10.6.14

Nigéria: Boko Haram continua a raptar

Suspected Boko Haram militants have abducted at least 20 women close to where 200 schoolgirls were kidnapped in northern Nigeria, eyewitnesses say.
The women were loaded onto vans at gunpoint and driven away to an unknown location in Borno state, they add.
The army has not commented on the incident, which occurred on the nomadic Garkin Fulani settlement on Thursday.
The Nigerian military has faced mounting criticism for failing to stop militant attacks in the north-east.
Despite a state of emergency in place in the region, residents say the army is largely inactive or even absent, allowing the Boko Haram militants to continue their attacks.
The group has waged an increasingly bloody insurgency since 2009 in an attempt to create an Islamic state in Nigeria - and thousands of people have died in their attacks and the subsequent security crackdown.
'Too late'
 
Tackling Boko Haram is one of President Jonathan's key challenges
The latest incident occurred close to where more than 200 schoolgirls were snatched from the remote Chibok village near the Cameroonian border on 14 April.
A member of a local vigilante group set up to resist such attacks said that in addition to the women, the militants also seized three men who had tried to stop the abduction.
"We tried to go after them when the news got to us about three hours later, but the vehicles we have could not go far, and the report came to us a little bit late," Alhaji Tar said.
Map of Nigeria
The government has been facing growing pressure both at home and abroad to do more to tackle Boko Haram since the abduction of the schoolgirls.
On Monday, the military announced it had killed 50 insurgents in anti-terrorism operations in recent days and prevented further Islamist raids on villages in Borno and neighbouring Adamawa state.
It follows a wave of militant attacks on villages in recent days, with as many as 200 people feared killed in one attack alone in the remote Gwoza area of Borno state.
A new report by the Internal Displacement Monitoring Centre and the Norwegian Refugee Council says 3,300 people have been killed by Boko Haram this year alone.
The UK government is due to host a ministerial meeting about northern Nigeria's security in London on 12 June, following on from last month's summit in Paris about tackling Boko Haram.  BBC

Egipto terá legislativas em Setembro ou Outubro

El Sisi is concentrating on building a political power base and leaving trusted technocrats to tackle the tough economic challenges ahead

With the formalities of yesterday's presidential inauguration behind him, Field Marshal Abdel Fatah Khalil el Sisi's key new challenge is to ensure that he wins a solid majority in general elections due in September or October. He also has to set the economy on a course towards higher growth and fiscal sustainability. The new constitution, passed in January's referendum, dictates the need for a secure parliamentary base. The President must obtain parliamentary approval for his or her choice of Prime Minister, failing which the largest party in Parliament nominates the head of government. The constitution has also enshrined the separation of powers between executive and legislature, although it states that neither the Prime Minister nor members of the cabinet may be serving members of parliament.
Africa Confidential

Bissau: Ramos-Horta ao serviço do futebol

O Estádio Nacional 24 de Setembro é palco da retransmissão direta gratuita do Mundial de Futebol do Brasil a partir de quarta-feira, iniciativa do Representante Especial do Secretário-Geral da ONU na Guiné-Bissau, com organização estatal.

Esta iniciativa, sem precedente no país, foi anunciada esta segunda-feira em conferência de imprensa às 15:00 por José Ramos-Horta, acompanhado pelo Primeiro-ministro de transição, Rui Duarte Barros, e pelo Coordenador Nacional de Segurança, Comissário-geral da Polícia de Ordem Pública, Armando Nhaga, no Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS).
Tem o apoio do Grupo Interparlamentar do Parlamento Britânico para a Guiné-Bissau, através do coordenador Peter Thompson, que trouxe ao país três dezenas de futebolistas, enquanto embaixadores do desporto, enviados pela Irlanda do Norte para promoção da paz e coesão social em 2013.
Como patrocinadores, participaram também na conferência de imprensa Fred Mokoena, diretor-geral da operadora de telecomunicações MTN-Bissau e Spacetel-Guiné-Bissau, Phil Mason, diretor de operações da GBMinerals.
A retransmissão direta gratuita do Mundial de Futebol do Brasil para todos os Irmãos Guineenses que se desloquem ao Estádio Nacional 24 de Setembro – 15.000 em permanência diária – decorre entre a cerimónia de abertura, às 16:00 de quarta-feira, e o encerramento, a 13 de Julho, após a final, às 20:00, compreendendo 64 jogos, num total de 202 horas.
Estão previstas as retransmissões no período da tarde, com luz solar, bem como em situação de intempérie, sempre com início meia hora antes de cada jogo e termo meia hora depois do apito final.
Os 16 avos de final vão de 12 a 26 de junho, os oitavos de final de 28 de junho a 05 de julho, as meias-finais são a 08 de julho e a final a 13 de julho, seguida da opoteose do encerramento.

A segurança, dentro e fora do Estádio Nacional 24 de Setembro, está a cargo de uma centena de efetivos da Polícia de Ordem Pública, que seguem o Plano de Contingência da FIFA, que também contempla primeiros socorros a serem prestados no local em caso de acidentes e evacuação em emergência.
Paralelamente, a retransmissão do Mundial de Futebol do Brasil é feita em mais 12 localidades do país: três em Bissau, e uma Mansoa, Quinhamel, Cacheu, Bafatá, Bambadinca, São Domingos, Gabú, Catió e Bubaque – com a mobilização dos escritórios regionais do UNIOGBIS – galvanizando adicionalmente mais 3.000 espectadores diários, o que eleva para 20.000 a média da adesão popular diária a esta iniciativa do prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta.
UNIOGBIS/PIU

9.6.14

Eritreia: Uma gigantesca prisão

Four Eritrean Catholic bishops have published a letter criticising life in the country - a rare move in one of the world's most tightly controlled states.

Although they were careful not to condemn the government directly, correspondents say the letter-writers are taking a huge risk.

The bishops describe the country as "desolate" because so many people had fled or were in prison or the army.

The Eritrean government has not yet commented on the letter.

Many of the migrants who drowned off Lampedusa last year were from Eritrea.

The bishops referred to this, saying: "There is no reason to search for a country of honey if you are in one."

Isaias Afewerki Isaias Afewerki has been Eritrea's president since 1993

Human rights groups have called Eritrea a "giant prison", with torture widespread.

Amnesty International last year said some 10,000 Eritreans had been imprisoned for political reasons since independence from Ethiopia in 1993. This was denied by the government.

Young men must do national service until the age of 40, prompting an estimated 3,000 to flee the country each month.
Handle detainees 'humanely'
In their 38-page letter written in Tigrinya, the bishops said Eritreans were going to "peaceful countries, to countries of justice, of work, where one expresses himself loudly, a country where one works and earns".

There was no-one left to look after the elderly, they said.

The letter was signed by Bishops Mengsteab Tesfamariam of Asmara, Tomas Osman of Barentu, Kidane Yeabio of Keren and Feqremariam Hagos of Segeneiti.

The bishops pointedly said that "all those who are arrested should first be handled humanely and sympathetically" and then be presented to court for trial.

After the Orthodox, the Roman Catholic Church is the second biggest in Eritrea and correspondents say the bishop of the capital, Asmara, in particular, wields considerable influence in the country. BBC  ----

(Que dirão disto as pessoas que há 25 anos tanto se batiam pela independência da Eritreia?)

Bissau: A devastação da floresta guineense

Por: Assana Sambú

Em nome do dinheiro, ou seja, da corrida à riqueza fácil, regista-se, neste momento, uma invasão, e consequentemente, a devastação da floresta guineense por parte dos "gringos" detentores das empresas de exportação dos troncos de madeira. Mas como se ainda não bastasse este crime ambiental hediondo deve-se esclarecer, todavia, que este crime está a ser apoiado por altos responsáveis do aparelho de Estado que, em cumplicidade com os chefes de tabancas e/ou régulos, todos eles têm em mira caçar a espécime uma das mais nobres da floresta guineense. Trata-se a título de esclarecimento, do "pau de sangue", uma das árvores de maior qualidade no mercado mobiliário. Além disso, eles aproveitam também as árvores secas para extração de carvão e corte de cibes.

A região de Tombali, no sul do país, não escapou ao fenómeno da devastação da floresta que se verifica um pouco por todo o território nacional. A atividade de cortes dos troncos de madeiras e cortes das árvores para a extração de carvão ao nível da região se regista mais no setor de Quebo, enquanto a corte de cibe se concentra mais no setor de Cacine, particularmente na povoação de Campês, onde se pode encontrar camiões e mais camiões carregados de cibes.

A nossa reportagem deslocou-se entre os dias 12 a 16 do mês corrente à Região que alberga o maior parque nacional, o de Cantanhez (Tombali) para coletar informações mais fidedignas sobre a devastação ambiental. De acordo com as informações avançadas por parte de alguns guardas florestais, a floresta de Cantanhez é considerada por alguns ambientalistas da sub-região como o "património sub-regional", pelo que exigem que seja protegida.

Conforme as informações apuradas pela nossa reportagem, junto das comunidades, estas indicam que as empresas exportadoras dos troncos de madeiras se interessam mais pelas espécimes do "pau de sangue", pois segundo os técnicos da floresta é a mais procurada no mercado internacional, facto que levou a Direcção-Geral das Florestas e Fauna a cobrar licença da corte no valor de 100 dólares norte-americanos (50 mil fracos cfa), por cada metro cúbico.

O Democrata soube junto de um dos responsáveis regionais da floresta que a única empresa que faz o corte do tronco de madeira naquela região sul do país é chinesa, denominada de "EMPRESA BISSAU XIONG FEI MADEIRA SARL" que trabalha em colaboração com a empresa nacional "FOLBE", sediada em Buba.

A mesma fonte da guarda florestal informou à nossa reportagem que a empresa "FOLBE" é detentora de uma licença que o concede o poder de "dono da floresta" nas regiões de Tombali e Quínara. Por isso é que todas as empresas que pretendem efetuar cortes de madeira devem entrar em contacto com a FOLBE, onde negoceiam a percentagem e, só depois de pagar a licença junto das autoridades, é que essa nova empresa avança para o corte.

CORTES DOS TRONCOS DE MADEIRA NO SETOR DE QUEBO

Já no setor de Quebo, o nosso jornal apurou que além da empresa chinesa, regista-se igualmente a presença dos madeireiros tradicionais que, em colaboração com alguns responsáveis destacados da região ou ao nível da administração central, efetuam cortes das espécimes de "pau de sangue", bem como bissilão que vendem para os proprietários das pequenas serrações locais e, às vezes, as transportam para a cidade de Bissau.

A nossa reportagem apurou igualmente através de um dos responsáveis regionais da floresta que as atividades das cortes dos troncos de madeiras se concentram mais nas matas das tabancas, onde se regista maior número das espécies "pau de sangue e bissilão", que são designadamente: Cuntabani, Centro Frutícola de Coli, Unal, Balana, Lendel, Mampata Forrea, Tchã-Iaia, Gama, Cumbidjã, Djidal, Sintchã Odi (Bulola) e Colobia.

Ainda conforme as informações recolhidas da parte dos responsáveis juvenis das diferentes tabancas afetadas pelos cortes, estes demostram os seus descontentamentos relativamente a esta prática, mas segundo eles, nada podem fazer para a estancarem.

Informaram igualmente de que as empresas procuraram entrar em contacto apenas com os chefes das tabancas, régulos ou pessoas influentes do setor no sentido de os ajudarem a mobilizar a comunidade.

As empresas de exportação de troncos de madeira, de acordo com as informações avançadas e confirmadas pelos diferentes chefes das tabancas abordados pela nossa reportagem, apresentam o documento de autorização de corte de troncos, emitido pelas autoridades, através da Direção-Geral da Floresta antes de iniciar os trabalhos. Depois da apresentação da licença, a empresa oferece a tabanca uma soma de 500 mil francos CFA, que consideram de dinheiro de "cola", para que a tabanca possa resolver alguns problemas pendentes.

Além do dinheiro da "cola" celebra-se um tipo de acordo informal entre a tabanca e a empresa, onde a empresa paga um montante de 50 mil francos cfa por cada contentor carregado de troncos de madeiras.

O dinheiro do pagamento dos contentores carregados dos troncos de madeiras é entregue aos chefes de tabancas que, segundo a informação, assumem a responsabilidade de gerir o dinheiro que é destinado para reconstrução da mesquita, construção de clubes de jovens e outros assuntos de tabanca.

Um dos responsáveis juvenis das povoações afetadas pelo corte de troncos, mas que pediu anonimato, confidenciou à nossa reportagem que o dinheiro proveniente do pagamento dos contentores de troncos de madeiras acaba por ficar sempre nas mãos dos responsáveis das tabancas, nem sequer tiram um franco para resolver os problemas da tabanca.

A nossa fonte confidencial acrescentou ainda que o mais grave é que ninguém tem a ousadia de perguntar do dinheiro e ao perguntar a resposta é o seguinte: "o dinheiro foi emprestado por fulano ou beltrano, se insistir em perguntar do dinheiro sofrerá com tentativas de actos de bruxaria".

CUMPLICIDADE DAS POPULAÇÕES LOCAIS NAS ATIVIDADES DE CORTE DE TRONCOS

Regista-se no momento a cumplicidade da própria comunidade nas actividades de cortes em algumas tabancas. Dantes, conforme a explicação, a comunidade se recusava mesmo a trabalhar para a empresa, mas actualmente alguns serviços estão a ser praticados pelos jovens das tabancas.

Na altura a equipa de reportagem do jornal O Democrata testemunhou a descarga dos troncos de madeira da espécime de "pau de sangue" pelos jovens da tabanca de Mampata Forrêa. Os troncos foram cortados na povoação de Sintchã Odi, mas foram transportados para Mampata que é a zona de acesso fácil para os camiões (remorcos). Os troncos que ali se encontravam a espera do carregamento dos camiões são no total de 234 arrumados no campo de futebol da povoação de Mampata Forrêa.

Os jovens que faziam o trabalho de descarregamento informaram a nossa reportagem que celebraram um contrato com o intermediário da empresa chinesa, que lhes paga um montante de mil francos CFA por cada tronco carregado na viatura, a partir do local da corte e o mesmo montante se aplica no descarregamento já no local de concentração dos troncos a espera dos camiões.

Já no carregamento dos contentores cobram dois mil francos CFA por cada tronco. Explicaram ainda que um contentor pode levar até 110 troncos, mas depende do tamanho e cumprimento dos troncos. Além da mão-de-obra assegurada por alguns jovens das tabancas, recrutam igualmente jovens para indicarem os caminhos da mata ou zonas onde se podem encontrar mais espécimes do "pau de sangue".

Tendo em conta o volume do lucro registado na atividade de cortes dos troncos das madeiras, acaba por ser uma atividade que vai atrair toda a casta da sociedade e, inclusive, os responsáveis das tabancas. Diz-se ainda que os próprios responsáveis das tabancas têm as suas máquinas nas matas para efectuar corte das árvores.

EXTRAÇÃO DE CARVÃO EM QUEBO

No setor de Quebo regista-se pouca atividade de corte das árvores para extracção de carvão, facto esse que foi confirmado pelo delegado regional da floresta, Ussumane Candé que explicou a nossa reportagem que no setor apenas se regista aquilo que se considera um corte para o "consumo doméstico".

O nosso jornal apurou ainda que o corte de árvore para extração de carvão se verifica igualmente na povoação de Tchã-Iaia, onde existe uma grande quantidade de fornos de lenha para extração de carvão, como também sacos destes nas bermas de estradas prontas para quem as quiser adquirir, ou seja, estão disponíveis para a venda.

Entretanto, o delegado da floresta desta localidade desmentiu essa informação, alegando que os fornos que ali se encontram são insignificantes e o mesmo é apenas para o consumo doméstico das populações locais que, às vezes, acabam por comercializar alguns sacos para resolver alguns problemas. Este responsável regional da floresta, contou a nossa reportagem que o corte das árvores para a extração de carvão atualmente não se verifica em grande quantidade na região de Tombali, porque, de acordo com ele, já não existem árvores para o carvão.

"Já não há árvores que possam ser aproveitadas para extração de carvão, por isso, essa atividade não tem muita força neste setor. O mesmo acontece com o corte de cibes que já não se verifica neste setor, dado que não existem em grande quantidade que permita a sua exploração para comercialização. O corte de cibe se verifica mais no setor de Cacine, concretamente nas zonas de Campês", explicou o responsável florestal da vila de Quebo.

"ESTADO AFIRMA SER PROPRIETÁRIO DA FLORESTA"

Também a nossa reportagem contactou o régulo de Forrêa, Aladje Mamudú Baldé que confirmou ao jornal O Democrata que, na verdade, as atividades de cortes dos troncos de madeira se verifica no seu regulado. Todavia, sustentou que estão contra a mesma, mas nada podem fazer para impedir as empresas que são autorizadas pelas autoridades centrais, que segundo ele, têm mais poderes que o régulo.

"O Estado defende que é proprietário da floresta, então cabe a ele conceder a licença para os cortes das árvores às empresas interessadas. Nestas circunstâncias o que é que podemos fazer? A comunidade de Colobia que é uma das tabancas que fazem parte do meu regulado tentaram resistir contra os cortes dos troncos nas matas de Sancuali, porque ali se verifica as movimentações de búfalos e inclusive dos elefantes. Depois da entrada da empresa chinesa que faz corte dos troncos nesta zona, através das matas de Tchã-Iaia, onde se iniciou atividades de cortes a comunidade da Colobia levantou-se contra a mesma nas suas matas, isto deu origem detenção de alguns rapazes que faziam cortes e inclusive três máquinas de cortes", explicou o régulo.

Aladje Mamudú Baldé assegurou ainda que a administração local, em colaboração com a empresa detentora da licença de corte naquela zona, resolveu chamar os elementos da Guarda Nacional, a partir do setor de Buba (Quínara), no sentido de intimidar a comunidade, para que possam devolver as máquinas e deixar que a empresa continuasse com o corte dos troncos.

"Resolvemos intervir para ajudar a acalmar a comunidade que estava totalmente revoltada com a situação. A comunidade decidiu entregar-nos as máquinas de corte que a empresa acabou por recuperar, através da administração local. A situação de corte das nossas matas nos preocupa muito, mas infelizmente não podemos fazer nada", lamentou o régulo de Forreá.

"HÁ INVASÃO DA FLORESTA DA PARTE DAS POPULAÇÕES À PROCURA DOS TRONCOS"

Numa conversa mantida com o deputado da Nação do círculo eleitoral 02 (Setor de Quebo), Amadú Saico Seidi explicou a nossa reportagem que no seu círculo se regista as atividades de cortes dos troncos da madeira, particularmente a espécie de "pau de sangue".

"Primeiro disseram que os chineses é que faziam cortes dos troncos, mas atualmente se verifica a invasão da floresta por parte da própria população, que também estão a fazer cortes dos troncos de madeira. Toda a gente foi comprar uma máquina para cortar troncos, porque é uma atividade muito lucrativa. Essa situação é do conhecimento das autoridades setoriais e regionais que até aqui não conseguiram travar a invasão das florestas pelos populares", destacou.

De acordo com este representante eleito do povo, neste momento as populações locais estão a fazer cortes dos troncos das árvores nas florestas, onde procuram mais as mesmas espécimes que os exportadores querem para depois os venderem. Acrescentou, neste particular, que cada pessoa que consegue adquirir uma máquina de corte, entra na floresta da sua aldeia para fazer corte, sob a alegação de que a mata lhe pertence, ou seja, era dos seus avôs.

"Fui a primeira pessoa que fez a denúncia dos cortes irracionais e desenfreados das árvores que se verifica nas florestas de Tchã-Iaia, mas infelizmente, as autoridades não fizeram nada na altura para estancar a prática. Isso levou com que as actividades de cortes dos troncos se estendesse para outras tabancas que também têm "paus de sangue e de bissilão". Agora qualquer pessoa compra uma máquina que sub-aluga a terceiro, para que esta faça corte na floresta, em caso de conseguir número significativo de troncos, aluga um camião para os transportar para Bissau, onde são vendidos a um preço lucrativo", contou o deputado daquela zona.

A nossa reportagem tentou entrar em contacto com a administradora do setor de Quebo, mas fomos informados por um dos seus colaboradores para área social, que se encontrava em Bissau durante a nossa estada. Por isso, não conseguimos falar com a administradora, no sentido de esclarecer alguns assuntos relacionados com a administração local levantados pelos diferentes intervenientes desta nossa longa reportagem.

"PARQUE NACIONAL DE CANTANHEZ AINDA NÃO FOI ABALADO POR CORTES DE ÁRVORES"

O Diretor da Organização Não Governamental, Ação para o Desenvolvimento (AD) para a Província Sul, Abubacar Serra, contou a nossa reportagem que o Parque Nacional de Cantanhez ainda não foi abalado pelos cortes dos troncos que se verifica na região.

Contudo, sustentou que houve tentativas de algumas empresas que queriam entrar na floresta, através de outras zonas, mas acabaram por ser descobertos antes de iniciarem os cortes, disse. Mas acrescenta ainda que a única atividade que se verifica na floresta de Cantanhez é o corte de algumas zonas para o cultivo de arroz, mas também essas se verifica nas zonas que foram permitidas para tal prática e com a condição de as populações não entrarem nas zonas reservadas. Este parque, de acordo com suas informações, tem uma área de 1067, 67 km2, portanto está limitada pelas bacias dos rios Cubidjam, rio Cacine e rio Balana ao norte.

CORTES DE CIBES E ÁRVORES PARA CULTIVO DE ARROZ REGISTAM-SE EM CACINE E BEDANDA

O setor de Cacine não está abalado pelo corte de troncos de madeiras, mas sim de cibes e, igualmente, a desmatação num momento em que se aproxima a época das chuvas para o cultivo de arroz. Esta prática de desmatação para o cultivo de arroz, preocupa muito os conservadores das florestas que trabalham, em colaboração com as Organizações Não Governamentais, para a proteção da mesma.

Durante a nossa viagem para os setores de Cacine e Bedanda constatamos cortes das matas e queimada dos lugares desmatados para o cultivo de arroz. A nossa reportagem entrou em contacto com um conservador da floresta na seção de Sanconha (Cacine) concretamente na povoaçãao de Gamprimo, Seco Biai que se mostrou muito preocupado com a situação, assim como pela presença dos caçadores de búfalos provenientes da Guiné-Conakry.

Biai explicou à nossa reportagem que na sua povoação existem três grandes florestas, onde se registam movimentações dos animais, mais particularmente dos búfalos. Informou igualmente que a sua povoação teve sorte de albergar as três grandes florestas daquela zona, designadamente Nkoma, Badjassugu e Bissiló, afirmado ainda que naquelas florestas existem espécies de "paus de sangue e bissilão", pelo que está com medo de que um dia as empresas interessadas por essas árvores venham devastar essas florestas.

Este conservador convidou-nos a visitar a floresta de Nkoma que dista alguns quilómetros da tabanca, a fim de constatar "in loco" as pegadas dos búfalos, facto que pudemos testemunhar. Constatamos as pegadas dos búfalos na sagrada floresta de Nkoma, num local onde costumam descansar.

Biai assegurou ao nosso jornal que a floresta de Nkoma é um lugar muito sagrado desde os tempos dos seus antepassados, pelo que não se permite corte nenhum tipo de árvores naquela mata ou mesmo a desmatação para o cultivo de arroz.

"Este lugar é muito sagrado se deitarmos o fogo aqui começa logo a chover e a pessoa que pós o fogo sofrerá as consequências rapidamente", contou o conservador da floresta, que, entretanto se mostrou preocupado para o fenómeno do corte das espécimes não chegue um dia as suas florestas.

Entretanto, contactamos o administrador do setor de Cacine, Eduardo Lobo de Pina, que confirmou a nossa reportagem que o corte de cibe se verifica no seu setor bem como cortes das florestas para o cultivo de arroz. Todavia, sustentou que os cortes de cibe se verificam mais na povoação de Campês, como também em algumas povoações nos arredores da seção de Sanconha.

Lobo de Pina contou que o corte de árvores para extração de carvão é uma actividade quase inexistente no seu setor, tendo afirmado ainda que o corte dos troncos de madeiras também não se regista no setor de Cacine.

"VERIFICA-SE UMA DESTRUIÇÃO MASSIVA DA FLORESTA EM TOMBALI"

Já no término dos nossos trabalhos na Região de Tombali, a nossa reportagem falou com o Governador na qualidade de responsável máximo, Bocar Seide (Lemos) que confirmou igualmente a nossa reportagem a existência de cortes que considera de "abusiva" dos troncos de madeira na sua região, mas, sobretudo no setor de Quebo.

Assegurou, no momento, que se está a verificar uma destruição massiva da floreta de Tombali em detrimento dos interesses de um punhado de pessoas, tendo sustentado ainda que a destruição da floresta está a mexer muito com a vida social e a situação económica das populações locais que aproveitam muito da floresta para a sua sobrevivência.

Lembrou, neste particular, que por causa dos cortes que se verificam no setor de Quebo, concretamente nas matas de Sancuali (Colobia) isto faz com que os animais entrem em pânico e movimentam-se de um lado para outro.

"Há um elefante que recentemente deu luz nas matas de Sancuali, mas devido aos barrulhos das máquinas dos cortes, não conseguiu tranquilizar-se, assim acabou por andar de um lado para outro, o que constitui um perigo para as populações que circulam naquela zona. Havia vários tipos de animais nesta zona, mas com as ondas dos cortes de troncos nas florestas, já não se consegue ver mais esses animais", explicou.

O Governador da Região de Tombali afirmou que o mais grave é que as autoridades florestais emitiram licenças e autorizações à empresas para fazerem cortes de troncos no Centro Frutícola de Coli. Sublinhou que o corte dos troncos na floresta de Coli é um ato criminoso e o ator da emissão da licença para o corte naquela mata deve ser responsabilizado criminalmente.

Lemos esclareceu que as autoridades florestais, inclusive as empresas de cortes dos troncos nem sequer contactam as autoridades regionais e muito menos setoriais, a fim de apresentarem as respetivas licenças de cortes que os permitem entrarem numa determinada zona.

"Recebemos sempre as informações, através de populações que os chineses estão numa zona a fazer cortes, mesmo que queiramos impedir o corte não vamos ser obedecidos. Também existem elementos da Guarda Nacional que os protege nos seus trabalhos. Imaginem um comandante da Guarda Nacional é que me apresentou uma vez a licença da empresa chinesa que ia operar em Quebo, pode-se imaginar até onde chegou esta situação?", lamentou impotente.























8.6.14

Bissau: As aventuras de Xanana Gusmão

Lusa

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, cancelou toda a agenda que tinha ontem no seu programa de visita à Guiné-Bissau, devido a uma indisposição, disse à agência Lusa fonte da missão timorense no país.No entanto, é esperado que o chefe de governo timorense retome hoje os contactos, reunindo-se às 11:00 com representantes das polícias e serviços de segurança do Estado guineense e às 14:00 com as chefias militares, acrescentou. Xanana Gusmão tinha previsto para ontem encontros com o Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, e com o Presidente da República eleito, José Mário Vaz, para além de uma visita de cortesia à Assembleia Nacional Popular.

O primeiro-ministro de Timor-Leste está desde sexta-feira na Guiné-Bissau para convidar as novas autoridades eleitas para a cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a realizar em Dili, Timor-Leste, a 23 de julho.
Uma missão de Timor-Leste apoiou financeiramente o recenseamento eleitoral realizado na Guiné-Bissau entre dezembro e fevereiro e Xanana Gusmão vai fazer na segunda-feira a entrega simbólica da respetiva base de dados - o registo do eleitorado já serviu de base às eleições de abril e maio (legislativas e presidenciais).
A Guiné-Bissau realizou este ano as primeiras eleições após o golpe de Estado militar de abril de 2012, o que vai permitir o regresso do país à norma constitucional, bem como o reatamento de plenas relações diplomáticas com a comunidade internacional.
O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) venceu as legislativas de 13 de abril com maioria absoluta e vai ocupar 57 dos 102 lugares da ANP.
O líder da força política maioritária, Domingos Simões Pereira, ex-secretário executivo da CPLP, vai ser o novo primeiro-ministro.
A segunda volta das presidenciais, a 18 de maio, deu a vitória a José Mário Vaz, apoiado pelo PAIGC, ministro das Finanças do governo deposto em 2012.
 
 

Nigéria: EUA contra Boko Haram

Les États-Unis vont participer au financement d'une chaîne de télévision dans le nord du Nigeria avec l'objectif de contrer l'influence des groupes extrémistes comme Boko Haram, a indiqué samedi le département d’État, confirmant une information du New York Times.
La chaîne Arewa24 ("nord" en langue haoussa), qui n'a pas encore démarré et devrait coûter 6 millions de dollars, sera financée par le département d'État pendant deux ans, précise le quotidien. Interrogé par l'AFP, le département d’État a confirmé avoir "réfléchi depuis fin 2012 à un moyen de fournir une alternative aux messages des violents extrémistes" du nord du Nigeria.
Appel d'offres lancé
Un appel d'offres a donc été lancé pour "créer une plate-forme média en haoussa" et "l'opérateur Equal Access a été choisi en septembre 2013 pour la créer en partenariat avec le département d’État", a ajouté une des porte-parole, Pooja Jhunjhunwala.
Cet opérateur basé à San Francisco (Californie, ouest) est déjà fournisseur de programmes financés par le département d'Etat au Yémen et au Pakistan, précise le journal. La télévision devrait diffuser des programmes originaux, dont des comédies et des émissions pour enfants, créés et produits par des Nigérians.
L'enlèvement il y a deux mois par le groupe islamiste armé Boko Haram de quelque 200 lycéennes "montre la nécessité d'un message différent du message destructeur de Boko Haram et des autres extrémistes violents", ajoute un responsable de la diplomatie américaine, cité par le journal. Ce dernier cite toutefois des experts selon lesquels ce projet pourrait rencontrer des difficultés en raison du manque d'accès à l'électricité et de postes de télévision.
(AFP)