15.3.08

Nova ronda de negociações sobre o Sara Ocidental

Alger, 15/03/2008 (SPS) Les négociations directes entre le Maroc et le Front Polisario sur le conflit du Sahara Occidental reprennent dimanche à Manhasset, près de New York, pour un quatrième round, avec peu d'espoir d'aboutir à une avancée, selon le pronostic de l'Onu, sous l'égide de laquelle se tiennent les pourparlers.

Après avoir dirigé trois rounds de négociations depuis juin entre les deux parties au conflit, le médiateur de l'Onu, M. Peter Van Walsum, a déclaré en février qu'il n'avait pas encore trouvé de solution à ce conflit vieux de 33 ans.

"Je n'ai pas de nouveau plan pour sortir de l'impasse", avait ajouté l'envoyé personnel du secrétaire général de l'Onu, M. Ban Ki-Moon, pour le Sahara Occidental, lors d'une tournée dans la région.

Le problème du Sahara Occidental, "il faut le rappeler, est un problème de décolonisation, ce qui implique une responsabilité des Nations unies vis-à-vis du peuple sahraoui", a déclaré, dans un entretien à l'APS, M. Mhamed Khadad, l'un des négociateurs du Front Polisario.

"C'est donc à l'Onu d'assumer cette responsabilité, de rappeler le Maroc à l'ordre pour qu'il mette fin à ses tergiversations et de lui dire qu'il est temps d'organiser le référendum d'autodétermination", a-t-il ajouté à la veille du départ de la délégation sahraouie pour Manhasset.

La finalité des négociations "est claire : une solution qui garantit le droit du peuple sahraoui à l'autodétermination, ce qui est mentionné dans le libellé des résolutions 1754 et 1783 adoptées en 2007 par le Conseil de sécurité", a rappelé M. Khadad.

Ceci passe par la tenue d'un référendum d'autodétermination, dans lequel le peuple du Sahara Occidental aura à décider lui-même de son avenir, entre toutes les options possibles indépendance, intégration au Maroc ou autonomie, a-t-il expliqué.

Le négociateur sahraoui a relevé que le projet de règlement du Front Polisario formulé en ces termes inclut de fait la proposition d'autonomie prônée par Rabat qui, lui, rejette tout autre point de vue que le sien, a-t-il déploré, en dénonçant la "position marocaine figée".

"Du point de vue du Front Polisario, toutes les propositions doivent être offertes au peuple sahraoui dans une consultation électorale. C'est ça la démocratie", a-t-il affirmé.

Le peuple du Sahara Occidental "a démontré, durant les trois dernières décennies, qu'il refuse catégoriquement et sans appel toutes les solutions qui ne tiennent pas compte de son point de vue", a-t-il poursuivi.

"Il est temps que le point de vue du peuple sahraoui soit écouté et entendu, parce que c'est la seule manière d'aboutir à une solution juste et définitive", a-t-il insisté.

Les négociateurs sahraouis et marocains se sont retrouvés à Manhasset à trois reprises sous les auspices de l'Onu depuis juin 2007, sans parvenir à une avancée.

14.3.08

Académico da África do Sul defende "justiça restaurativa"

O catedrático sul-africano Mbulelo Vizikhungo Mzamane, que veio a Lisboa proferir uma conferência na Universidade Lusófona, declarou ao PÚBLICO que prossegue "a saga" do seu país, "baseada em dois pilares complementares, o da reconciliação e do da reconstrução".
Se Nelson Mandela foi, de 1994 a 1999, "o Presidente da reconciliação", o seu sucessor Thabo Mbeki tem vindo a ser, nestes últimos nove anos, "o Presidente da reconstrução", constituindo ambos "as duas faces de uma mesma moeda".
No entender deste crítico literário e escritor, de 60 anos, "não há nenhum período mágico" para um país saído da segregação racial se reconciliar e reconstruir, sendo antes necessário dar tempo ao tempo, com uma "justiça restaurativa, e não correctiva, em que não haja vencedores nem vencidos". Segundo Mzamane, que já leccionou na Austrália, Europa e Estados Unidos, todas as crianças vão hoje em dia à escola na África do Sul, com 10 anos de escolaridade obrigatória, a partir do pré-escolar; mas tal não significa que a qualidade do ensino seja a melhor - seis por cento dos jovens não chegam sequer ao ensino superior. O que Mzamane considera manifestamente pouco para as necessidades de desenvolvimento do país.
Aprofundar a participação
"O aprofundamento da participação de todos, sul-africanos das mais diversas origens, é que é bom para a democracia"; e isto ajuda a que se proceda a uma transformação social que será tarefa para décadas, explicou o vice-reitor da prestigiada Universidade de Fort Hare. "Muitas das nossas expectativas estão agora em que se acabe com o que era irreconciliável, optando-se por formas aceitáveis de discussão". Isto tanto no que se refere à generalidade da sociedade sul-africana, como no âmbito no próprio partido maioritário, o Congresso Nacional Africano (ANC), para o qual não vê a curto prazo qualquer alternativa, devendo continuar a representar cerca de dois terços do eleitorado.
Proceder na África do Sul a uma reforma agrária abrupta, como se fez no Zimbabwe, retirando todas as fazendas aos brancos para as distribuir pelos negros, "seria como cortar a garganta", disse Mbuelelo Mzamane, propugnando sempre o pragmatismo no processo de reversão das iniquidades herdadas do passado. Na sua óptica, as áreas-chave do países são a educação (com seis por cento do Orçamento), a saúde, a habitação e a economia, tendo sempre em conta que esta última terá de ser encarada no contexto da globalização e que depende dos preços do petróleo.
Interrogado sobre se Mbeki não poderia ter já feito mais pela democratização do Zimbabwe, respondeu: "Não somos o cowboy da África Austral. Não queremos seguir a atitude de Bush em relação ao Iraque." Jorge Heitor

8.3.08

Este país que nos vão roubando

Cada vez nos sentimos mais estranhos na nossa própria terra, com uma série de neologismos e de palavras estrangeiradas.
Cada vez nos sentimos e vivemos pior.
Nunca a minha revolta foi tão grande, como nestes últimos anos.
Parece-me ser muito mais difícil viver em Portugal hoje do que há 12 ou 15 anos; e não se vê no horizonte qualquer sinal de esperança.
É como se de 1993 ou 1995 para cá as coisas viessem quase sempre a piorar.
A descrença instala-se. Sufocamos! Jorge Heitor

19.1.08

Estamos fartos!

Semana a semana vão surgindo os sinais de que estamos cada vez pior. Hoje é o Expresso que divulga quanto a inflação está a roubar aos funcionários públicos, com os professores e muitos outros a perderem mais de 12 por cento do seu salário nos últimos oito anos.
Não se sabe onde é que isto vai parar. Portugal não para de piorar desde 1999 para cá. Há que dizer basta. Há que gritar até que a voz nos doa. Não se pode mais viver assim.
Isto é demais!
Jorge Heitor 19 de Janeiro de 2008

5.1.08

Portugal não aguenta tanta miséria!

A situação financeira das famílias portuguesas encontra-se ao seu mais baixo nível dos últimos quatro anos. O Presidente da República colocou o dedo na ferida. É necessário remodelar profundamente o Governo. Ou dissolver a Assembleia da República e convocar eleições gerais antecipadas. Isto assim não pode ser. Isto assim não pode continuar. O nível de revolta aumenta dia a dia. Sufoca-se neste país.
A saúde é um desastre. Morre-se nas urgências dos hospitais. Espera-se mais de sete semanas para se marcar certos exames médicos, como uma colonscopia. Estamos fartos!
Jorge Heitor 5 de Janeiro de 2008

18.12.07

O imparável fenómeno Jacob Zuma

Toda a República da África do Sul parecia ontem à noite suspensa dos efeitos imprevisíveis de um grande tsunami chamado Jacob Zuma, cuja eleição para a presidência do partido maioritário era dada praticamente como certa. No entanto, as horas iam passando e continuavam sem se saber o resultado da contagem que o opusera ao Presidente Thabo Mbeki, cujo mandato à frente do Estado termina em princípio dentro de um ano e meio.
O secretário-geral do ANC, Kgalema Motlanthe, anunciara ao princípio da tarde que os resultados da votação para os principais cargos do partido seriam conhecidos a partir das 18h00 locais (16h00 em Lisboa). Mas às 20h ainda nada era sabido, limitando-se toda a gente a especular sobre se o eventual novo Presidente da África do Sul poderá ou não ser um “novo Mugabe”, como em Londres se interrogava o Times.
Interrogado em Lisboa pelo PÚBLICO sobre as perspectivas de uma vitória de Zuma, o director do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais, Fernando Jorge Cardoso, declarou “não ter uma visão catastrofista” quanto a essa hipótese, apesar de todas as clivagens que têm vindo a ser patentes no ANC.
No seu entender, o candidato dado como favorito para a presidência do partido “não tem um programa radical no campo económico”, nem sequer um comportamento errático: “Não diz uma coisa num dia e outra noutro”.
A incerteza quanto à política que Zuma poderia vir a seguir, se ficasse agora na presidência do ANC e depois chegasse à chefia do Estado, tem causado calafrios a alguns investidores. Mas Cardoso falou de um “efeito Lula”, uma vez que o Presidente do Brasil tem sido muito menos esquerdista e mais pragmático do que se previa na altura da sua eleição.
O que tanto este analista como outros entendem é que, na eventualidade de Zuma ficar agora à frente do partido, a “recta final” da administração Mbeki seria cheia de tensões económicas, sociais e políticas. E colocar-se-ia a hipótese de o Presidente cessante tomar a “posição inteligente” de antecipar as eleições gerais, para diminuir as incertezas.
Fernando Jorge Cardoso recordou a actual subida do preço das matérias primas no mercado internacional; designadamente o oiro, de que a África do Sul é o principal produtor mundial. E considerou que isso poderá permitir a quem ficar à frente do país fazer “algumas flores”, como seria a realização de grandes obras públicas.
A Conferência Nacional do ANC iniciada dia 16 na Universidade do Limpopo, junto à fronteira de Moçambique, deverá terminar amanhã, depois de se conhecerem todos os elementos da nova comissão executiva e de se aprovar uma declaração formal, a sintetizar o trabalho de todos estes dias.
Um dos membros da comissão cessante, Ronnie Kasrils, ministro dos Serviços Secretos, anunciou ontem à imprensa a intenção de propor que se boicote o “Estado sionista de Israel”, um indício mais das inclinações esquerdistas e mais radicais dos quadros do ANC, um partido criado em 1912 e que desde 1994 se encontra no poder.
Para muitos no estrangeiro, como referia ontem o “Times”, “parece que o milagre da África do Sul acabou”, estando a nação ameaçada por uma grande tempestade, depois da relativa tranquilidade que se viveu durante os governos de Nelson Mandela e de Thabo Mbeki. E o articulista recordava que, como chefe dos serviços secretos do ANC durante os tempos da luta contra o apartheid, Zuma teria testemunhado ou autorizado “coisas muito sujas”, dizendo-se mesmo que os militantes suspeitos de espionagem não escaparam com vida.
Jorge Heitor

8.12.07

Pobre povo curdo, tão esquecido

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta por um Estado de cariz socialista para o povo curdo, poderá estar em risco de divisão ao longo de linhas étnicas, sugerem recentes relatórios dos serviços secretos, lia-se este fim-de-semana na gazeta electrónica turca, em inglês,Today’s Zaman.
Recentes operações da Turquia contra as bases do PKK nas Montanhas de Kandil, no Norte do Iraque, revelaram lutas pela liderança dentro da organização, que os Estados Unidos e outros países consideram ser terrorista.
Membros do grupo naturais da Turquia estão a ser eliminados, intensificando-se a luta pela liderança entre Fehman Huseyin, natural da Síria, e Murat Karayilan, nascido em solo turco. Este último, que chegou ao cimo da hierarquia do PKK depois da captura do líder histórico Abdullah Ocalan, em 1999, fortaleceu a sua posição quando o irmão de Abdullah, Osman Ocalan, também foi eliminado do grupo.
O seu único rival era Cemal Bayik, mas o problema foi resolvido quando os dois homens decidiram cooperar, essencialmente porque Husein, líder dos curdos sírios do PKK, entendeu proclamar-se chefe do grupo. Distribuiu até uma declaração a dizer que assumira o cargo e a prometer o regresso do velho espírito combativo do PKK, criado na década de 1970 para defender os interesses de um povo muito antigo.
Na sequência disso, os curdos sírios e os curdos turcos que há no movimento estão agora a competir pela influência no mesmo. E os curdos iranianos do PKK, de um modo geral neutros, parecem inclinar-se para a facção turca.
Karayilan e Bayik não acharam nada bem que Abdullah Ocalan tenham incluído os curdos sírios na liderança da ala armada do partido, as Unidades de Defesa Popular (HPG). O curdo sírio Huseyin, que comanda os Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), parece por agora estar na mó de cima na luta pela liderança deste grupo cuja ideologia se baseia no marxismo-leninismo revolucionário e no nacionalismo curdo, a causa de um povo de mais de 25 milhões de pessoas que se distribui pela Turquia, Síria, Irão e Iraque. E que alguns historiadores julgam ser descendente dos antigos medos, cuja capital era Ecbátana, a actual Hamadã, 400 quilómetros a sudoeste de Teerão. J.H.