31.1.16

Mugabe nunca se cala

Son discours était prévu pour durer 10 minutes. Finalement, il a parlé près d'une heure. Pour sa dernière intervention en tant que président de l'Union africaine (UA) le 30 janvier, le Zimbabwéen Robert Mugabe s'est lancé dans une longue diatribe anti-occidentale entrecoupée d'ovations. Barack Obama, les Nations unies, les Européens... Tout le monde en a pris pour son grade. Extraits. Sur Barack Obama : « Aujourd’hui, nous sommes libres. Mais nos ancêtres ne l’étaient pas. On a envoyé des Noirs de l’autre côté de l’atlantique. […] Maintenant, il y a Obama, c’est vrai. Mais qui est-il ? Une voix à qui l’on fait parler leur langage. Qui fait ce qu’ils veulent faire. » Sur les ONG : « [Les Occidentaux] sont partout en Afrique. S’ils ne le sont pas directement, c’est par l’intermédiaire d’ONG, d’espions, des imposteurs qui prétendent venir ici pour nous aider. Mais quelle aide nous apportent-ils ? » Sur les Nations unies : « Les patrons, au Conseil de sécurité disent : « Vous n’aurez jamais le même pouvoir que nous, les membres permanents. » Nous avons demandé, demandé et demandé : réformez le Conseil de sécurité. M. Ban Ki-moon, vous êtes un homme bon. Mais nous ne pouvons pas faire de vous notre combattant. […] Si les Nation unies doivent survivre, nous devons en être des membres égaux. […] M. Ban Ki-moon, leur avez-vous déjà dit que nous sommes aussi des êtres humains ? » Sur les Occidentaux « Laissez-moi dire un mot de mon mépris du sommet sur les migrations de La Vallette avec nos amis européens. J’ai trébuché sur cette expression, mais j’ai finalement réussi à la prononcer… « Nos amis européens ». À la dernière minute, nous avons appris que seuls certains d’entre nous seraient invités. Bien que nous soyons affectés différemment par les migrations, nous devons avoir une approche collective. » « Le siège des Nations unies [à New-York] est mal placé. Il y a 1,2 milliard de personnes en Inde, 1,3 milliard en Chine, un milliard en Afrique. Mettez les visages blancs avec des grands nez en comparaison… Un pour un… Et ces gens osent encore parler de changement de régime ? Mugabe devrait partir ? Dites leur de fermer leurs bouches. » Sur son avenir : « Je réaffirme ma confiance au nouveau président, le chef de l’État tchadien. Je serai là si vous avez besoin de moi. Je le resterai jusqu’à ce que Dieu me rappelle. Jusqu’à ce jour vienne, j’aurai du punch. » Pierre Boisselet Jeune Afrique

30.1.16

Bjijagós servem para armazenar droga

A existência do corredor, conhecido por Brazilian Connection (rota brasileira) que começa no Brasil, atravessa ex-colónias portuguesas em África, como a Guiné-Bissau, e termina em Portugal ou em Espanha, é admitida pelas autoridades guineenses. As características do arquipélago dos Bijagós – um conjunto de cerca de 90 ilhas, a maior parte das quais desertas, e menos de 1.500 habitantes – e a sua localização estratégica tornaram-no no mais apetecível destino das drogas provenientes da América do Sul, onde ficam armazenadas à espera de serem enviadas para a Europa. Mas não são só estes atrativos que contribuíram para que o arquipélago se tornasse em “placa giratória” do tráfico de droga internacional. “A situação socioeconómica da população associada (…) à falta de capacidades institucionais e operacionais para combater o tráfico ilícito internacional e o crime organizado constituem fatores prováveis de atracão de organizações e redes de crime organizado”, refere um documento do Ministério da Justiça guineense facultado à agência Lusa. Mais precisamente, a “total falta de equipamentos de investigação e operacionais” tem como resultado a “quase ausência de policiamento no território nacional e nas fronteiras”, facilitando qualquer tipo de atividade ilícita, precisa o documento.  “Uma pessoa que não recebe há muitos meses pode cair na tentação de deixar passar droga por algum dinheiro. Esse é outro dos problemas que estamos a enfrentar neste momento”, disse o diretor-geral da PJ guineense. A mesma posição foi defendida pelo diretor-geral da Polícia Judiciária guineense, Orlando Silva, que disse que o combate ao tráfico de droga é “bastante complicado, porque além da falta de material, há também falta de homens qualificados”. Por outro lado, Orlando Silva salientou que “as ilhas dos Bijagós praticamente não fazem parte da Guiné-Bissau, porque não há um controlo do Estado e os traficantes conhecem essas fraquezas e instalam-se lá a seu bel-prazer, estando neste momento a armazenar”. Esta falta de controlo do Estado também está patente, segundo o documento do Ministério da Justiça, na facilidade em adquirir um passaporte guineense e na falta de segurança no aeroporto e dos portos do país. O documento refere mesmo o aumento de grupos nigerianos de crime organizado na Guiné-Bissau, que, por norma, utilizam pessoas com malas para o transporte de droga. As condições socioeconómicas da população também são um atrativo para os traficantes de droga, com poder económico para subornar pessoas que na maioria dos casos estão com meses de ordenados em atraso. A debilidade das autoridades guineenses, da população e das infraestruturas do país são a principal razão para a Guiné-Bissau se ter tornado numa “placa giratória” do mercado do tráfico de cocaína. “Uma pessoa que não recebe há muitos meses pode cair na tentação de deixar passar droga por algum dinheiro. Esse é outro dos problemas que estamos a enfrentar neste momento”, disse o diretor-geral da PJ guineense. Segundo fontes citadas pela agência noticiosa da ONU, IRIN, aquela situação está a ameaçar a estabilidade do governo, porque os traficantes de droga estão a conseguir subornar funcionários de ministérios, militares e policias. A debilidade das autoridades guineenses, da população e das infraestruturas do país são a principal razão para a Guiné-Bissau se ter tornado numa “placa giratória” do mercado do tráfico de cocaína. Isabel Marisa Serafim, Lusa

Bijagós ao serviço do narcotráfico

Segundo relatórios de inteligência e da UNODC(organismo das Nações Unidas para o combate à droga), a cocaína cruza o Atlântico desde Venezuela à África em aviões de carga e barcos mercantes até aeroportos e portos como Dakar (Senegal) e Accra (Ghana), onde os carregamentos são divididos e transportados à Europa por velhas rotas de contrabando terrestres e marítimas. Na África ocidental, países inteiros caíram nas mãos dos cartéis. O valor da cocaína que transita por países como Guiné-Bissau com direção à Europa multiplica várias vezes o tamanho de sua economia. Essa região inclui 10 dos 20 países mais pobres o mundo, o que os faz especialmente vulneráveis ao poder corrupto do crime organizado multinacional. A UNODC estimou que só em 2006 cerca de 40 toneladas de cocaína, com um valor de mercado de 1,8 bilhões de dólares, transitaram pela região. Segundo Antonio Mazziteli, ex-diretor da UNODC, o governo da Guiné-Bissau “vendeu” em 2009 o acesso a várias das 90 ilhas do arquipélago de Bijagós aos narcotraficantes para que as utilizassem como trampolim de seus embarques para Europa. No dia 1 de março de 2009, o chefe do exército desse país, general Batista Thagme Na Waie, morreu em uma explosão e horas depois, o presidente João Bernardo Vieira foi assassinado por soldados do exército. Provavelmente ambos os crimes foram cometidos por militares comprados pelo narcotráfico. Nenhum desses dois crimes foi resolvido. - See more at: http://diplomatizzando.blogspot.pt/search/label/narcotrafico#sthash.ROdWeW4J.dpuf

Bissau: Força Aérea sem aviões

On leaving Bissalanca by 1973-74, the Portuguese Air Force left three North American T-6Gs. After achieving independence from Portugal, the air force was formed by officers returning from training in Cuba and the USSR. The FAGB was re-equipped by the Soviet Union with a limited aid package in which its first combat aircraft were introduced. Five MIG-17s and two MiG-15UTI trainers entered service with a single Mi-8 helicopter. In 1978 France provided more aircraft aid in the form of a Reims-cessna FTB.337 for coastal patrol and a surplus Alouette III. A Dassault Falcon 20F was donated by the Angolan government but was soon sold to the USA. In the late 1980s a similar number of MiG 21s replaced the MiG 17s, also delivered an AN-24, a YAK-40 and another Mi-8 helicopter. In the early 90s they received ex-polish PZL-Mielec Lim-6 Fresco fighter bombers from Poland and East Germany. The force's title was changed to Força Aérea da Guiné-Bissau (FAGB) after the outbreak of the civil war in 1998.[9] Cooper and Weinert state 'when sighted for the last time in ..1991, most of the [MiG] fleet was in 'storage' inside several hangars on the military side of Bissalanca IAP (Osvaldo Vieira International Airport), and in a deteriorating condition.' As of 2015 Guinea-Bissau has no aircraft in flying condition, with the last know type a SE.3105 helicopter, which ceased operating in 2011. Wikipedia O Chefe do Estado-Maior desta Força Aérea sem aviões, Ibraima Papa Camará, foi considerado pelos EUA um dos barões da droga, mas ninguém o prendeu, ao contrário do que aconteceu com o almirante Bubo Na Tchuto, agora numa prisão norte-americana.

Bissau: As Forças Armadas

Major General Batista Tagme Na Waie was chief of staff of the Guinea-Bissau armed forces until his assassination in 2009. Military unrest occurred in Guinea-Bissau on 1 April 2010. Prime Minister Carlos Gomes Junior was placed under house arrest by soldiers, who also detained Army Chief of Staff Zamora Induta. Supporters of Gomes and his party, PAIGC, reacted to the move by demonstrating in the capital, Bissau; Antonio Indjai, the Deputy Chief of Staff, then warned that he would have Gomes killed if the protests continued. The EU ended its mission to reform the country's security forces, EU SSR Guinea-Bissau, on 4 August 2010, a risk that may further embolden powerful generals and drug traffickers in the army and elsewhere. The EU mission's spokesman in Guinea-Bissau said the EU had to suspend its programme when the mastermind of the mutiny, General Antonio Indjai, became army chief of staff. "The EU mission thinks this is a breach in the constitutional order. We can't work with him". International drug trade The multitude of small offshore islands and a military able to sidestep government with impunity has made it a favourite trans-shipment point for drugs to Europe. Aircraft drop payloads on or near the islands, and speedboats pick up bales to go direct to Europe or onshore. UN chief Ban Ki-moon has called for sanctions against those involved in Guinea-Bissau's drugs trade. Air Force head Ibraima Papa Camara and former navy chief Jose Americo Bubo Na Tchuto have been named "drug kingpins". Angolan assistance Angola, at the presidency of the Community of Portuguese Language Countries (CPLP) since 2010, has since 2011 participated in a military mission in Guinea-Bissau (MISSANG) to assist in the reform of defence and security. MISSANG had a strength of 249 Angolan men (both soldiers and police officers), following an agreement signed between the defence ministers of both countries, as a complement to a Governmental accord ratified by both parliaments. The Angolan assistance mission included a programme of technical and military cooperation focused on a reform of the Guinean armed forces and police, including the repair of barracks and police stations, organisation of administrative services and technical and military training locally and in Angolan institutions. The mission was halted by the Angolan Government, following a politico-military crisis that led to the ousting of the interim president of Guinea- Bissau, Raimundo Pereira, and the prime minister, Gomes Júnior. By 22 June 2012, the Angolan vessel Rio M'bridge, carrying the mission's equipment, had arrived back in Luanda. Wikipedia

Bissau: O narcotráfico é quem mais ordena

LE MONDE| Le 29.06.2009 Au coeur de la nuit, le bar sans nom sur le port de Bissau semble la seule lumière dans l'obscurité d'une ville privée d'éclairage public. Sous l'ampoule anémique se laisse deviner une mince parcelle du trafic de drogue à échelle industrielle qui s'est développé en Guinée-Bissau, pays d'Afrique de l'Ouest ravagé par la pauvreté, une guerre civile (1998-1999) et une culture nationale de l'assassinat politique. Assis à une table, l'homme est nerveux. Carlos, appelons-le ainsi, a le bout du nez brûlé par la consommation de crack (dérivé de cocaïne) fumé dans des petites pipes. La flamme du briquet a laissé les chairs à vif. Carlos préfère affirmer qu'il a été blessé d'un coup de dent rageur de sa petite amie. Notre compagnon s'agite dans son bleu de chauffe taché. Il renverse sa bière, lève les bras au ciel, s'impatiente. Ce soir, il attend l'équipage d'un cargo italien auquel il dit avoir prêté main-forte pour charger discrètement de la cocaïne. A présent, le capitaine doit le "récompenser" en nature. Pour achever la transaction, il les suivra dans les bars du centre, où sont attablés des hommes silencieux, lunettes noires, 4 × 4 garés à proximité, et qui rient aux éclats quand on leur demande ce qu'ils font dans la vie. Ce ne sont là que les petits parrains locaux, notamment nigérians, de la redistribution locale de cocaïne. Pour le gros du trafic, il faut sillonner les quartiers périphériques, fureter à proximité des villas où les responsables sud-américains et leurs hommes gèrent les arrivées et les départs de tonnes de cocaïne, tout en évitant de se montrer. Réseau global et consommation locale, gros profits et risques d'explosion politique, voici résumé à grands traits l'impact de la transformation brutale d'un petit pays perdu en plate-forme de réexportation de la cocaïne sud-américaine vers l'Europe. Le problème est régional, à la taille de l'Afrique de l'Ouest. Depuis 2005, "au moins 46 tonnes" de cocaïne ont transité en Guinée-Bissau et dans les pays voisins, relève le Bureau des Nations unies contre les drogues et le crime (ONUDC). La valeur de cette cocaïne en transit ? Près de 2 milliards de dollars (1,4 milliard d'euros) chaque année. De quoi faire tourner les têtes en Guinée, au Ghana, en Sierra Leone ou dans les pays voisins, têtes de pont du réseau. Le volume du trafic croît, les prises s'espacent, le système politique se laisse gangrener par les narcodollars : la cocaïne promet des lendemains violents en Afrique de l'Ouest. La Guinée-Bissau est la première touchée. Les assassinats politiques liés à des querelles entre groupes militaires et politiques rivaux s'y multiplient. Certains responsables bissau-guinéens auraient constitué des milices avec l'argent des trafiquants, dans l'attente du résultat de l'élection présidentielle de ce dimanche 28 juin. "C'est un pays tellement fragile", soupire Franco Nulli, délégué de la Commission européenne dans le pays, avant de rouler des yeux à la première question sur la drogue et de vous congédier. La Guinée-Bissau ne s'est pas encore transformée en narco-Etat. Les cartels ne s'y livrent pas à des règlements de comptes sanglants dans les rues assoupies du centre-ville, leurs chefs étant plus soucieux de discrétion que de rivalités suicidaires. Mais, déjà, la consommation locale de drogue s'envole. Les groupes de la région impliqués dans les trafics (notamment nigérians et mauritaniens), souvent payés en cocaïne, ont la gâchette facile et la lame de couteau rapide. Et en dépit de l'aide de l'ONUDC à l'appareil judiciaire, les trafiquants vivent dans l'impunité, alors que la politique locale est déjà sous influence des narcotrafiquants. Antonio Mazitelli, représentant régional de l'ONUDC, constate : "Les cartels utilisent le pays comme base logistique en profitant de l'existence de groupes rivaux au sein du pouvoir. Pour l'instant, le plus dangereux, c'est la compétition entre les groupes locaux qui gèrent la dimension locale du trafic." Car la compétition entre petits réseaux de "mules" fait déjà des morts. Luis Vaz Martins, avocat et président de la Ligue guinéenne de défense des droits de l'homme, essaie d'enquêter sur le sujet : "La cocaïne tue, surtout lorsqu'un groupe retient une certaine quantité de drogue qu'il doit livrer pour maintenir la pression sur ceux qui doivent payer." Il travaille avec une prudence de chat sur le cas de deux commerçants libanais récemment criblés de balles dans son voisinage, et sur de curieux assassinats en mer, "lorsque des éléments concurrents de la marine se sont tiré dessus". Un groupe de responsables militaires avait développé des aires d'atterrissage dans le sud du pays. Notamment à Kufar, juste à côté d'une caserne. Les "Gulf Stream" avec des systèmes de ravitaillement pour traverser l'Atlantique y atterrissaient avec, dans leurs soutes, "une tonne à une tonne et demie de cocaïne", estime un expert. L'intervention de l'ex-chef d'état-major, Tagmé Na Wai, a été décisive pour bloquer le trafic, en faisant fermer des pistes et en menaçant d'abattre tout avion survolant le territoire bissau-guinéen. Depuis, le trafic emprunte d'autres voies, par mer, arrivant dans les îles Bijagos, où abondent d'étranges petits hôtels sans clients, ou par air. "On peut organiser des atterrissages n'importe où. On arrive à construire une piste en deux semaines", commente, abattu, M. Mazitelli. Pendant ce temps, la violence gagne. Tagmé Na Wai a été pulvérisé dans un attentat en mars, entraînant l'assassinat du président de la République, Nino Vieira. Des morts prévisibles ? "Tagmé leur a fermé le robinet, assure une source judiciaire qui supplie pour ne pas être identifiée. Il fallait s'attendre à une vengeance." Jean-Philippe Rémy - BISSAU ENVOYÉ SPÉCIAL

29.1.16

O jihadismo nasceu no Sudão

Deux événements ont eu lieu presque simultanément, les 15 et 16 janvier. Le premier à Ouagadougou, au cœur de l'Afrique, le second à Vienne, au centre de l'Europe. Je me propose de vous dire comment je les perçois et ce que j’en pense. * 1) Les jihadistes ont frappé une nouvelle fois en Afrique ; le vendredi 15 janvier, ils ont tué trente personnes dans un hôtel de Ouagadougou, capitale du Burkina. Pratiqué par des hors-la-loi et des laissés-pour-compte du système, le jihadisme est avec nous depuis plus d’un quart de siècle. Réinventé et perfectionné par Al-Qaïda, qui fait aujourd’hui figure d’ancêtre, il a été repris depuis peu par son rejeton, Daesh. On a tendance à oublier que ce jihadisme est né en Afrique, plus précisément au Soudan, et que ses premiers faits d’armes, à la fin du siècle dernier, ont eu pour cibles des ambassades américaines en Afrique de l’Est. Il a prospéré en Algérie dans les années 1990, puis en Somalie ; on l’a combattu dans ces deux pays sans jamais parvenir à l’éradiquer. Des « émirs » ont remplacé ceux qui ont été tués ou qui ont renoncé. Ils ont maintenu la flamme, ou l’ont rallumée lorsqu’on la croyait éteinte et ont appris à franchir les frontières. Le phénomène a ensuite gagné l’Afghanistan, a sévi au Moyen-Orient, a frappé l’Amérique, l’Europe et l’Asie. Bref, il est devenu mondial. J’ai cité ici même, la semaine dernière, la description juste qu’en a fait Barack Obama dans son discours sur l’état de l’Union : « C’est une grave menace parce qu’il suffit d’une poignée de terroristes qui n’accordent aucune importance à la vie humaine, y compris à la leur, pour que le danger soit réel. […] Les jihadistes essaient de se faire passer pour les représentants de l’une des plus grandes religions du monde. C’est un mensonge, car ils ne sont que des fanatiques et des tueurs qu’il faut traquer, déraciner et détruire. […] L’instabilité et le tumulte qu’ils ont créés vont peut-être durer des décennies. » * Ce jihadisme est revenu en Afrique, et tout indique qu’il va gagner du terrain. En 2015, il a frappé plusieurs fois au Nigeria, en Tunisie et en Égypte, puis au Mali et, ce 15 janvier, au Burkina. La base arrière libyenne où il est en train de s’installer, où il peut s’entraîner, trouver armes et refuge, va lui permettre d’acquérir une dimension nouvelle et d’embrasser une aire africaine plus large. Attendons-nous à voir l’armée française prolonger son séjour dans les pays du Sahel ; elle mobilisera des moyens supplémentaires, français et européens. Que Barack Obama le veuille ou non, lui-même, dès 2016 – ou, dans un an, son successeur -, engagera, lui aussi, plus de moyens dans la lutte contre le jihadisme en Afrique. Les pays subsahariens de la zone sahélienne, Nigeria inclus, sont déjà sur le pied de guerre, guettant les allées et venues des chefs jihadistes, écoutant leurs échanges, s’efforçant de déjouer leurs prochains coups : le continent africain est en passe de devenir l’un des principaux théâtres des opérations jihadistes. La rivalité et la surenchère entre Al-Qaïda et Daesh sont plus nettes en Afrique qu’ailleurs et se feront sentir de plus en plus. Le fait que les jihadistes soient souvent africains et qu’on puisse en recruter facilement sur le continent va compter chaque jour davantage. * Les meilleurs spécialistes assurent que le nombre total de jihadistes dans le monde (incluant ceux qui sont seulement des soutiens) n’atteint pas 70 000, hommes ou femmes, la plupart jeunes. Sur les plus de 7 milliards d’êtres humains, il y aurait donc moins de 1 jihadiste ou sympathisant pour 100 000 personnes. Mais, depuis près de trois décennies qu’ils évoluent parmi nous, leur nombre se maintient ou s’accroît. Ils représentent un danger de plus en plus grand parce qu’ils ont décidé de tuer d’une manière aveugle – et d’aller au-devant d’une mort probable, voire certaine. Le phénomène n’est pas nouveau, mais a acquis une dimension mondiale. À ce jour, nul n’a trouvé la manière d’en venir à bout. * 2) L’Iran est de retour sur la scène mondiale. Quatorze ans se sont écoulés depuis ce jour de janvier 2002 où George W. Bush a placé l’Iran dans « l’axe du mal ». Ce 16 janvier 2016, Barack Obama l’en a fait sortir. Pourquoi a-til pris le contre-pied de son prédécesseur ? Pour bien des raisons, dont celle-ci, jamais mise en avant, et que je vous dévoile. Elle est peu connue, mais elle a beaucoup compté. Ceux qui connaissent le Moyen-Orient savent que les peuples arabes, majoritairement sunnites pour la plupart, n’aiment pas les Américains. Ils accusent les dirigeants des États-Unis, à juste titre, de soutenir les pouvoirs dictatoriaux qui les oppriment et ils pensent que ces pouvoirs sont « vendus à Washington ». En règle générale, les peuples arabes du Moyen-Orient se méfient de l’Amérique, lui prêtent l’habitude de conspirer avec leurs dirigeants contre eux. C’est un fait que la plupart de ces dirigeants sont inféodés à l’Amérique, parce qu’elle les a installés au pouvoir et/ou les protège. Ils tombent lorsqu’elle leur retire son soutien ou décide de les remplacer. En Iran, depuis que le chah a été renversé par la révolution islamique et que son pouvoir a été remplacé par celui des mollahs, c’est exactement l’inverse. Sauf exception, les dirigeants de la République islamique d’Iran, à commencer par le Guide Ali Khamenei, sont antiaméricains. Ils pensent que les États-Unis ne veulent pas d’eux au pouvoir et cherchent à les en écarter. Le peuple, lui, est très proaméricain. Les élites et la jeunesse de ce pays admirent les États-Unis, connaissent et apprécient leurs arts, leur culture et leurs technologies. Obama a voulu ignorer l’hostilité des dirigeants iraniens, dont il pense qu’ils ne seront plus là dans cinq ou dix ans, pour miser sur la nouvelle génération, qui sera au pouvoir dans dix ou quinze ans, lorsque l’accord sur le nucléaire iranien, conclu pour dix ans devra être renégocié. * Quoi qu’il en soit, l’Iran – un grand pays et un grand peuple de 80 millions d’habitants – est de retour sur la scène mondiale. Israël excepté, c’est le mieux éduqué du Moyen-Orient. Plus tôt les pays arabes et Israël accepteront ce fait important, mieux cela vaudra. Pour eux et pour la région. Béchir Ben Yahmed Jeune Afrique