6.4.15

Judeus perdidos na África

Há quase 30 anos, uma operação do governo israelense deu início à retirada de judeus da Etiópia. Muitos africanos são judeus – e exames de DNA confirmam isso. Texto Lidiane Aires | 08/08/2012
Em 21 de novembro de 1984, uma operação massiva de transporte humano começava na Etiópia. Envolvendo 28 aviões, mercenários, a CIA e o governo do Sudão, Israel conduzia uma tentativa de retirar todos os judeus da Etiópia. Os chamados beta israel são também conhecidos por falashas – termo do idioma etíope ghiz que significa estrangeiro. Pertencem a uma das comunidades de judeus negros espalhadas pelo continente africano. Há também os lembas em Zimbábue e na África do Sul, os igbos, na Nigéria, e os ybir ou yeber, na Somália, além de outras tribos em Moçambique, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Quênia. Eles já eram conhecidos dos judeus europeus desde o século 19, quando missionários britânicos que viajavam pela Etiópia encontraram as primeiras tribos. Em 1947, foram oficialmente reconhecidos pelos rabinos-chefes de Israel, antes mesmo de o país ganhar sua independência. “Muitos nunca haviam saído de seus vilarejos e se espantaram ao ver um judeu branco”, diz Cecília Ben David, professora de cultura judaica da Casa de Cultura de Israel, em São Paulo. A Etiópia foi um dos países onde a Guerra Fria foi travada com napalm. Desde 1974, estava em guerra civil, envolvendo o governo revolucionário contra dissidentes e separatistas da Eritreia. Na Operação Moisés (como ficou conhecida, em homenagem ao profeta bíblico), cerca de 8 mil judeus etíopes foram para Israel através do Sudão. No ano seguinte, a Operação Josué retirou mais mil – número pequeno se comparado à Operação Salomão, que levou mais de 14 mil emigrantes para a capital israelense, Tel-Aviv, em 1991, incluindo um Boeing 747 carregando 1 088 pessoas, mais que o dobro de sua capacidade. De 1980 a 1992, cerca de 45 mil judeus etíopes migraram para Israel, que em 2010 já contava com quase 120 mil residentes. Apenas 8 mil deles continua na Etiópia. A origem dos judeus negros não está clara e se mistura com a mitologia bíblica. A família real etíope, deposta pelos revolucionários em 1974, dizia-se descendente de Makeda, a rainha de Sabá, com o rei Salomão, de Israel (que na Bíblia aparecem conduzindo relações meramente diplomáticas). Os nobres etíopes se converteram ao cristianismo no século 4 d.C., enquanto os beta israel se diziam remanescentes dessa relação entre realezas. Se a origem de algumas tribos é mitológica, a de outras têm comprovação científica. É o caso dos lembas, que tiveram sua origem semita comprovada por DNA numa pesquisa de 2010, liderada por Tudor Parfitt, professor de estudos judaicos modernos da Universidade de Londres, na Inglaterra, e autor do livro As Tribos Perdidas de Israel – A História de um Mito. Segundo o pesquisador, são descendentes dos cohanim, uma família de sacerdotes judeus da tribo israelita de Levi. Pelos estudos, o ancestral comum de ambas as tribos viveu entre 2 600 e 3 100 anos atrás. “Eles alegavam ser de uma das tribos perdidas de Israel e traziam um objeto sagrado, semelhante a uma arca, que seus sacerdotes guardavam zelosamente. Com a ajuda de uma equipe de Oxford, constatei que o objeto era de 1350”, afirmou Parfitt em entrevista publicada no site da SOAS (sigla em inglês para School of Oriental and African Studies ou Escola de Estudos Orientais e Africanos, da mesma universidade para a qual trabalha). A arca se referia a um barco do clã buba, que também compartilha dos mesmos ancestrais dos cohanim. Outra pesquisa feita por Parfitt concluiu que grande parte das comunidades judaicas ao redor do mundo vêm do Levante, isto é, do atual território de Israel e vizinhanças. A única exceção são os etíopes, que não teriam raízes israelitas. “Sua forma de judaísmo foi uma das que se desenvolveram no país. Ou seja, os judeus não foram para a Etiópia em tempos antigos, mas o judaísmo sim”, disse. Nos Estados Unidos há judeus negros que migraram na 2ª Guerra. Não há registros de tribos no Brasil, mas eles provavelmente foram trazidos para cá durante a escravidão. “Tantos cristãos-novos (judeus convertidos) de Portugal foram parar em alto mar após as perseguições da Inquisição que é provável que muitos tenham chegado aqui, assim como em Guiné, Congo e Angola, onde era menor o alcance inquisitorial”, diz Glasman. -- Guia do Estudante, da Abril

Os Igbos, judeus negros da Nigéria?

Os Ibos (Igbo) são um dos maiores grupos étnicos na África, tendo a maioria da população concentrada na Nigéria, dominando parte do sul e o oeste desta com cerca de 25 milhões de pessoas. Encontram-se também em Camarões, Guiné Equatorial (Ilha de Fernando Po), Gana, Serra Leoa, Costa do Marfim, Gabão, Libéria e Senegal e atualmente milhares nos USA. A tradição oral mais antiga afirma que sua presença, no que é chamada de Terra dos Igbo, decorre de mais de 1500 anos.
Os Igbos envolveram-se no conflito mais sangrento da história do continente africano no século XX, a guerra de Biafra (1966-1970), que resultou em cerca de um milhão de mortes, Igbos em sua grande maioria. De 1995 a 1997 o Primeiro Ministro de Israel Yitzhak Rabin, de origem Askenazi - população caucasiana européia convertida à religião dos hebreus a cerca de 1000 anos atrás, originários da região da Geórgia, no antigo reino da Kazaria, e que hoje se auto-determinam Benei-Yisrael (Linhagem de Sangue dos Hebreus) - enviou uma equipe para a Nigéria em busca das tribos perdidas de Israel, objetivando constatar a história do povo Igbo que guardam as tradições hebréias bem antes dos Askenazis. No momento, existem 26 sinagogas em toda a Nigéria e a comunidade de Hebreus Igbo está estimada em cerca de 40000 pessoas, em uma população total de 140.000.000 de igbos, yorubás e outros grupos étnicos. Algumas das maiores comunidades incluem o Instituto Gihon em Abuja, assim como as comunidades do sul, como Port Harcourt. A Ibo Benei Yisrael atualmente é liderada pelo conservador / Masorti Rabino Howard Gorin. Algumas fontes afirmam que havia a presença de hebreus na Nigéria a partir de 638 a.C. Acredita-se que os Hebreus retornaram para a África após a destruição do Primeiro e Segundo Templo, em Jerusalém, e estabeleceram comunidades em todo o continente Africano.

Angola e o povo judaico

Angola: a Terra Prometida 20-08-2005 | Fonte: Expresso No início do século XX, o movimento sionista chegou a negociar a instalação em Angola do Estado de Israel. O projecto mereceu a aprovação unânime do Parlamento português, foi mantido em lume brando até à década de 30 e ainda incomodou o regime de Salazar. Mas, como o planalto de Benguela não era o destino sonhado por milhões de judeus, a ideia acabou por ser definitivamente abandonada. Há 57 anos, os israelitas celebraram a criação de um Estado independente na Palestina, o destino sonhado por milhões de judeus durante séculos de tortura e privações. Mas, surpreendentemente, no início do século XX o movimento sionista pretendeu fazer da colónia portuguesa de Angola a Terra Prometida. A criação de um Estado judaico no Planalto de Benguela teve aprovação parlamentar, originou expedições, inspirou a mediação de Franklin D. Roosevelte captou o interesse do regime de Oliveira Salazar. Os mentores da criação de um Estado israelita nem sempre tiverem em mente a Terra Prometida como local de destino. Fruto da perseguição aos judeus a que se assistiu na Europa no início do século XX, outras zonas do mundo para além do Médio Oriente, como o continente americano ou africano, foram contempladas como possível local de refúgio. Contempladas e negociadas. Foi o caso da colónia portuguesa de Angola, um dos locais discutidos ao mais alto nível para o estabelecimento do que seria o embrião de um futuro Estado judaico. A ideia foi abordada pela primeira vez em 1886, pelo israelita português S. A. Anahory, mas só viria a ganhar contornos políticos depois da proclamação da República, quando um israelita de origem russa, W. Terlo, fez campanha entre os elementos dominantes da sociedade portuguesa por uma colonização em Angola de judeus expulsos da Rússia. Em 1912, o deputado Manuel Bravo fez chegar um projecto-lei ao Parlamento português, onde foi aprovado por unanimidade. De acordo com um artigo da autoria do investigador da Universidade de Cardiff, Ansgar Schäfer, publicado na revista «História», o projecto-lei, a que se deu o nome de «Projecto Bravo», «previa uma colonização israelita no Planalto de Benguela numa área com a extensão de cerca de 45.000 km2», o que, curiosamente, corresponde a mais do dobro da área que tem hoje o Estado de Israel. Segundo o investigador, este projecto continha uma série de concessões generosas, como a oferta de terrenos a famílias de imigrantes israelitas e a isenção de taxas alfandegárias e impostos para os materiais ou transportes relacionados com a colonização. O «Projecto Bravo» teve um grande acolhimento no Parlamento e para se transformar em lei teria ainda de ser aprovado pela segunda câmara, o Senado, tal como previsto pela Constituição, o que veio a acontecer em 29 de Junho de 1913. Contudo, entre a elite israelita não houve grande entusiasmo, acabando o projecto por ser recusado pela Jewish Territorial Organisation (ITO), uma organização fundada em 1904 por Israel Zangwill cujo objectivo principal era a procura de um refúgio para o povo judeu em qualquer região do mundo. Para Esther Mucznik, dirigente da Comunidade Israelita de Lisboa, esta «foi uma iniciativa interessante e surpreendente mas demasiado irrealista para chegar a pôr em prática». Em declarações ao EXPRESSO, afirmou: «A história apontava que a instauração de um Estado judaico só poderia acontecer na Palestina, caso contrário não aconteceria nunca». Mas, há quase um século, as reticências eram menos radicais. A ITO organizou ainda uma expedição à região sob a orientação do cientista inglês J.W. Gregory apesar de existirem à partida várias reservas, nomeadamente o facto de as concessões de terrenos serem limitadas apenas a colonos individuais e de poucos recursos e a dimensão territorial ficar aquém da desejada. Gregory fez uma avaliação mista da sua expedição. Se, por um lado, considerou que a colonização não seria facilmente sucedida, embora a qualidade dos terrenos fosse superior aos da Palestina, por outro declarou que «todo o Portugal está subtilmente saturado de simpatias raciais subconscientes e essa combinação de judeus e portugueses em Angola é uma mistura mais natural do qualquer outra» como se pode ler em A Colonização do Planalto de Benguela de J. Rodrigues. Quatro factores concorreram, entretanto, para o malogro deste empreendimento histórico. Em primeiro lugar cresceu a oposição interna àquilo que poderia vir a ser a criação de um Estado judaico em território português. Foram exigidas várias alterações ao projecto inicial, como a condição de o colono ter de se tornar português para usufruir dos terrenos ou a cláusula que exigia o uso da língua portuguesa nas escolas públicas e correspondência oficial. Por outro lado, a ITO debatia-se com falta de meios para aplicar o projecto, não tendo conseguido encontrar entidades dispostas a financiar esta colonização. Em terceiro, uma questão legal impediu que o projecto se transformasse em lei, em concreto, a aprovação conjunta das duas câmaras, o que nunca aconteceu. O derradeiro obstáculo foi o rebentar, pouco tempo depois, da I Guerra Mundial, um conflito que em Agosto de 1914 colocava Portugal ao lado do Reino Unido e seus aliados. --- A questão, já muita antiga, ganhou agora nova actualidade porque o livro "Do Mapa Cor de Rosa à Europa do Estado Novo", lançado há semanas por Álvaro Henriques do Vale, na Chiado Editora, lhe dedica muitas páginas. Foi por isso que decidi recordar aqui o muito que, ao longo de décadas, se tem escrito sobre o assunto, pois que poderá ainda existir quem nunca tenha dado grande importância a semelhante temática.

Judeus negros em Angola?

«O plano foi negociado secretamente – e prevê a instalação de colónias-modelo em Angola. Judeus negros vão chegar ao ritmo de 100 mil por ano. Serve às duas partes: Israel resolve um problema e Luanda esfrega as mãos de contente. Milhares de judeus negros, que há poucos anos foram da Etiópia para Israel, preparam-se para “invadir” o sul de Angola. Mais concretamente, o Cuando Cubango, que pode virar o “celeiro de África”. Para que isso aconteça falta apenas que a situação no terreno o permita – e já não deve faltar muito, pois Telavive, Washington e Pretória estão apostados nisso mesmo. E Luanda está de acordo, pois claro. O compromisso foi assinado há alguns meses e mantido em rigoroso segredo. E não prevê apenas judeus negros nem exclusivamente o Cuando Cubango. Isso é só numa primeira fase. Atendo ao que se está a passar no Médio Oriente e ao que se passou nos países de Leste, Israel prepara-se para mandar judeus para Angola ao ritmo de 100 mil ano. Na sequência de contactos que se iniciaram quase por acaso há cerca de quatro anos e acabaram no estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países (ver caixa), Israel mostrou disponibilidade e interesse em avançar com projectos comuns de desenvolvimento agro-pecuário. À fome juntava-se a vontade de comer. Isto é, tudo se conjugava para que o acordo se efectuasse e tivesse êxito – Telavive tinha o know how e muita gente para colocar o plano de pé (cada vez há mais judeus do Leste a quererem ir para Israel), mas não tinha terra; Angola, por sua vez, tinha terra a dar com um pau, mas não possuía técnicos nem experiência no campo da agro-pecuária. No que ao Cuando Cubango respeita – uma área semi-desértica duas vezes maior que Portugal – foi elaborado um grandioso projecto de aproveitamento das águas dos rios que permitirá a irrigação permanente do solo e duas colheitas anuais. Para que o projecto possa ir para a frente falta, porém, resolver um “pequeno” pormenor: acabar a guerra. Nem mesmo aos judeus falashas – os judeus negros que há alguns anos atrás, com o acordo do então presidente Mengistu, Israel transferiu em massa da Etiópia – estão dispostos a avançar para as terras prometidas do Cuando Cubango enquanto os canhões continuarem a ter voz. Ora, as eleições foram um sinal de esperança – mas no final não passaram de um pesadelo. E com o comportamento da UNITA chegou ao fim o tempo das dúvidas, das hesitações, do jogo duplo de algumas potências sempre atentas e/ou envolvidas no conflito – pelo menos ao que parece. De acordo com as informações recolhidas pelo T&Q em meios diplomáticos, a cooperação de Telavive com Luanda, nomeadamente nos campos militar e das informações, tornou-se a partir daí mais profunda: a Mossad, há muito instalada discretamente no terreno, deu indicações preciosas que evitaram a tomada do aeroporto de Luanda pelos homens de Savimbi; os conselheiros militares israelitas desembarcaram em maior número na capital angolana; e nos céus de Angola há agora alguns experimentados pilotos judeus. Ao mesmo tempo, e a provar que algo de fundamental mudou na guerra Angola, Pretória está em sintonia com os seus amigos israelitas – e o satélite americano que até há pouco estava ao serviço da UNITA dá agora informações ao governo de Luanda, permitindo que a artilharia e a aviação das FAA atinjam em cheio os seus objectivos. É neste contexto que, embora por enquanto apenas em sectores muito restritos, começa a falar-se com algum pormenor do acordo Israel-Angola. Um acordo que, pelas suas implicações e dada a situação internacional existente, pode revelar-se decisivo para o desfecho da guerra angolana. Mas o mais curioso de tudo é que o interesse dos judeus por Angola não é novo. No tempo da I República, a Organização Mundial Sionista, com sede em Viena, apresentou uma proposta concreta ao Governo português para “a compra do Estado de Angola” (sic). E mais tarde, na segunda metade dos anos 30, numa iniciativa a que a Sociedade das Nações foi alheia, Stefan Zweig veio a Portugal, ao que consta, com idêntica finalidade. Nessa altura havia já muitos judeus perseguidos na Alemanha e Angola foi uma das hipóteses avançadas para terra prometida. Por uma dessas ironias em que a História é fértil, ainda que de contornos diferentes e com actores que então nem pensavam subir ao palco – os judeus negros da Etiópia – podemos estar hoje a assistir àquilo que não foi possível concretizar meio século atrás. Ribeiro Cardoso In Tal & Qual, 03.09.1993. ---- Como se vê, este tema dos judeus e de Angola é muito antigo e tem vindo a ser abordado de diversas maneiras, nos últimos 120 anos.

O interesse judaico pelas terras de Angola

Sexta-feira, 2 de Agosto de 1912 Interesse judaico por Angola Passa por Lisboa uma missão judaica que se dirigia a Angola, para averiguar se o planalto de Benguela reunia condições para uma colonização de judeus, tendo em especial atenção que essa região era considerada um território apropriado para a "colonização branca". Vinha de longa data o interesse judaico nos territórios coloniais portugueses. Em 1886, S.A. Anahory já propusera que Angola, nomeadamente a zona dos planaltos, fosse o destino de uma imigração judia em massa. Em Maio de 1903, o dirigente do movimento sionista Theodor Herzl propôs ao representante português em Viena o estabelecimento de uma colónia em Moçambique e, mais tarde, também Israel Zangwill, dissidente desse movimento, manifestara interesse em Angola. Na verdade, o sétimo Congresso Sionista, realizado em 1907, recusara a proposta britânica, que consistia na oferta de uma área de 15.500 quilómetros quadrados no Uganda, território virgem onde poderia ser estabelecido uma colónia judaica gozando de autonomia e que constituísse um abrigo para os judeus em fuga da Europa de Leste e da Rússia. O Congresso reafirmou a sua fidelidade ao princípio fundamental do Programa de Basileia, a saber, "O estabelecimento de uma pátria legal, segura e publicamente reconhecida, para o povo judeu na Palestina", recusando, como um fim ou como um meio, a colonização fora da Palestina. No entanto, uma facção dissidente, "territorialista", liderada por Israel Zangwill abandonou a Organização e funda, que tinha como um dos seus principais objectivos a procura de uma região para a fixação de uma colónia judaica, fazendo várias tentativas, do México à Austrália. O projecto da Jewish Territorial Organization para Angola foi dinamizado no nosso país por Alfredo Bensaúde e Wolf Terló, conseguindo que o deputado Manuel Bravo apresentasse o projecto de colonização israelita em Angola em 1 de Fevereiro de 1912. O projecto Bravo (depois denominado 200 B) chegaria a ser discutido no Parlamento português, estando também pendente uma outra proposta assinada pelo ex-ministro das Colónias Freitas Ribeiro, que definia a colonização branca do planalto de Benguela. Entretanto, a Jewish Territorial Organization enviara a Lisboa diversos representantes (Jacob Teitel, Zangwill, D. Jochelmann e S. Rubinstein) e patrocinou uma expedição a Angola, dirigida pelo geólogo John Walter Gregory, cujo relatório será publicado em 1913. O certo é que o governo de Afonso Costa em 1913-14 manifestará pouco interesse pelo projecto. Este, para ser aprovado, requeria a reunião do Congresso da República (Câmara dos Deputados e Senado), o que nunca aconteceu. ---- Isto encontra-se nos Arquivos da Fundação Mário Soares; e o tema tem sido ao longo dos anos tratado por muita gente, como ainda recentemente no livro "Do Maoa Cor de Rosa à Europa do Estado Novo", de Álvaro Henriques do Vale. É uma matéria que quem conheça alguma coisa da presença portuguesa em terras africanas está habituado a ver referida.

5.4.15

O que é que se poderá fazer com a Líbia?

Infelizmente, poderá ter de haver ainda recurso à força, por parte da comunidade internacional, para se tentar preservar a unidade da Líbia, onde é essencial um acordo entre liberais seculares e fundamentalistas islâmicos, de modo a controlar as milícias armadas que têm agendas múltiplas e aterradoras. Jorge Heitor O Vaticano disse que a força poderá ser necessária para acabar com os ataques aos cristãos e a outras minorias que vivem na Líbia e que estão a ser vítimas do Estado Islâmico (EI), essa nebulosa entidade que a partir do Iraque e da Síria começou a lançar tentáculos até às fronteiras da Tunísia. O arcebispo Silvano Tomasi, principal diplomata da Santa Sé acreditado junto das instituições da ONU com sede em Genebra, na Suíça, afirmou que a força poderá mesmo ser necessária para fazer frente aos jihadistas que estão a cometer um autêntico genocídio e que têm de ser detidos antes de eventualmente entrar em território tunisino e argelino. O Vaticano opõe-se normalmente a intervenções militares no Norte de África, mas agora as coisas chegaram a um ponto tal que tudo está em causa, incluindo a produção petrolífera, que fazia com que a Líbia tivesse um Produto Nacional Bruto per capita superior ao do Líbano, de Marrocos ou da Nigéria. O Papa Francisco e com ele toda a Igreja Católica ficaram chocados com o facto de, em Fevereiro, o EI se ter atrevido a decapitar 21 cristãos coptas do Egipto que estavam a viver na Líbia, essa entidade tão periclitante desde que, há quatro anos, foi derrubado o coronel Muammar Khadafi. O fundamentalismo islâmico Num mundo em que a África do Norte e o Médio Oriente são maioritariamente muçulmanos, face ao cristianismo vigente na África Austral, na Europa e nas Américas, os radicais islâmicos decidiram perseguir os grupos religiosos minoritários que vivem no Iraque, na Síria e na Líbia, tendo obrigado milhares de pessoas a deixar as suas casas. Numa entrevista dada ao site católico norte-americano Crux, monsenhor Silvano Tomasi afirma que o que se torna nesta altura necessário é uma coligação coordenada e muito bem pensada, para fazer tudo o que for possível para se encontrar uma solução para o caso líbio. Se nada se conseguir sem violência, então terá mesmo de se recorrer ao uso da força, de modo a que o terror não alastre, afectando inclusive a Tunísia, a Argélia e Marrocos. O que se pretende é preservar os direitos das minorias, sejam elas cristãs, yazidis, xiitas, sunitas ou alauitas; e para isso terá de haver uma grande coligação, em que tanto estejam americanos como europeus e países muçulmanos do Médio Oriente, como a Arábia Saudita e a Jordânia. Execuções sumárias As execuções sumárias, as conversões forçadas, as violações e outros abusos a que estão sujeitas as minorias poderão tornar-se uma triste realidade quase quotidiana no Iraque, na Síria, na Líbia e outros países, se a Humanidade não acordar a tempo para o que se está a passar. O artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, garante a cada um a liberdade de religião, mas a verdade é que temos vindo a assistir a fortes restricções, no Irão, no Iraque, na Síria, na Rússia, na China, na Birmânia, na Indonésia, no Sudão e em outros países. Os muçulmanos representam 23 por cento da população mundial; e o que nós queremos é que a maioria deles não seja injustamente identificada com as suas franjas mais radicais, como a Al Qaeda e o Estado Islâmico, este último proclamado em 29 de Junho de 2014 por Abu Bakr al-Bagdadi. Os comandos e ramos regionais daquelas duas entidades fazem-se hoje em dia sentir no Mali, no Níger, na Argélia, na Nigéria, na Tunísia, na Líbia, no Egipto, na Somália, no Iémen, na Síria, no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão, bem como no Cáucaso e no Uzbequistão. Um autêntico caos Em Sirta, no litoral líbio, 450 quilómetros a leste de Tripoli, a capital, têm-se verificado inclusive combates entre jihadistas do EI e milícias da coligação Fajr Libya, num xadrez bem difícil de entender e em que todos parecem estar contra todos, só procurando levar a água ao seu moinho, sem qualquer preocupação com a unidade nacional. Existem essencialmente duas autoridades na disputa do poder: um Parlamento e um Governo no Leste do país, a Cirenaica, e um Parlamento e um Governo paralelos mantidos em Tripoli pela Fajr Libya, que em Agosto de 2014 tomou conta da capital e de uma grande parte da região ocidental, a Tripolitânia. Ou seja, a maior parte do país encontra-se sob o controlo de milícias islamitas e só uma pequena parte é que é controlada pelo Governo instalado em Tobruk; o tal que é reconhecido por uma grande parte da comunidade internacional mas que pouco peso efectivo tem. As duas administrações rivais, a de Trípoli e a de Tobruk, tentam combater a influência do Estado Islâmico, o mesmo que se encontra implantado em vastas regiões da Síria e do Iraque e que de igual modo deseja dar cartas no Egipto e na Líbia, para ficar a ser a potência dominante desde as fronteiras do Irão até às da Argélia e da Tunísia. De Noufliyeh a Derna Noufliyeh, 120 quilómetros a leste de Sirta, é um feudo do EI, que de igual modo se encontra presente em Derna, 730 quilómetros mais a leste. Enquanto isto, a ocidente de Tripoli, as forças pró-governamentais do general Khalifa Haftar, cujo peso está em crescendo, efectuam raides aéreos na região de Zouara, depois de a Fajr Libya ter atacado o aeroporto de Zentan, 160 quilómetros a sudoeste da capital oficial do país. Todas estas coisas acontecem numa altura em que, desde meados de 2014 até Março deste ano de 2015, mais de 25.000 combatentes estrangeiros, de 100 nacionalidades, aderiram a grupos extremistas tais como a Al-Qaeda e o EI, conforme se explica num relatório das Nações Unidas enviado há pouco ao Conselho de Segurança. O número de jihadistas estrangeiros que afluíram em cerca de nove meses às grandes zonas de conflito aumentou 71 por cento, de modo que o problema é hoje em dia muito mais grave do que o seria em Abril ou Maio do ano passado. Universidades do terror A Síria e o Iraque são, claro, os maiores destinos dos jovens fanáticos, tendo-se transformado nas escolas superiores do terror que durante os próximos meses e anos nos irá atormentar. Mas depois, se por acaso for possível o EI ser derrotado naqueles dois países, os jihadistas que de lá saírem poderão espalhar-se por todo o mundo, desde a África Oriental ao Magrebe. Há já largas centenas de combatentes extremistas na Líbia, no Iémen, no Paquistão e na Somália, oriundos de países tais como a Tunísia, Marrocos, a França, a Rússia e a Finlândia. O Conselho de Segurança das Nações Unidas tinha pedido o ano passado a alguns peritos que investigassem a ameaça que é constituída pelos combatentes estrangeiros que iam aderindo ao EI e aos demais grupos militantes, como a Ansar al-Charia, os Signatários pelo Sangue, os Soldados do Califado, o Boko Haram, o Ansar Bait al-Maqdis e o Al-Chabab. No fim de Março último ficou pronto o assustador relatório desses especialistas, segundo os quais o fluxo de combatentes estrangeiros às áreas onde prolifera o radicalismo islamita cresceu de alguns milhares há uma década para um nível nunca dantes alcançado. Ou seja, o derrube de ditadores como Saddam Hussein e Muammar Khadafi em nada contribuiu para melhorar o panorama geral nas terras compreendidas entre o Mediterrâneo e o Paquistão, tal como as ditas Primaveras Árabes, nas quais se depositou tanta esperança, em pouco melhoraram, até agora, o quotidiano de líbios, egípcios, sírios, iraquianos ou iemenitas. (Este meu artigo vai sair em Maio na revista missionária comboniana Além-Mar)

3.4.15

ZANU expulsou Joyce Mujuru

A former vice president of Zimbabwe, Joyce Mujuru, has been expelled from the ruling party, Zanu-PF. The party said she had plotted to remove President Robert Mugabe from office and brought the party into disrepute. She had been been seen as a likely successor to President Mugabe but was sacked at the end of last year. She was accused of corruption and plotting to kill the president - allegations she denied. Mr Mugabe, 91, will have been in power for 35 years when Zimbabwe marks its independence from the UK later this month. The first lady, Grace Mugabe - who is now a senior figure in the Zanu-PF Party - has been very vocal against Mrs Mujuru in public. Mrs Mujuru fought alongside Mr Mugabe in the 1970s guerrilla war against white minority rule and was known as "Spill Blood". Zanu-PF spokesman Simon Khaya Moyo said in a statement that the ruling party's top decision-makers had agreed to her dismissal citing 10 reasons. These included plotting to remove Mr Mugabe from office, alleged corruption and bringing the party into disrepute - charges she has previously denied. "The politburo felt that she lacked the quality of strong moral principles, honesty and decency and therefore ceases to be a member of Zanu-PF," Mr Moyo said. Mr Mugabe has not publicly indicated a preferred candidate to take over his presidency. But in December he purged the government of several ministers, including Mrs Mujuru, and appointed Emmerson Mnangagwa as his deputy, making the former justice minister the favourite to succeed him. BBC