31.12.15

2016 será difícil para os produtores de petróleo

- Selon le FMI, la croissance économique mondiale sera décevante en 2016 en raison des problèmes des pays producteurs d’hydrocarbures face aux prix en berne. Qu’en pensez-vous ? Personnellement, je crois qu’une forte baisse des prix du pétrole, comme celle que nous avons connue en 2015, aura inévitablement un impact très négatif sur la croissance économique des pays producteurs et exportateurs de pétrole. En revanche, elle a un impact positif sur la croissance des pays importateurs et consommateurs de pétrole. Donc les effets sont contrastés. Mais, au niveau mondial, il est clair qu’il y a plus de pays qui sont importateurs et consommateurs que de pays qui sont exportateurs. La chute des prix du pétrole est donc plutôt un facteur favorable, dans le court terme, à la croissance économique mondiale. - Globalement, comment prévoyez-vous l’évolution du marché pétrolier en 2016 ? Sur ce plan, il y a deux hypothèses importantes. La première est que l’OPEP ne réduira pas sa production ; la deuxième concerne la situation au Proche-Orient, au Moyen-Orient et en Afrique du Nord qui ne sera pas plus mauvaise qu’elle l’est aujourd’hui en termes de conflit et de sécurité. Si l’on se base sur ces deux hypothèses, la probabilité la plus forte est que 2016 restera une année difficile pour les pays producteurs de pétrole. On devrait garder, pendant une bonne partie de l’année, un excédent de l’offre pétrolière mondiale. Il est aussi presque certain que l’Iran obteniendra une levée partielle des sanctions économiques et en profitera pour augmenter sa production et ses exportations de pétrole, d’autant que le pays a annoncé qu’il a les moyens de mettre plus de pétrole sur le marché dès 2016. Ce sont évidemment des éléments qui ne sont pas positifs pour les pays producteurs de pétrole. Mais il y a quand même un élément positif, à savoir l’impact des prix bas sur l’économie de ces pays producteurs en ce sens que cette baisse des prix est en train de générer des mécanismes qui conduiront à un rééquilibrage des marchés. Lorsque les prix sont très bas, les consommateurs sont incités à consommer plus de produits pétroliers. Cela a un effet favorable sur la demande, mais cela a un effet défavorable sur l’offre. Par voie de conséquence, certains producteurs ont déjà commencé à fermer des puits qui sont devenus peu rentables et dont les coûts de production sont supérieurs au prix de vente. Cela va contribuer à réduire l’excédent de pétrole qui a été la cause principale de la chute des prix. Nous sommes en train de voir déjà ces effets, qui ne sont pas encore spectaculaires, puisque la production pétrolière des Etats-Unis, par exemple, baisse depuis mai 2015 et les compagnies pétrolières ont fortement réduit leurs investissements durant cette année et vont les réduire encore plus en 2016. Il s’agit là d’un certains nombre de signes qui montrent que le marché pétrolier va se rééquilibrer, pas forcément en 2016, mais probablement fin 2016, début 2017 où l’on verra les prix du pétrole repartir à la hausse. - Qu’en sera-il pour l’Algérie ? Aucun pays producteur et exportateur de pétrole n’échappera à ces difficultés, d’autant plus que ces pays sont très dépendants des revenus pétroliers. Les Etats-Unis sont un grand pays pétrolier touché aussi par la baisse des prix du pétrole, sauf que l’économie américaine est diversifiée et ses revenus pétroliers ne sont pas considérables. Les revenus de l’Algérie dépendent à hauteur de 96% des exportations de gaz et de pétrole, le pays est donc frappé par la baisse des prix du brut et le sera encore en 2016. L’avantage de l’Algérie est qu’elle a pu accumuler des réserves de change durant quelques années, mais qui commencent à fondre. La situation est donc préoccupante et dangereuse à moyen terme, mais n’est pas dramatique à court terme. Lyes Mechti Jeune Afrique

29.12.15

Ponto da situação no PAIGC

O Bureau Político (BP) do PAIGC reuniu-se, no Salão Nobre “Amílcar Cabral” da Sede Nacional do Partido, no dia 28 de Dezembro de 2015, na sua VIII sessão extraordinária, presidida pelo Camarada Domingos Simões Pereira, Presidente do Partido, tendo aprovado por unamidade uma agenda de trabalhos onde constava um único ponto; ⦁ Análise da situação política à luz da votação do Programa do Governo na ANP; O início dos trabalhos foi marcado com uma intervenção do Presidente do PAIGC que explicou em linhas gerais todo o processo que antecedeu a sessão plenária da Assembleia Nacional Popular, nomeadamente a efectivação das Jornadas Parlamentares, a VII Reunião Extraordinária do Bureau Político, bem como os alertas jurídico-políticos lançados quando solicitou uma votação clara que evitasse eventuais e desfazadas interpretações jurídicas sobre a votação do Programa do Governo. Seguiu-se um intenso debate e no final das diferentes intervenções de 71 dirigentes presentes e no uso das suas competências estatutárias o Bureau Político delibera nos termos da alínea b) do artigo 32º dos Estatutos: ⦁ Mandatar o Presidente do PAIGC e a Comissão Permanente do Bureau Político para adoptarem medidas conducentes à viabilização do Programa do Governo e a governabilidade do país até o final da presente IX Legislatura; ⦁ Exortar o Conselho Nacional de Jurisdição à prosseguir na via da aplicação de medidas disciplinares na sequência da Resolução da VII Reunião Extraordinária do Bureau Político de 19 de Dezembro de 2015, na qual se apelou ao cumprimento estricto da disciplina de voto, cuja inobservância se configuraria como um acto de traição política, conduzindo a auto-exclusão do Partido, em conformidade com o estatuído nos artigos 55º, conjugado com os artigos 100º a 103º dos Estatutos do PAIGC; ⦁ Convocar a reunião do Comité Central no mais breve espaço de tempo a fim de se debruçar sobre a actual situação política vigente no país; ⦁ Consultar o Comité Central para se debruçar sobre um eventual retorno do Programa do Governo à ANP, de acordo com a decisão da Mesa em relação ao requerimento apresentado pela Bancada Parlamentar do PAIGC; ⦁ Encorajar o Presidente do Partido a manter-se firme e determinado na condução dos destinos do PAIGC na linha que vem imprimindo desde o VIII Congresso realizado em Cacheu; ⦁ Aprovar uma Moção de Solidariedade para o Presidente do PAIGC e para o 1º Vice-Presidente e Primeiro-Ministro; ⦁ Expressar um voto de um rápido restabelecimento ao Presidente da ANP e elogiar a sua firme e esclarecida condução dos destinos do Parlamento guineense; ⦁ Realçar a grande e responsável militância e um elevado espírito de camaradagem que caracterizaram os debates abertos e francos no decurso da VIII Reunião Extraordinária do Bureau Político. Feito em Bissau aos 28 dias do mês de dezembro de 2015, O Bureau Político do PAIGC

28.12.15

Mugabe, há 28 anos Presidente

________________________________________ Faz esta semana 28 anos que o antigo professor Robert Gabriel Mugabe, de etnia shona, secretário-geral da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU) a partir de 1963, se tornou Presidente da República, depois de haver sido primeiro-ministro, logo que o seu país se tornou independente, em 1980. Preso entre 1964 e 1974 pelo governo de minoria branca, de Ian Smith, Mugabe fundiu o seu partido, em 1976, com a União do Povo Africano do Zimbábue (ZAPU), de Joshua Nkomo, dominada pela etnia ndeble, dando lugar à criação da ZANU-Frente Patriótica. Com a esmagadora vitória nas primeiras eleições verdadeiramente livres que abriram caminho ao Zimbábue independente, Mugabe, que se encontrava refugiado em Moçambique, onde então o entrevistei, foi eleito primeiro-ministro; e, com a introdução do sistema presidencialista em 1987, tornou-se Presidente, em substituição do reverendo Canaan Banana, vindo a ser sucessivamente reeleito. Formado em História, Inglês, Direito e Economia, o ex-guerrilheiro Robert Mugabe revelou múltiplas facetas a partir da altura em que chegou ao poder, que nunca mais aceitou abandonar, apesar de em Fevereiro próximo ir completar 92 anos. Se era conciliador, passou a autoritário; e se era marxista isso não o impediu de se tornar multimilionário, com fama de ditador. Na sua primeira década à frente da antiga Rodésia, tratou de alargar o desenvolvimento à generalidade da população, mas depois disso verificou-se uma má administração económica, houve casos de corrupção e a economia decaiu. Tudo poderia ter corrido muito bem se Robert Gabriel Mugabe se tivesse cingido a ser oito anos e meio primeiro-ministro e depois cinco ou 10 anos Presidente da República, retirando-se de cena quando a sua imagem ainda não estava desgastada. O mal de Mugabe, como o de Teodoro Obiang Nguema ou de José Eduardo dos Santos, foi o de não ter sabido reformar-se a tempo, cedendo o lugar a políticos mais novos, com a mente porventura mais arejada. Chegado o século XXI, quando já era altura de ter passado para a rectaguarda, numa confortável reforma, o Presidente do Zimbabue mostrou-se disposto a recorrer a todos os meios ao seu alcance para evitar que surgisse qualquer alternativa, fosse ela no âmbito da ZANU-Frente Patriótica ou a partir da oposição, onde pontificava Morgan Tsvangirai. A hiperinflação e a polémica reforma agrária, que afastou 4.000 fazendeiros brancos, fizeram com que a imprensa da antiga potência colonial, o Reino Unido, se encarniçasse contra a perpetuação de Mugabe no poder. Tendo a seu lado Grace Marufu, a segunda mulher, 41 anos mais nova, o Presidente da República parece julgar-se imortal, desbaratando a boa imagem que em tempos teve, quando era possível colocá-lo na primeira fila dos que lutaram por uma África melhor, como Nelson Mandela. O curioso de situações como estas é que outros dirigentes africanos fecham os olhos a toda a espécie de irregularidades, havendo uma solidariedade tácita entre políticos de diversos matizes, como se acaso a denúncia de práticas menos correctas fosse uma traição à luta comum que muitos travaram para que o continente se tornasse independente, livre do jugo dos europeus ou seus descendentes. Quando ainda nem sequer tinha 30 anos, Mugabe decidiu ajudar os seus compatriotas a autodeterminarem-se. Conseguiu isso em 1980, depois de sete anos de guerrilha. Avançou depois para a chefia do Estado, em 1987, mas não soube parar na devida altura, na viragem do século. O filho de Gabriel e de Bona Mugabe, o homem que já foi casado com Sally Heyfron, do Ghana, antes de ter desposado Grace Marufa, deveria estar hoje em dia tranquilamente sentado em sua casa, talvez a escrever as memórias, que tão ricas são, e não de forma alguma à frente de um país que necessita agora de dirigentes muito mais novos. É certo que em 1988 recebeu o African Leadership Prize, mas isso já foi há 27 anos, é preciso não esquecer, e ninguém pode ficar tanto tempo apegado ao passado, por mais brilhante que ele tivesse sido. Mugabe foi grande, ninguém o nega. Teve o estatuto de herói e, por isso mesmo, não deveria querer ficar nos compêndios de História como um ditador.

27.12.15

Boko Haram, corja de assassinos

Au moins 14 personnes ont été tuées et plusieurs autres blessées par des combattants du groupe islamiste Boko Haram, dans une attaque vendredi contre un village du nord-est du Nigeria, a-t-on appris samedi auprès de membres des milices d'autodéfense. Arrivés à vélo, les jihadistes ont investi le village de Kimba dans l’Etat de Borno vers 22H00 (21H00 GMT) vendredi. Ils ont ouvert le feu sur les villageois et incendié leurs maisons. « Les hommes armés ont tué 14 personnes et brûlé le village avant de prendre la fuite », a déclaré à l’AFP Mustapha Karimbe, un vigile qui assiste l’armée dans sa lutte contre Boko Haram. « Pas une seule maison n’a été épargnée par les flammes », a dit un autre, Musa Suleiman, après d’être rendu dans cette localité dévastée. Des centaines d’habitants de Kimba ont fui vers la ville de Biu où ils ont été admis dans un camp de réfugiés déjà rempli de personnes elles aussi déplacées à la suite de raids de Boko Haram. Cette nouvelle attaque est survenue quelques jours après que le président du Nigeria Muhammadu Buhari eut affirmé que la guerre contre Boko Haram avait « techniquement » été gagnée et à moins d’une semaine de la date-limite du 31 décembre qu’il a lui-même fixée pour venir à bout de ce groupe jihadiste. M. Buhari, qui a pris ses fonctions en mai, a été élu en début d’année sur un programme dans lequel il promettait d’écraser l’insurrection de Boko Haram déclenchée en 2009 dans le nord-est du Nigeria pour imposer un Etat islamique et ayant fait plus de 17.000 morts. Les forces de sécurité sont parvenues à reprendre des territoires à Boko Haram, mais les jihadistes continuent de régulièrement attaquer des villages reculés. Jeun Afrique

22.12.15

A irresponsabilidade de Passos Coelho

O estouro do Banif é um exemplar manifesto de incompetência, irresponsabilidade e dolo. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu com o BES, não se conhecem actos de manipulação de informação relevante nem práticas de gestão suspeitas de condutas criminosas. Quando António Costa nos deu conta da resolução do Banif e da brutal factura que todos teremos de pagar, foi muito fácil constatar que este era um desastre cada vez mais evidente a cada adiamento, a cada varrer do lixo para baixo do tapete, a cada hesitação denunciadora da falta de coragem. Desde Dezembro de 2014 que se sabia que o Banif não conseguia assumir os seus compromissos com o Estado, desde sempre que se conhecia o criticismo e receio com que a Direcção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia olhava para a forma como o Governo geria a situação. Os oito planos de reestruturação chumbados eram prova cabal de que o tempo não resolveria coisa nenhuma. Nestes três anos, Maria Luis Albuquerque, Pedro Passos Coelho e o Governador do Banco de Portugal limitaram-se porém a tergiversar, a prometer soluções que ora não avançavam por causa da saída limpa, ora ficavam congeladas por causa do calendário eleitoral. Quando Bruxelas anunciou que a brincadeira estava para acabar (este fim-de-semana), bastou uma notícia especulativa na TVI para que mil milhões de euros desaparecessem do balanço e a salvação do Banif passasse a ser feita à custa dos impostos. A aura de Pedro Passos Coelho como político responsável, que quer que “se lixem as eleições”, apagou-se nessa conta astronómica. Já se sabia que os cidadãos teriam de pagar alguma coisa, mas três mil milhões de euros é um custo demasiado alto para que a sua gestão neste caso mereça um mínimo de condescendência. Editorial do PÚBLICO

21.12.15

A morte no Afeganistão

Six NATO soldiers, including three US troops, have been killed in an attack on a patrol near Bagram Air Base in the eastern Afghan province of Parwan. Bagram District Governor Abdul Shukur Qudusi said on Monday that an attacker on a motorbike rammed it into a joint US-Afghan patrol near Bagram, killing six NATO troops, including three from the US, and injuring six other soldiers, including three with the Afghan police forces. Officials in NATO headquarters in the capital Kabul confirmed the attack, saying they have launched an investigation into the incident. The police chief of Parwan said more details could emerge of the foreign troops casualties in the coming hours, confirming that three Afghan police forces were also wounded in the attack. Taliban claimed responsibility for the attack, with spokesman Zabihullah Mujahid claiming in a tweet that 19 US soldiers were killed near the military facility. Washington kept around 9,800 US troops in Bagram, located around 40 km (25 miles) north of Kabul, after it decided to pull out the bulk of its forces from Afghanistan last year. The attack on foreign troops comes more than a week after Taliban targeted a guesthouse of the Spanish embassy in Kabul and another air base in the southern province of Kandahar. Taliban on Sunday tightened its grip on the southern province of Helmand by taking control of the district of Sangin. Officials later said the group had taken control of all police and military installations in the area adding Helmand was on brink of falling to the militants. The US and its allies invaded Afghanistan in 2001 as part of Washington’s so-called war on terror. The offensive removed the Taliban from power, but after 14 years, militants are continuing their deadly attacks across the country. The Guardian

Nô Pintcha, Guiné-Bissau!

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, elogiou, na terceira semana de Dezembro, o antigo dirigente nigeriano Olesegun Obasanjo por ter ajudado a resolver, pelo menos por agora, a crise política guineense deste ano. Se bem que ainda se encontrem em vigor sanções internacionais contra os golpistas de 2012, e se bem que o Tribunal Militar continue a querer julgar o contra-almirante Zamora Induta, alegadamente por ter patrocinado um contragolpe, José Mário Vaz entende que se evitou o pior. E, por isso, foi a Abuja agradecer os bons ofícios de Obasanjo, que considerou um orgulho do continente africano. As Nações Unidas consideram que é preciso continuar de olho em cima do general António Indjai e dos demais militares que em 2012 impediram a concretização das presidenciais, que quase pela certa iriam colocar na Presidência da República o então primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, "Cadogo" Júnior. E o tribunal dos militares mantém-se com as baterias apontadas a Zamora Induta, o grande rival de Indjai nas fileiras castrenses. Mas, ao menos, conseguiu-se evitar durante o ano que ora finda que as Forças Armadas tivessem interferido no conflito que opôs o Presidente José Mário Vaz às estruturas do seu próprio partido, o PAIGC, liderado por Domingos Simões Pereira. Depois de Vaz, muito amigo do Presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, ter afastado Simões Pereira de primeiro-ministro e o haver substituído por alguém da sua própria escolha, Baciro Djá, Obasanjo conseguiu contribuir para uma solução de compromisso: o primeiro-ministro não seria Domingos Simões Pereira nem uma pessoa aliada ao chefe de Estado, mas sim Carlos Correia, um veterano, que já anteriormente desempenhara esse cargo mais do que uma vez, nos tempos do Presidente João Bernardo Vieira, "Nino". Por isso, por a Nigéria ter servido de medianeira, José Mário Vaz foi desejar um "Feliz Natal" ao seu homólogo Mohammed Buhari, que por acaso até é muçulmano, como o é Yahaya Jameh, que acaba de proclamar a Gâmbia uma República Islâmica, a exemplo do Irão, do Afeganistão e da Mauritânia. A Guiné-Bissau é agora um país em paz e, ao contrário do que se poderia temer, o seu Índice de Desenvolvimento Humano até nem é um dos seis piores que se encontram no mundo, a avaliar pelas mais recentes estatísticas das Nações Unidas. O Mali e o Níger, por exemplo, encontram-se mais abaixo na escala. Como o seu território não é muito grande, com populações a largas centenas de quilómetros da capital, e como nem sequer tem ainda dois milhões de habitantes, lá se vai aguentando, umas vezes melhor e outras pior, evitando ficar mesmo na cauda da humanidade. Os guineenses têm petróleo e muitos outros recursos naturais, que se forem bem aproveitados, sem mais crises, os poderão retirar da pobreza crónica em que têm vivido desde que se tornaram independentes. Na altura em que Portugal reconheceu a independência da Guiné-Bissau, o Presidente Luís Cabral deparava-se com a triste realidade de o novo Estado se encontrar com os cofres vazios. Mas agora os novos dirigentes terão meios para os encherem, se acaso forem honestos e não andarem com constantes guerrilhas entre si. Uma vez esclarecidos os equívocos constitucionais, com o Presidente da República, a Assembleia e o Governo cada um no seu lugar, sem tentar interferir no que não lhes cabe, o país onde nasceu Amílcar Cabral poderá encetar 2016 com uma esperança renovada. O que o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que é maioritário, precisa para isso é de limar arestas, de saber reduzir o ego de alguns dos seus dirigentes, de modo a que todos juntos possam verdadeiramente dizer "Nô Pintcha" (Vamos Avançar)! Publicado por JH no África Monitor