7.12.16

O fim da tirania de Jammeh

Bissau,06 Dez 16(ANG) - A Liga Guineense dos Direitos Humanos esta satisfeita  com a derrota de Yaya Jammeh nas eleições presidenciais da Gâmbia e considera ter chegado ao fim um regime de medo e tirania.

A Liga felicita "calorosamente o povo gambiano pela determinação e coragem de vencer o medo e fazer triunfar a liberdade" ao escolher uma personalidade da oposição para ser novo Presidente do país, anunciou a organização em comunicado na segunda-feira.

"O povo gambiano libertou-se de um tirano que o reprimiu durante 22 anos", considera a Liga Guineense dos Direitos Humanos, que quer agora ver levados à justiça todos os elementos do regime derrotado nas urnas.

Para a Liga, Yaya Jammeh personificou um regime ditatorial que assassinou "centenas de pessoas" e forçou ao exílio de opositores, nomeadamente artistas, clérigos e militares.

Entre os que terão morrido às ordens do Presidente gambiano, a organização guineense destaca "o iminente e destacado jornalista Deyda Hydara, editor do jornal ‘The Point'" que terá sido "barbaramente assassinado no dia 16 de dezembro de 2004, pelo NIA, esquadrão de morte do regime derrotado".

Adama Barrow, 51 anos, foi eleito na quinta-feira como novo líder do país.

A Gâmbia é um pequeno país rodeado pelo Senegal e que conta com uma forte comunidade de emigrantes da Guiné-Bissau.

O país é considerado um ponto estratégico no comércio internacional da Guiné-Bissau por ser uma das principais fontes de abastecimento do mercado guineense com produtos alimentares e carburantes.

ANG/Lusa

Bissau: Quando te Vaz?

Bissau,06 Dez 16(ANG) - O Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI) com a crise política na Guiné-Bissau voltou a pedir o afastamento do presidente guineense, José Mario Vaz, da chefia do Estado.

Segundo a RFI, o Movimento  voltou  a afirmar a sua determinação de ver José Mário Vaz  partir da presidência  e acusam-no de  ser o responsável pelo impasse político que se verifica no paí
s.

O advogado Sana Canté é o presidente do Movimento que reagrupa essencialmente jovens que não concordam com a crise política. Este afirmou nomeadamente que "o Presidente da República tem que renunciar das suas funções porque revelou ser incapaz de pôr fim à crise que ele criou".

Na quarta-feira, o Movimento de Cidadãos Inconformados com a Crise Política, terá uma audiência com uma delegação da Comissão dos Assuntos Políticos da ONU que se encontra de visita à Bissau.

Será ocasião para que o Movimento transmita à ONU que a solução da crise guineense passa necessariamente pela renúncia do Presidente José Mário Vaz.

Os jovens do Movimento prometem intensificar a luta e anunciam uma manifestação já no próximo sábado em Bissau. 

Esta segunda-feira o Movimento fez seguir para o tribunal da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO), uma queixa-crime contra o Estado guineense que acusa de proibir as manifestações dos Cidadãos Inconformados com a Crise Política.

ANG/RFI

3.12.16

Angola: A vez de João Lourenço

Currículo do homem escolhido para vir a liderar o MPLA:   João Manuel Gonçalves Lourenço, nascido aos 05 de Março de 1954 na cidade do Lobito, filho de Sequeira João Lourenço, natural de Malange, e de Josefa Gonçalves Cipriano Lourenço, natural do Namibe, enfermeiro e costureira respectivamente, ambos já falecidos.

Fiz meus estudos primários e secundários na província do Bié, onde meu pai se encontrava na situação de residência vigiada por 10 anos após ter estado preso por 3 anos na prisão de São Paulo em Luanda, pelo exercício de actividade política clandestina enquanto enfermeiro do Porto do Lobito.

Dei continuidade aos estudos em Luanda no então Instituto Industrial de Luanda.

Após a queda do regime fascista em Portugal, na companhia de outros jovens, juntei-me à luta de libertação nacional em Ponta Negra em Agosto de 1974 no CIR Kalunga. Integrei o primeiro grupo de combatentes que entraram em território nacional via Miconge-Belize-Buco Zau-Dinge-Cabinda.

Em vésperas da Independência, participámos dos combates na fronteira do N’Tó/Yema contra a coligação FNLA/Exército Zairense, que derrotámos.

23.11.16

Bissau: Tudo continua em crise

Se é verdade que a nomeação e posse do actual primeiro-ministro, Umaro Sissoko, na sexta-feira, em Bissau, acabou por marcar mais uma etapa no complexo xadrez político do país, também não deixa de ser verdade admitir que o acto em si não representou o fim da crise política que, faz tempo, fustiga a Guiné-Bissau.

Desentendimentos destapam falhas de Conacri

Na prática, a sociedade encara esta nomeação como “mais uma”, igualzinha a tantas outras que há cerca de dois anos e de forma sucessiva se vão multiplicando na Guiné-Bissau, sem, no entanto, surtirem os efeitos desejados, quando em causa está a estabilidade política.

De acordo com informações prestadas por fontes do Jornal de Angola em Bissau, essas representam a leitura mais fiel que os guineenses fazem em relação à situação actual, como consequência do acordo de Conacri, que, segundo defendem, está tacitamente relegado ao fracasso. Trata-se de opiniões colhidas a vários níveis. “São muito pouco convencionais as medidas adoptadas pelo Presidente José Mário Vaz para nomear o primeiro-ministro”, afirmam as fontes.

A nomeação, segundo as fontes, passou ao largo do consenso “que se pretende alcançar para trazer de volta a estabilidade política à Guiné Bissau.” Agindo ao mesmo tempo como árbitro e jogador, o Presidente guineense, José Mário Vaz, realizou um círculo de consultas com todos os intervenientes no processo, e ainda com o Conselho de Estado.

Mas qualquer um dos encontros realizados, acabaram por se tornar inconclusivos, por força da imposição interposta, segundo as nossas fontes, pelo Presidente da República que exigia que a personalidade a indicar “tinha que ser de sua inteira confiança, conforme previsto no número 1 do acordo de Conacri.

Fracasso nas negociações

Com o fracasso dessa ronda negocial, José Mário Vaz abandonou as consultas e atribuiu responsabilidades ao PAIGC e ao PRS para resolverem o assunto, numa batalha, até certo ponto, desleal, se tivermos em conta as envolvências que circulam à sua volta, as quais, a priori, descartavam a hipótese de vitória a qualquer um candidato sem passar pela sua decisão. O Partido de Renovação Social (PRS) é tido localmente como um apoiante incondicional das teses defendidas pelo Presidente José Mário Vaz, que contam igualmente com o apoio dos “15”. A parte, o apoio de dois ou três partidos políticos, que o apoiam, na sua luta, o PAIGC conta apenas com o suporte da constituição que na sua condição de partido vencedor das eleições legislativas lhe atribui plenos poderes para indicar o nome da figura que vai ocupar o cargo de primeiro-ministro, um procedimento legal que tem sido violado, de forma sistemática, pelo Presidente da República.

Acordo de Conacri

É disso exemplo a última nomeação que efectuou e cujo enredo tem tudo para conformar autênticas peças de teatro para “inglês ver”. Com o fracasso do encontro entre o PAIGC e o PRS, ofereceu ao Presidente José Mário Vaz a oportunidade para juntar as peças, devido às “desinteligência” que dividiam os dois oponentes, aos poderes que lhe atribui o ponto 1 do acordo de Conacri e fechar com “chaves de ouro” a disputa que suscitou a indicação do primeiro-ministro.

“Considerando que o ponto um do Acordo de Conacri estabelece o procedimento consensual na escolha de um primeiro-ministro e que, ao mesmo tempo. goze da confiança do Presidente da República; nos termos do alínea g) do artigo 70.˚ da Constituição da República, é nomeado como primeiro-ministro o Sr. Umaro El Mokhtar Sissoco”, lê-se no decreto presidencial, exarado no dia 18 de Novembro.

Reagindo à nomeação, o PAIGC demarcou-se da decisão do Presidente da República e responsabilizou-o por todas as consequências daí decorrentes, manifestando a sua “firme e inabalável determinação em continuar a luta pela afirmação do Estado de Direito e Democrático, ao lado de todas as forças progressistas do país”.

O PAIGC disse que ao nomear Umaru Sissoko ­Embaló para o cargo de primeiro-ministro, o Presidente da República assumiu inequivocamente a renúncia explicita do Acordo de Conacri, “optando pela continuidade da crise, o que infelizmente não surpreende o povo guineense, isso se tivermos em conta o que o Presidente José Mário Vaz, nos habitou a “dizer uma coisa hoje, e fazer outra amanhã”.

Com esta nomeação, José Mário Vaz conseguiu alcançar os seus objectivos, o de nomear uma pessoa de sua confiança, mas, diga-se, em abona da verdade, existem muitos outros problemas para se resolver em cujo êxito ou fracasso depende o futuro deste país do Oeste de África.
Estamos a referir, por exemplo, da questão de se saber como é que o Governo do actual primeiro-ministro, Umaru Sissoko Embaló, vai poder funcionar se, por qualquer eventualidade, não conseguir o apoio suficiente para fazer passar o seu projecto de governação no Parlamento.

Um outro assunto, tem a ver com o retorno da facção dos “15”, as fileiras do PAIGC, que segundo recomendação do acordo de Conacri, os mesmos devem regressar à procedência. A alínea f) do ponto dez do Acordo de Conacri, estabelece o princípio de uma reintegração efectiva e sem condições no PAIGC, dos 15 deputados dissidentes do partido majoritário, com base no respeito escrupuloso dos pressupostos legais que regem o funcionamento do PAIGC.

Fazer uma leitura correcta de como essa integração deve ser feita, já que até à nomeação e posse do primeiro-ministro, as partes não haviam chegado a consenso, parece constar entre os muitos pendentes do acordo de Conacri, cuja solução pode levar ainda algum tempo. Fontes do Jornal de Angola em Bissau, acreditam como muito pouco provável que os “15” venham a consentir um recuo nos seus posicionamentos, considerando que o máximo que pode acontecer é manterem a sua equidistância em relação ao PAIGC e facilitar, em associação ao PRS, a formação de um Governo de incidência parlamentar, como de resto aconteceu com o Governo de Baciro Dja.

No seu Governo, que teve uma duração efémera, não foi para além dos três meses, Baciro Djá não conseguiu fazer passar, no Parlamento, o seu programa de governação, o que tornou inviável o seu mandato. Mesmo a contar com o suporte do Governo de incidência parlamentar, o Governo de Bacilo Djá não conseguiu sequer colocar na agenda da Assembleia Nacional o seu projecto de governação. As propostas eram chumbadas pela mesa da Assembleia Nacional, antes de chegarem a agenda de trabalhos.

Reforma da constituição

A reforma da Constituição defendida a mais alto nível por alguns políticos locais e prevista no acordo de Conacri, pode já ser vista como uma “carta fora do baralho”, se tivermos em conta os objectivos que estas alterações prevêem e que, na opinião de uma boa franja de cidadãos guineenses, as mudanças apenas serviriam para beneficiar uma meia dúzia de políticos. Segundo fontes abalizadas na matéria, o problema da Guiné está no homem e não na Constituição.

O “day after”

As cautelas em relação ao “day after”, em português, “o dia seguinte”, de acordo com fontes do jornal de Angola, dominam actualmente as atenções na Guiné-Bissau, que sobreviveu as mexidas do fim de semana num clima de aparente acalmia e sem incidentes a registar.
A cerimónia de posse teve lugar algumas horas após nomeação do primeiro-ministro, num acto marcado pela ausência dos titulares dos órgãos de soberania, designadamente o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Paulo Sanhá, o procurador-geral da República, António Sedja Mam, como também de líderes políticos.

Entre as presenças, ressalta à vista a dos representantes de organizações internacionais (os chamados Grupo dos Cinco), bem como a dos embaixadores residentes na Guiné-Bissau, o de Angola, da China, de Cuba, de Espanha, da Rússia, de Portugal e do Senegal. Após a cerimónia de investidura, o novo primeiro-ministro disse numa curta declaração que vai apresentar, as “linhas-mestras” da sua governação, por altura da posse dos membros do seu Governo.     ---   Jornal de Angola, reproduzido por António Aly Silva

Bissau: O porto de Buba

O Governo da Guiné-Bissau e a empresa Bauxite Angola definiram no início de Setembro de 2014 a calendarização de consultas mútuas com vista à materialização das obras de construção dum porto de águas profundas em Buba, no Sul, e à exploração dos jazigos de Bauxite em Boé, Leste da Guiné.
A revelação foi feita pelo ministro dos Recursos Naturais, Daniel Gomes, após um encontro, em Bissau com o presidente do Conselho de Administração da Empresa Bauxite Angola, Bernardo Campos.
“O Porto de Buba é uma infraestrutura sub-regional que vai catapultar a nossa economia e a exploração de jazigos de bauxite de Boé. Portanto, são dois projectos que fazem parte dos desejos do nosso líder imortal Amílcar Cabral”, explicou Daniel Gomes.
O governante guineense sublinhou que Bernardo Campos manifestou disponibilidade em cumprir (desta vez) o compromisso de realização dos referidos projectos.
Os projectos de exploração de Bauxite de Boé, da construção do Porto de Buba e de um caminho-de-ferro são estimados em mais de 500 milhões de dólares americanos.
Os referidos projectos foram abandonados devido ao golpe de Estado de Abril de 2012.
A mais dum ano Daniel Gomes anunciou que as autoridades de transição tinham comunicado à empresa Bauxite Angola que tinha de ir a Bissau para a renegociação das quotas, que o Estado guineense considera insatisfatórias.
O então governo de transição não concordava que a Guiné-Bissau tenha apenas 10 por cento de quota da exploração, enquanto a parte angolana detinha 90 por cento.
Na altura o governo guineense pretendia uma reformulação das quotas, passando a Guiné-Bissau a ter 85 por cento, ao invés dos 10 por cento, e passando a Bauxite Angola para 15 por cento.
GebaPres/ ANG/ Lusa

Bissau: E a bauxite, onde está?

By Richard Valdmanis

BISSAU, March 26 (Reuters) – Angola’s $500 million plan to build a bauxite mine and deepwater port in Guinea Bissau has stalled, with nearly no work done since the project was officially inaugurated in July 2011, officials said.
The project, first signalled by Angola in 2008 after it won rights to a mining concession in the southeastern Boe region, would be the single biggest foreign investment in Guinea Bissau, an impoverished country plagued by turmoil since independence and whose main export now is cashew nuts.
Guinea Bissau’s former prime minister, Carlos Gomes Junior, who stepped down to run for president in ongoing elections, told Reuters construction of the port and mine by Angola Bauxite, part-owned by the Angolan state, was being held up by the completion of an environmental impact study.
“(Construction) will start soon. Angola Bauxite already has an office in Bissau, the technicians are in place. The only thing missing is the environmental impact study, and I think we’ll have that soon,” he said.
But an adviser to Bissau’s Ministry of Industry and Planning said Angola was dragging its feet on the investment because of an uncertain political and security environment in the country, which has had a history of coups.
President Joao Bernardo Vieira was assassinated in 2009, and there have been several outbursts since by the country’s notoriously unruly military, including a coup within the armed forces in 2010 and a shoot-out in the capital last December.
“Maybe once security reform makes some headway and the election resolves smoothly, the project will start moving forward,” he said, asking not to be named.
An Angola Bauxite official was not immediately available to comment on the status of the project.
EMPTY OFFICES
A Reuters reporter visited Angola Bauxite’s offices in Bissau last week, but found them empty. A security guard said the director had been out of the country since before Christmas and that local workers were taking half days.
The project, publicised in 2008 and inaugurated with an official ceremony in July last year, would create a deepwater port at Buba with a capacity of three 70-tonne vessels simultaneously, and a 3-million tonne per year mine in Boe.
Guinea-Bissau officials say the Boe deposits are a continuation across the thickly forested border of huge bauxite reserves in neighbouring Guinea, the world’s leading exporter of bauxite – the ore from which aluminium is made.
Gomes Junior won 49 percent in Guinea Bissau’s March 18 first round vote, well-ahead of his closest rival Kumba Yala with 23 percent but not enough to avoid a run-off vote loosely scheduled for late April. Gomes Junior, running on the ruling party ticket, is seen as favourite to win the run-off.
His rival Yala has said he is unfamiliar with the Angola Bauxite contract and would have to review it if he wins to see if it is fair for the country. (Editing by James Jukwey)
© Thomson Reuters 2012 All rights reserved            Há mais de seis anos que prometem aos guineenses ouro, bauxite e outras riquezas. Mas, vai-se a ver e nada aparece; fica tudo nas gavetas. Projectos, só projectos, que ninguém é capaz de levar a cabo.

Bissau: Há ouro no Norte da Guiné

No meio de toda a crise político-militar que então se vivia, surgiu em 2010 a notícia de que a West Africa Mining, com sede na Suíça, anunciara terem resultado positivas as suas prospecções de ouro no Norte do país, com o qual estabelecera uma parceria em Junho de 2009.
A licença que o Governo de Carlos Gomes Júnior concedeu ao grupo, seu parceiro no projecto Westafrica Mineral Mining Ltd, "cobre a exploração de todos os recursos minerais do país", excepção feita às áreas que anteriormente já tinham sido concessionadas a terceiros.

Interrogado agora sobre se não temia este investimento num Estado onde ainda no ano passado foi assassinado o Presidente João Bernardo Nino Vieira, Peter Sommer foi categórico: “Nós ajudamos a Guiné-Bissau, o que é completamente diferente (dos problemas que ela tem tido). E quando conseguirmos fazer dinheiro, no futuro, O.K., será bom”.
Para além do ouro, o projecto que a empresa da Suíça tem com o Governo do PAIGC inclui a bauxite, o lítio, o irídio, os diamantes e quartzos de grande valor.
De acordo com um texto do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior distribuído pelo grupo de investidores, a Guiné-Bissau tem as melhores condições para aceitar investimentos e continuará a reafirmá-las, “de modo a dar a garantia de um bom nível de lucros e uma transferência dos mesmos sem obstáculos”.
Ainda segundo essa mensagem, que os acontecimentos mais recentes poderão colocar em dúvida, “a Guiné-Bissau é um Estado democrático que promove e defende os princípios constitucionais. As instituições estão a ficar cada vez mais fortes...”.