dias da campanha eleitoral para as primeiras eleições multipartidárias do país. Terminado o pleito, recebe o convite do Ministro Alberto Lima Gomes para reintegrar os quadros do Ministério das Obras Publicas. ​ Meses antes da eclosão do conflito de 1998 é ainda chamado a acumular a Direção Nacional da Viação e Transportes Terrestres, o que faz até à chegada e imposição do novo regime.  Forçado a abandonar o Ministério por pretensas incompatibilidades com o novo regime, é recrutado pela Célula de Apoio ao Ordenador Nacional do Fundo Europeu para o Desenvolvimento e, sob a direção do Sr. Filinto Barros é o encarregado do dossier Infraestruturas.  Fica por pouco mais de um ano pois logo a seguir participa e ganha um concurso do Banco Mundial transferindo-se para o Projeto de Reabilitação e Desenvolvimento do Sector Privado. Ocupa-se dos transportes e comunicações, nomeadamente da renegociação dos Contratos de concessão das telecomunicações, dos portos e do acordo aéreo com Portugal, mas também assiste o governo na estruturação da agência de regulação e no licenciamento da primeira licença de celulares no país.  A nível Partidário, retoma de forma ténue as atividades no Secretariado do PAIGC e acompanha à distância o congresso realizado na Base Aérea. Um congresso muito polémico mas de extraordinária riqueza pela profundidade das discussões ai produzidas apesar de então patente o nível da fragmentação interna.  Em 2002 participa, pela primeira vez na qualidade de Delegado eleito nas bases, no célebre Congresso da UDIB que consagra a eleição de Carlos Gomes Júnior à liderança do partido.Havia integrado a equipa de apoio a um candidato derrotado, e recusa subscrever a petição de impugnação do congresso proposto por alguns camaradas. Esta situação vai produzir desconforto em alguns companheiros, o que o leva a prescindir por requerimento oficial do lugar de membro do Comité Central para que havia sido eleito.  Vivia-se um período bastante turbulento sob o consulado do Presidente do PRS que, após 3 Primeiros-ministros e sob ameaça de impugnação parlamentar, destituiu o parlamento e anunciou a formação de um governo de unidade nacional. É então chamado a integrar o governo e na mesma manhã nomeado Ministro das Infraestruturas Sociais sem ter podido esclarecer a situação com o seu partido e com a chefia do Projeto do Banco Mundial no qual trabalhava. Apesar do aval posterior desta instância, a ligação durou somente 4 meses. Diferenças irreconciliáveis, de visão e perspetivas, com o então Chefe de Governo, levam a sua exoneração.  Compreende na altura a necessidade de reforçar a sua presença e participação nas estruturas partidárias e decide transferir a sua militância política para a Base de Farim.  É nesse contexto que integra a equipa do Secretariado Regional na preparação e acompanhamento das eleições legislativas e presidenciais de 2004.  Com a vitória do PAIGC, é chamado de volta ao governo e assume as funções de Ministro das Obras Públicas. O país ganha dinâmica e a normalização de relações de parceria e cooperação com as instituições internacionais permite relançar vários programas, dentre os quais o da construção da Ponte de São Vicente, as vias urbanas de Bissau, a manutenção da rede prioritária, para além da conclusão das obras do palácio do povo.  Foi um período auspicioso na governação e consequentemente no país. Respirava-se confiança e os indicadores apontavam para a recuperação económica através do crescimento e a estabilização democrática. Mas, afinal essas reformas e todos os indicadores positivos inerentes vêm-se desmoronar com a repentina destituição do governo no rescaldo das eleições presidenciais.  Aceita o desafio, à partida tida como impossível, de organizar a VI Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP. Todos os elementos objectivos pareciam jogar contra, mas a população se mobilizou, os jovens responderam ao chamamento, os ânimos foram apaziguados e os muitos antagonismos serenados − foi possível mobilizar a sociedade para aquela que foi considerada uma grande vitória para todo o povo guineense.  Concluída essa missão, aceita então o convite dos Bispos da igreja Católica, por sugestão do ex-Presidente Henrique Rosa e vai dirigir a Caritas da Guiné-Bissau na qualidade de Secretário-Geral.  Foram dois anos de muita aprendizagem da componente social do país, do sofrimento das pessoas e do enorme esforço que muita gente, dentre religiosos e leigos, desenvolvem a favor dos carenciados mas geralmente de forma inglória por falta do acompanhamento das estruturas oficias competentes.  V Congresso Extraordinário do PAIGC, em Morés, um Congresso não eletivo que a pretexto de revisão dos Estatutos para a “Reafirmação e Estabilidade do PAIGC” serviu no essencial para cumprir calendário e preparar o Congresso ordinário. Era perceptível as movimentações na ala “governante” do partido, mas tudo de forma muito sigilosa. Ocorreram entretanto duas situações: DSP é indigitado pelo Presidente da República ao cargo de Secretario Executivo da CPLP e; Carlos Gomes Júnior anuncia andidatura à sua recondução enquanto presidente do partido.  No Congresso de Gabu é eleito membro da Comissão Permanente do Bureau Político do PAIGC e, mesmo compreendendo a importância dos desafios futuros, mantém a determinação de cumprir a missão conferida meses antes pelo presidente da Republica – Secretário Executivo da CPLP.  Sai em Setembro de 2008 e se dedica ao cumprimento da missão de Secretariado da CPLP tentando emprestar ao país uma visibilidade mais positiva, mas mantém assídua presença, partilhando suas ideias quanto ao formato e os mecanismos de estabilização do país e de promoção do desenvolvimento.  Durante os quatro anos de mandato, apostou na afirmação da organização no plano internacional e junto da sociedade civil; desenvolveu ações concretas de parceria e cooperação nos mais variados domínios; não descuidou da importância do português e da cultura que une e diversifica a identidade dos povos da CPLP; contribuiu para um maior envolvimento da CPLP no esforço de democratização dos Estados membros e assumiu sem reservas a tendência natural de alargamento; e terá proferido mais de uma centena de conferências, sobretudo em universidades, mas também junto de fundações, associações e demais entidades.  Paralelamente, DSP reconheceu a importância de se dotar ainda melhor tecnicamente, e por isso a inscrição no programa de Doutoramento em Ciências Politicas e Relações Internacionais na Universidade Católica Portuguesa para o qual já concluiu a frequência académica e agora começa a formulação da tese.  Candidata-se à Presidência do PAIGC ​ É este em resumo o percurso técnico e político de Domingos Simões Pereira. É este manancial de feitos e factos que o convencem de ser parte das soluções que se oferecem ao PAIGC, o partido que o formou politicamente e que o ofereceu as primeiras oportunidades de formação técnica. Um partido cujos principais veteranos conhece particularmente bem por os ter servido no passado, mas com cuja juventude se identifica profundamente o que lhe confere competência e sensibilidade para assegurar uma transição geracional tranquila, de dignidade e respeito para uns e de oportunidade e realização para outros. DSP também se considera devidamente inserido no circuito internacional para levar e saber transmitir uma mensagem credível e mobilizadora, capaz de convencer os parceiros a dar uma chance ao país e aos guineenses.  É premiado Personalidade Lusófona do Ano, pelo pelo Movimento Internacional Lusófono.

9.2.14

Bissau: Potencial petrolífero guineense confirmado por australianos

Significant hydrocarbon resource potential assessed in FAR’s Guinea-Bissau offshore blocks  FAR (uma empresa australiana, de Melbourne) has undertaken a detailed geotechnical evaluation for its 3 offshore blocks in Guinea-Bissau and completed an assessment of hydrocarbon resources.  Contingent Resources for East Sinapa oil discovery confirmed of 13.4 million barrels (unrisked 2C, 100% basis) and 2.0 million net to FAR.  Total Prospective Resources for the 3 blocks assessed at 954* million barrels of oil (unrisked Best Estimate, 100% basis) and 143* million net to FAR.  The large West Sinapa prospect is scheduled to be drilled in late 2014.  Shallow water depths and strong evidence of functioning hydrocarbon system (with 2 existing discoveries) provide for a low cost environment with moderate exploration risk. FAR has completed detailed geotechnical studies and assessed significant hydrocarbon resource potential in its Guinea Bissau 3 blocks offshore, Sinapa Block 2 and Esperanca Blocks 4A/5A in West Africa. (FAR: 21.43% paying interest, 15% participating interest). FAR’s hydrocarbon resources assessment is unaudited. The existing East Sinapa oil discovery is estimated to contain Contingent Resources of 13.4 million barrels of oil (unrisked, 2C, 100% basis), with 2.0* net to FAR. East Sinapa is also estimated to contain Prospective Resources of 7.5 million barrels of oil (unrisked, Best Estimate, 100% basis) with 1.1* million net to FAR. The Sinapa-2 discovery well drilled by Premier in 2004 encountered 124 metres of gross oil column with further oil encountered updip by a side track well. The West Sinapa prospect which is expected to be drilled by the joint venture in late 2014 is estimated to contain Prospective Resources of 64.7* million barrels of oil (unrisked, Best Estimate, 100% basis) with 9.7* million net to FAR. The prospect is assessed to have significant upside with 251.7 million barrels of oil (unrisked, High Estimate, 100% basis) and 37.8 million barrels net to FAR. A further 14 prospects and leads have been identified in the permits. The total combined Prospective Resources for the 3 blocks are estimated to contain 954* million barrels of oil (unrisked, Best Estimates, 100% basis) with 143* million net to FAR. An immediate follow up well is planned in 2014 in the event of success on the West Sinapa well. “FAR’s hydrocarbon resource assessment confirms the billion barrel oil potential of FAR’s offshore Guinea Bissau permits. The two existing discoveries in the permits provide clear evidence of a functioning hydrocarbon system thus the chance of exploration success in our first well in the permits, planned for late 2014, is relatively high.

Bissau: As eleições já não devem ser em Março

Bissau – (Angop, 5 de Fevereiro de 2014) - As eleições legislativas e presidenciais na Guiné-Bissau, marcadas para 16 de Março, podem ser adiadas duas semanas “no máximo”, admitiu o representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas no país, José Ramos-Horta. Se devido a “prazos legais e ajustamentos técnicos necessários” a data tiver que ser adiada “duas semanas, no máximo, creio que ninguém vai levantar problemas. Eu subscreveria”, referiu em declarações aos jornalistas. “Não há problema com isso”, insistiuu, desde que “se explique bem ao povo o adiamento, se tiver que haver” e considerando que há “vontade política” dos membros do governo de transição, cujo papel não tem sido reconhecido. Segundo José Ramos-Horta, a decisão sobre se a data precisa de ser alterada, ou não, deverá ser tomada pelo Presidente de transição, Serifo Nhamadjo. O representante das Nações Unidas refere que Nhamadjo está atualmente “em consultas” com os parceiros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e deverá ainda ouvir as entidades nacionais antes de tomar uma decisão. “O crucial para nós, na comunidade internacional, é que verificamos haver vontade política”, concluiu Ramos-Horta.

Guiné Equatorial: A ditadura de Obiang

Ana Dias Cordeiro | 02/2014 - 16:23 Numa investigação publicada em 2013, académica espanhola denuncia o "despotismo predador da família Nguema", acusada de lucrar com os ganhos do petróleo em detrimento da população. Empresa estatal deste país está prestes a entrar no capital do Banif. A petrolífera estatal da Guiné Equatorial GEPetrol é, segundo o Diário Económico, uma das duas empresas através das quais a ex-colónia espanhola – que quer juntar-se à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – deverá entrar no aumento de capital do Banif. A outra é a empresa nacional de gás, que o jornal refere como Enagás, mas que poderá ser a Sonagás. Pouco se fica a saber sobre a GEPetrol, na sua página na Internet, onde não constam documentos ou relatórios e contas (dando nota dos seus investimentos e participações, por exemplo), mas onde a empresa se apresenta, desde a sua criação, em 2001, como um “elemento-chave para o desenvolvimento do país”. A gestão que faz dos recursos petrolíferos do país tem como objectivo o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), estabelecidos pela ONU, lê-se no site, sendo a prioridade a erradicação total da pobreza no país. A Guiné Equatorial é um dos países menos desenvolvidos do mundo, onde a esperança de vida é de 51 anos, as escolas e os hospitais, além de serem muito poucos, são pobres, e onde a Internet – uma janela para o mundo, de dentro de um país sem informação livre – só chega a quem tem luz e, mesmo aqui, os cortes são constantes. E assim permanece, mesmo depois das primeiras descobertas de petróleo, em meados dos anos 1990. O país é rico – mas apenas no indicador que mede o Produto Interno Bruto per capita. E é também por causa da riqueza e crescimento, graças ao petróleo, que apresenta a mais alta discrepância entre rendimento e desenvolvimento. Em 2011, estava no 45.º lugar no ranking de PIB per capita, mas apenas em 136.º no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano numa lista de 187 países da ONU. Vazio de informação É um país, em grande parte, sem as estatísticas que são conhecidas em muitos outros. Na Guiné Equatorial, não é possível saber a taxa de mortalidade infantil ou o número de óbitos nos hospitais. Esse vazio de informação permite ocultar o que a académica espanhola Alicia Campos-Serrano, da Universidade Autónoma de Madrid, considera ser a diferença entre os que vivem com “a escassez e a degradação dos serviços públicos” e aqueles que “beneficiam dos lucros gerados pelo petróleo”, num artigo integrado em 2013 nas publicações dos Cambridge Journals. “Muitos dos benefícios da indústria extractiva estão a ser acumulados longe do país, não só pelas companhias estrangeiras, mas também por pessoas que ocupam cargos do Governo”, denuncia, embora reconhecendo que, nos últimos anos, alguns ganhos tenham começado a ser investidos no país. E acrescenta: “O Presidente Obiang Nguema e os seus familiares constituem os principais intermediários entre os grupos económicos estrangeiros e o território do Estado.” E expõe uma situação em que parte dos ganhos – dos pagamentos devidos às empresas estatais de gás e de petróleo (GEPetrol) nos contratos assinados – acaba por ser depositada “em contas bancárias no estrangeiro em nome de altos responsáveis [do Governo] com a necessária cooperação das empresas”. Alicia Campos-Serrano apoia-se na investigação ao Riggs Bank nos Estados Unidos, conduzida pelo Senado norte-americano, que, em 2004, revelou que a família de Obiang tinha recebido, a título pessoal, pagamentos de companhias petrolíferas norte-americanas como a Exxon Mobil ou a Amerada Hess. Mas não só. Além desta realidade, acrescenta a investigadora, que fala em “despotismo predador da família Nguema”, a acumulação de riqueza “por parte da elite política toma forma também através do controlo de empresas nacionais, como a GEPetrol ou a Sonagas”. A pouca informação existente é, porém, suficiente para perceber que o boom do petróleo teve impacto nos indicadores macroeconómicos, mas não nas condições de vida da população, acrescentava em 2013 esta professora e autora de vários estudos sobre petróleo em África em países como a Guiné Equatorial. E dizia que, depois da descoberta de petróleo, o clã Nguema formou uma rede de importantes parceiros – desde empresas a governos estrangeiros – que contribuíram para manter “a lógica de domínio político” assente na repressão. Acusações de corrupção Neste país, com uma parte continental (entre os Camarões e o Gabão) e duas ilhas, Bioko e Annabon, as pessoas vivem com medo de falar, ou de se manifestar, dizem opositores e críticos que acabam por escolher o caminho do exílio. As prisões e a tortura de opositores do regime são frequentes, tal como é regular a realização de eleições. Mas estas apenas servem para perpetuar o poder de Obiang, com vitórias acima dos 98% com o seu Partido Democrático da Guiné Equatorial. Este controla 99 dos 100 lugares no Parlamento. Obiang Nguema é o chefe de Estado africano há mais tempo no poder, onde chegou em Setembro de 1979, um mês antes de José Eduardo dos Santos, em Angola. Sucedeu ao seu tio Francisco Macías Nguema, num golpe de Estado violento, condenando-o depois à morte. Teodoro Obiang Nguema pôs assim fim a um dos mais violentos regimes de África, para iniciar outro, não tão violento, mas repressivo, muito rico em petróleo desde as primeiras descobertas na década de 1990 e sem perspectivas de mudanças – nem no plano da política nem no da transparência. O escolhido de Obiang para vice-presidente, e tido como provável sucessor, é o seu filho Obiang Mangue, sobre quem pende um mandado de captura em França, no quadro de uma investigação a corrupção em vários países africanos. Mas as suspeitas e acusações contra Obiang Mangue também têm seguido o seu curso nos Estados Unidos, onde o Departamento de Justiça norte-americano iniciou um processo para congelar 700 milhões de dólares (cerca de 550 milhões de euros) que lhe pertencem. O processo foi interposto em 2011 pelo próprio Governo dos EUA, que acredita que o dinheiro, detido em contas pessoais, provém dos cofres do Estado e de actos “de corrupção e lavagem de dinheiro”, como mostra a página do Departamento da Justiça norte-americano. Às acusações de denúncias de prisões e execuções sumárias, de tortura, silenciamento e censura, juntam-se as de corrupção. Nem umas nem outras travam o interesse de vários países – como Portugal –, em franca aproximação ao país de 650 mil habitantes, com negócios a florescer em diversos sectores. A Guiné Equatorial tornou-se independente de Espanha em 1968 e manteve o castelhano como uma das línguas oficiais, ao qual mais tarde juntou o francês, para aderir à Organização da Francofonia, e ao português, com o objectivo de aderir como membro de pleno direito da CPLP, o que poderá acontecer na cimeira da organização, prevista para Julho, em Díli. No PÚBLICO online.

Bissau: 759.911 eleitores

Bissau, 07 Fev. 14 (ANG) - O processo de Recenseamento Eleitoral que vinha a decorrer no país desde 1 de Dezembro do ano findo, para a realização das próximas Eleições gerais de 16 de Março, vai ter o seu fim no dia oito de corrente Mês (Sábado) as 21h, anunciou hoje o Ministro da Administração do Território e Poder Local (MATPL), em sintonia com a Comissão Sectorial de Recenseamento. Segundo o governante, na diáspora, o registo dos eleitorais vão prolongar por mais 48 horas, ou seja até ao dia 10 de Fevereiro. O Ministério da Administração do Território e poder Local, convida a todos os cidadãos com idade de votar que ainda não o fizeram, o favor de se inscreverem durante o espaço de tempo que resta. Na ocasião Baptista tè declarou que foram recenseados até ao momento um total de 759.911 eleitores. ---- * A má escrita deste texto é bem o espelho da forma como alguns jornalistas guineenses não dominam ainda o português. "o governante, na diáspora,". E outros casos de má colocação de vírgulas. Pontuação imprópria de uma agência noticiosa nacional.

8.2.14

Marrocos: Um reino armado

L’information reste à confirmer, mais selon La Tribune, le Maroc aurait acheté deux satellites d’observation de type pléiades à la France. Info ou intox ? A l’instar de l’Algérie, le Maroc poursuit sa course à l’armement. Après le F16 américain et la récente information selon laquelle le Maroc aurait acheté trois drones type Heron TP à Israël, l’on apprend que le royaume aurait signé en 2013, avec Airbus Space Systems et Thales Alenia Space, un contrat portant sur la vente de deux satellites d’observation de type Pléiades. Le contrat serait classé confidentiel, et aucune des deux parties ne souhaitent confirmer la vente qui s’élèverait à plus de 500 millions d’euros. Nous avons tenté de joindre le groupe Airbus Space Systems afin d’obtenir davantage d’informations. Notre interlocuteur affirme « ne pas être au courant d’un tel contrat », avant de conclure : « Nous n’avons pas d’autres commentaires à formuler ». Côté marocains, il est de notoriété publique que le département de la Défense n’a pas pour habitude de dévoiler de telles informations à la presse.Alors, info ou intox ? Le Maroc se classe parmi les principaux clients des industriels de l’armement français, précisément à la troisième place, affirme encore La Tribune, derrière l’Arabie Saoudite et Singapour. Parmi les contrats signés en 2013, MBDA Missiles systems a obtenu du Maroc une série de commandes pour armer les frégates multimissions Fremm vendues par DCNS (France) et Sigma de la société hollandaise Damen. Ces commandes concernent des missiles Exocet MM40 block 3 (antinavire), VL Mica (sol-air) et Aster 15 (anti-aérien). L’Algérie, elle, s’équipe habituellement de matériels militaires russes. Mais dans le domaine des drones, la Russie accuse un retard technologique. L’armée algérienne envisage donc d’acheter des drones fabriqués aux Émirats arabes unis. Il s’agit d’appareils conçus par la société ADCOM Systems : drone de type MALE (Medium Altitude Long Endurance), nommé Yabhon United 40 version Block 5. ----- Afrik.com

As fragilidades da União Africana

Frustrated by delays in setting up an African standby force, Pretoria and its allies are pushing ahead with a smaller, rapid reaction force. The cannons roared and the guns blazed as diplomats and politicians arrived for the African Union summit in Addis Abba on 24-31 January. The raging conflict and wanton killing in Central African Republic and South Sudan could not have provided a worse backdrop for the summiteers or clearer proof of their organisation’s inability to pre-empt conflict or intervene effectively when the fighting starts. As the records of the United Nations and European Union show, the AU is far from alone in such failures. It also points to the magnitude of the AU’s ambitions: to build a standby military force for the region to be sent into action by an authoritative continental security council and to commission teams of independent experts to raise governance standards through peer review. Last year’s 50th anniversary of the pan-African organisation, the AU and its precursor, the Organisation of African Unity, was distinctly self-congratulatory. This sentiment was not widely shared outside AU headquarters and presidential palaces. Nevertheless, several quiet dissidents within the system are trying to nudge the AU towards effectiveness and independence from foreign aid givers. For such reformers, it was a summit of half-measures and compromise. The formal agenda – the launch of the Year of Agriculture and Food Security – was quickly passed over in favour of the tougher negotiations about an African army and the money to finance it. Africa Confidential