30.4.14

Um povo imbecilizado e resignado

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e
macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de
carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos
de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião,
um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que
nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando
nem donde vem, nem onde está, nem para onde
vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é
bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência
como que um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até
à medula, não discriminando já o bem do mal, sem
palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens
que, honrados na vida íntima, descambam na
vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes
de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que
na política portuguesa sucedam, entre a indiferença
geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis
no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do
executivo; este criado de quarto do moderador; e
este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação
unânime do país.
A justiça ao arbítrio da política, torcendo-lhe a
vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem
convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo
utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras,
idênticos nos actos, iguais um ao outro como
duas metades do mesmo zero, e não se malgando e
fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu
no parlamento, de não caberem todos duma vez na
mesma sala de jantar.
* Este texto é de 1896, portanto, já lá vão 118 anos.  Guerra Junqueiro, Pátria

29.4.14

José Eduardo está de visita à França

Le président angolais José Eduardo Dos Santos débute mardi une visite officielle de deux jours en France. Objectif : relancer les relations entre Luanda et Paris après des années de tension dues au scandale de vente d'armes Angolagate.
José Eduardo Dos Santos, qui ne se déplace que très rarement à l'étranger - l'un de ses derniers voyages officiels en Europe (Portugal et Allemagne) remonte à 2009 -, débute mardi 29 avril une visite officielle de deux jours en France.
Le président angolais doit rencontrer à la mi-journée le président français François Hollande, pour sceller ce que le quotidien gouvernemental Jornal de Angola a qualifié de "nouvelle étape des relations avec la France". Les rapports entre Paris et Luanda ont en effet été empoisonnés durant toute la décennie 2000 par l'Angolagate, une affaire de vente d'armes illégale intervenue durant la guerre civile (1975-2002), avec des ramifications politiques en France.
La justice française a mis un point final en 2011 à ce scandale. Outre l'impact sur les relations diplomatiques, cette affaire a coûté d'importants contrats en Angola à des entreprises comme Air France ou Total, premier opérateur pétrolier dans le pays.
La France, troisième investisseur étranger en Angola
Les deux pays ont commencé à renouer avec une visite en 2008 à Luanda du président français Nicolas Sarkozy, qui avait estimé que "l'heure était venue de tourner la page des malentendus du passé". En octobre dernier, le chef de la diplomatie française, Laurent Fabius, accompagné de représentants d'une quinzaine d'entreprises, s'était également rendu dans la capitale angolaise et avait insisté sur le souhait de Paris de passer à une nouvelle étape.
Laurent Fabius a d'ailleurs convié mardi en fin de journée le président angolais et des chefs d'entreprises françaises pour un forum d'affaires au Quai d'Orsay. La France est le troisième investisseur étranger en Angola et les échanges commerciaux entre les deux pays ont représenté 680 millions d'euros en 2012.
Aucune grande annonce économique n'est attendue, mais la signature d'accords de coopération entre des entreprises françaises et des ministères angolais pourrait, selon la presse angolaise, être annoncée. Elle évoque notamment un accord de formation entre le ministère du Pétrole angolais et Technip, groupe d'ingénierie français qui vient de remporter un gros contrat auprès du géant pétrolier Total en Angola. Présent dans le pays depuis 1953, Total est le premier opérateur en Angola, avec 30% de la production pétrolière du pays. Avec environ 1,8 million de barils par jour, l'Angola est le deuxième producteur de pétrole en Afrique derrière le Nigeria.
Luanda veut s'affirmer comme acteur régional
Lors de leur rencontre mardi, François Hollande et Jose Eduardo Dos Santos devaient également aborder les crises régionales, comme la Centrafrique ou la République démocratique du Congo. Luanda, qui n'envoie pas de troupes à l'étranger, a annoncé début mars une aide de 10 millions de dollars pour la Centrafrique, plongée depuis un an dans le chaos et où Paris intervient militairement au côté d'une force africaine.
L'Angola occupe par ailleurs depuis le début de l'année la présidence de la Conférence internationale des Grands Lacs, organisation qui rassemble les pays de la région. "Le président Dos Santos recherche une reconnaissance internationale de ses efforts", selon Alex Vines, un expert du centre de réflexion britannique Chatham House. "Au cours des derniers 18 mois, la présidence angolaise est devenue plus ambitieuse internationalement, ce qui peut signifier que le président Dos Santos cherche à léguer un héritage après 34 ans au pouvoir", estime ce spécialiste de l'Angola.
(Avec AFP)
 


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28.4.14

A vulnerável União Europeia

Despite more than fifty years of European

 

integration, today’s European Union is still a

 

vulnerable and unfinished construction, which has

 

drifted out of touch with the concerns of its citizens

and, even, is increasingly seen as a direct source

of those concerns - the number one being mass

unemployment.

The EU’s political fragility has been made worse by


 

the damage the on-going crisis has inflicted and

continues to inflict on its citizens, on its economies


 

and welfare systems, and increasingly, on the

quality of its democracies. The lack of both political

will and broad public support for further political

integration and in favour of cross-country solidarity,

together with the ill-conceived economic policy

strategies pursued since the outset of the crisis,

have raised the possibility of a collapse not only of

the Eurozone, but of the entire European Union.


 

These difficulties are associated with the

 

dysfunctional nature of today’s global market

system, which produces both great wealth and vast

inequality. The EU will not regain strong support

unless it embraces, and is seen to embrace, a new

and more equal system.

Europe needs to stand for sustainable growth,

quality jobs, fairly shared prosperity and an equal

opportunity for all children, regardless of nationality,

inspired by a new egalitarian ideal. Today, it stands

for none of these.

We address this call for change to those who

will bear political responsibility across all of the

EU’s institutions after the forthcoming European

elections, and more widely to all of those who can

help to promote such change.


 

A Call For Change




3

Omens sem H

Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo menos, já se escreve "umidade". Para facilitar? Não parece. A Bahia, felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim. Isto de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, satisfeito, a "limpar" acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. "É positivo para as crianças", diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico. É verdade, as crianças, como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em
países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever
summer, bibliographie, tappezzería, damnificar, mitteleuropäischen? Já
viram o que é ter de escrever Abschnitt für sonnenschirme nas praias
em vez de "zona de chapéus de sol"? Por isso é que nesses países
com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou
nas Arábias, valha-nos Deus) as crianças sofrem tanto para escrever
nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá
agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências
pró-Acordo, "a oralidade precede a escrita". Se é assim, tirem o H a
homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam
Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de
loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos. Mas há mais: sabem
que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as
palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo.
Por isso os "acordistas" advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de
cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias
cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para
eles, de ser lugar remoto para ser o cu do próprio Judas, com caixa
alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é
garantido.
Por Nuno Pacheco
Jornalista

Bissau: Os golpistas foram promovidos a generais

Bissau – O Presidente de transição, Manuel Serifo Nhamadjo, promoveu no dia 4 de Setembro de 2013, a diferentes postos de generais e brigadeiros generais, 20 oficiais militares.
Entre as pessoas promovidas consta o actual Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, António Indjai, e o vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, Mamadu Turé.
Da lista figuram elementos dos três ramos das Forças Armadas Guineenses: Marinha, Exército e Força Aérea.
Os recém-promovidos são, na sua totalidade, membros do Comando Militar de responsáveis pelo golpe de Estado de 12 de Abril de 2012, no qual se destacam o seu porta-voz, Daba Na Walna, o Comandante de Batalha de pára-comandos, Júlio Nhate Sulte, e o Comandante das Operações do Estado Maior General das Forças Armadas, Caramo Cassamá.
Biong Na Tchongo, actual director-geral do Serviço de Informação do Estado, foi igualmente promovido nesta cerimónia.
No acto de promoção, Serifo Nhamadjo afirmou que não faz sentido alguém que recebeu esta patente não a exibir por questões de capricho, sustentando que não se trata de uma promoção para o aumento de custos ou para agradar pessoas, mas sim em conformidade com as leis que são aprovadas desde 2000.
«Não há nenhuma pretensão de agradar às Forçar Armadas, promover por promover, simplesmente seguir com as leis aprovadas de alguns anos até esta data.»
Na cerimónia estiveram presentes o Presidente da Assembleia Nacional Popular, Ibraima Sory Djaló, e o representante do Supremo Tribunal de Justiça.
A nível internacional, marcou presença Ovídio Pequeno, Representante Especial da União Africana na Guiné-Bissau.
(c) PNN Portuguese News Network

Egipto: Mais 683 condenações à morte

Le tribunal de Minya a condamné à mort, lundi, 683 partisans du président islamiste déchu Mohamed Morsi – dont Mohamed Badie, le guide suprême des Frères musulmans. Fin mars, ce même tribunal avait condamné à mort 529 autres islamistes. Lundi, cette peine a été commuée en prison à vie pour 492 de ces 529 personnes.
Jugés pour des violences survenues le 14 août dernier, les 683 accusés de ce deuxième procès expéditif se voient donc condamnés à mort dans un climat extrêmement délétère en Égypte, où une large majorité de la population, à l'unisson des médias quasi-unanimes, applaudit la répression des islamistes. Depuis la destitution de Mohamed Morsi par l'armée le 3 juillet, cette répression a fait plus de 1 400 morts et 15 000 arrestations.
Une cinquantaine seulement des 683 accusés sont en détention - les autres ont été libérés sous caution ou sont en fuite. Parmi eux figure Mohammed Badie, guide suprême des Frères musulmans, la confrérie vieille de 85 ans qui avait remporté toutes les élections depuis la chute du président Hosni Moubarak début 2011, avant d'être déclarée "terroriste" en décembre.
Les partisans de Mohamed Morsi sont jugés pour les violences survenues le le 14 août, journée la plus sanglante de l'histoire récente de l'Égypte. À cette date, policiers et soldats dispersaient deux rassemblements pro-Morsi au Caire, faisant 700 morts et embrasant un pays déjà secoué par des violences quotidiennes depuis la destitution le 3 juillet de son seul président jamais élu démocratiquement.
Procès bâclés, condamnés par la communauté internationale
Le 24 mars, le même juge avait déjà condamné à mort 529 islamistes après une seule audience, un verdict sans précédent dans l'histoire récente selon l'ONU et dénoncé unanimement par la communauté internationale.
Conformément à la loi égyptienne, la peine de mort devait encore être validée par le mufti, représentant de l'islam auprès de l’État.
Avant la décision de commuer 492 de ces peines en prison à vie, les experts judiciaires étaient unanimes : le tribunal n'avait respecté ni la procédure, ni les droits les plus élémentaires de la défense.
Selon Khaled ElKomy, coordinateur de l'équipe d'avocats qui défend les 529 condamnés à mort, 60% d'entre eux "ont des preuves démontrant qu'ils n'étaient pas présents lors de l'attaque du commissariat de Matay" pour laquelle ils ont écopé de la peine capitale.
Cité par le site de pétition Avaaz, il assure que "plus de 60 enseignants peuvent prouver qu'ils assuraient leurs cours au moment des violences, quatre médecins étaient à l'hôpital et d'autres peuvent prouver qu'ils étaient présents sur leur lieu de travail".
"Ceci n'est pas (un acte de) la justice, c'est une attaque haineuse des autorités contre des centaines de leurs citoyens dont les familles vivent le coeur brisé dans la terreur", a estimé le président d'Avaaz, Ricken Patel.
Le gouvernement intérimaire dirigé de facto par l'armée a toutefois défendu l'indépendance de la justice et affirmé que ces lourdes peines avaient été prononcées après "un examen attentif" du dossier. Un point sur lequel le procureur Abdel Rahim Abdel Malek a également insisté. "Nous avons des preuves solides contre tous les condamnés à mort", a-t-il assuré, "des vidéos, des témoignages, des documents prouvant que les Frères musulmans avaient appelé à attaquer des commissariats (...) en cas de dispersion des sit-in (...) et c'est ce qui est arrivé".
Depuis décembre, au moins 1.000 islamistes ont été condamnés à l'issue de procès de masse généralement expéditifs à des peines allant de six mois à la perpétuité, et, outre les 529 de Minya, deux au moins ont écopé de la peine de mort.
(Avec AFP)
     
 
 



José Eduardo visita oficialmente a França

Le chef de l'État angolais, José Eduardo dos Santos, est attendu à Paris mardi. Une visite importante pour la France, qui veut rééquilibrer sa relation avec l'Afrique au profit des pays non francophones du continent.
Après plusieurs mois de discussions, la date de la visite officielle du président José Eduardo dos Santos à Paris a enfin été fixée : ce sera le 29 avril.
L'invitation avait été remise par Laurent Fabius, ministre français des Affaires étrangères et du Développement international, le 31 octobre à Luanda (foto). Dans un premier temps, la visite avait été envisagée pour le premier trimestre de cette année, avant d'être reportée.
À Paris, où l'on veut y voir la marque d'un "rééquilibrage" des relations au profit de l'Afrique non-francophone, on note que le président angolais n'entreprend plus que très rarement ce type de déplacement.
Diplomatie économique
À Paris, il devrait être beaucoup question de diplomatie économique, alors que le groupe d'ingénierie français Technip et son partenaire néerlandais Heerema viennent d'annoncer la signature en Angola d'un contrat de 3,5 milliards de dollars. Mais aussi de la Centrafrique, à qui l'Angola a accordé une aide budgétaire pour l'octroi de laquelle les autorités françaises ont contribué.