15.4.13

Bissau: O processo de Bubo Na Tchuto

(HinterlandGazette) — Former head of Ginea-Bissau navy Jose Americo Bubo Na Tchuto was arrested and appeared in federal court Friday on cocaine trafficking charges. He was apprehended while he traveled on a yacht in the eastern Atlantic Ocean. Guinea-Bissau is a known point of entry and departure for drug-smuggling. Along with Rear Adm. Na Tchuto, Manuel Mamadi Mane, Saliu Sisse, Papis Djeme and Tchamy Yala were arrested. According to the federal indictment, Na Tchuto and two others face charges of conspiring to import narcotics into the U.S. He has been designated a drug kingpin by the U.S. Treasury Department, the indictment says. Inspector Ron Kubisty said cocaine is smuggled into Guinea-Bissau from Colombia, or other Latin American countries. The drug shipments are then rerouted to European countries and the United States. The indictment also says Na Tchuto and others worked together to receive cocaine shipments transported by ships from South America to Guinea-Bissau. They then stored the shipments before final shipment to other locations. Also arrested were two Colombian nationals, Rafael Antonio Garavito-Garcia and Gustavo Perez-Garcia. Preet Bharara, the United States Attorney for the Southern District of New York, and Michele M. Leonhart, the Administrator of the United States Drug Enforcement Administration (“DEA”) announced that five defendants – JOSE AMERICO BUBO NA TCHUTO, the former head of the Guinea-Bissau navy; MANUEL MAMADI MANE; SALIU SISSE; PAPIS DJEME; and TCHAMY YALA – arrived in the Southern District of New York on April 4, 2013. In a related action, RAFAEL ANTONIO GARAVITO-GARCIA and GUSTAVO PEREZ-GARCIA, both Colombian nationals, were arrested in Colombia today pursuant to Interpol Red Notices. MANE, SISSE, GARAVITO-GARCIA, and PEREZ-GARCIA are charged with conspiring to engage in narco-terrorism; conspiring to import narcotics into the United States; and conspiring to provide aid to the Fuerzas Armadas Revolucionarios de Colombia (the “FARC”), a South American paramilitary group long designated by the United States as a Foreign Terrorist Organization (“FTO”), by storing FARC-owned cocaine in West Africa. MANE, SISSE, and GARAVITO-GARCIA are also charged with conspiring to sell weapons, including surface-to-air missiles, to be used to protect FARC cocaine processing operations in Colombia against U.S. military forces. On April 4, 2013, the Drug Enforcement Administration’s (DEA) Special Operations Division (SOD), Bilateral Investigative Unit (BIU) Narco-Terrorism Group (NTG), working in conjunction with the DEA Lisbon Country Office and the DEA Bogota Country Office concluded a long-standing undercover operation conducted in Guinea-Bissau and elsewhere. The operation consisted of two separate undercover investigations. During the first part of the operation, NA TCHUTO, DJEME, and YALA were arrested on April 2 by the DEA Foreign-deployed Advisory Support Team (FAST) and the NTG off the coast of West Africa while onboard a vessel under DEA control in international waters. During the second part of the operation, MANE and SISSE were apprehended on April 4 in a West African Country and transferred thereafter to the custody of the United States. NA TCHUTO, DJEME, YALA, MANE, and SISSE were transported to New York for prosecution. GARAVITO-GARCIA and PEREZ-GARCIA remain in Colombia pending extradition to the United States. Manhattan U.S. Attorney Preet Bharara said: “The narco-terrorism conspiracy alleged in these indictments shows the danger that can grow unchecked in far away places where unfortunate circumstances can allow narcotics traffickers and terrorism supporters to transact unseen at great risk to the United States and its interests. The link between narcotics traffickers and terrorists, their financers and supporters, needs to be broken wherever it is found. But thanks to the extraordinary efforts of our DEA partners, who have for years attacked the narco-terrorism threat, this conspiracy was thwarted and we can claim yet another victory in our unrelenting campaign against those who would harm Americans and American interests abroad.”

14.4.13

Cabo Verde: jogos de fortuna e azar

Espargos - A ilha cabo-verdiana do Sal vai ter, dentro de 21 meses, o primeiro casino de Cabo Verde, que será gerido pela empresa Royal Casino, que ficará instalado no Hotel Hilton, a construir em Santa Maria, noticia hoje (sábado) a Inforpress. Segundo a mesma fonte, o primeiro contrato de concessão para a exploração de jogos de fortuna e azar foi assinado pelo ministro Turismo, Indústria e Energia cabo-verdiano, Humberto Brito, e pelo representante da Royal Casino, Jacques Monier. Humberto Brito salientou que se está perante uma "janela de oportunidade extremamente grande", em que Cabo Verde pode aproveitar para fazer crescer a sua economia e o nível de emprego, já que permitirá a diversificação da oferta turística e a arrecadação de novas receitas para o Estado. O ministro, para quem o jogo de fortuna ou azar disponibiliza aos cabo-verdianos a possibilidade de desenvolvimento de mais uma actividade económica no país, prometeu que haverá "regras rígidas para evitar futuros jogos ilegais", pelo que será "muito restrita, controlada e muito acompanhada". "Cabo Verde ambiciona ter um sistema de jogos de fortuna e azar muito forte e que contribua para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas", realçou. Segundo Humberto Brito, trata-se do coroar de um processo que tem sido desenvolvido nos últimos dois anos, estando o Governo a negociar outras zonas de jogo, nomeadamente na ilha de Santiago, onde também se espera atingir os acordos desejados com os investidores. Tratando-se de um contrato associado a uma cadeia de hotéis e a uma marca muito forte a nível internacional, Humberto Brito referiu que tal pode contribuir para a promoção de Cabo Verde enquanto destino turístico e de investimento, bem como atrair novos turistas para o arquipélago. O contrato permite à Royal Casino a exploração de jogos em casino em Cabo Verde por um período de 25 anos, sete deles em regime de exclusividade. O casino, orçado à volta de cinco milhões de euros, insere-se num projecto de maior envergadura, pois a construção do Hotel Hilton envolve um investimento de 66 milhões de euros, que deverá empregar mais de 80 pessoas, 54 delas cabo-verdianas que vão receber formação.

A morte de Thatcher, vista por Alfredo Barroso

Morreu Margaret Thatcher, uma das principais responsáveis pela contra-revolução neoliberal que há mais de 30 anos vem devastando os regimes democráticos ocidentais, deformando a economia, tornando as sociedades democráticas cada vez mais desiguais, destruindo a coesão social, impondo o «casino da especulação monetária» e a ditadura dos mercados financeiros globais que hoje mandam em nós. Morreu, além disso, a amiga de Pinochet, um dos ditadores mais sanguinários e corruptos da América Latina, que permitiu que o Chile se tornasse banco de ensaio das políticas ultraliberais preconizadas pela famigerada «escola de Chicago» e levadas a cabo pelos «Chicago boys», apadrinhados por Milton Friedman e Friederich von Hayek, figuras tutelares do pensamento de Margaret Thatcher, além da mercearia do pai. Não faço esta acusação de ânimo leve. São factos conhecidos, designadamente a sua acendrada admiração por Augusto Pinochet, como se projectasse nele aquilo que ela desejaria impor, mas nunca conseguiria, na velha democracia inglesa. Há muitas fotos em que aparecem ambos sorridentes, lado a lado, quer quando o ditador estava no poder, quer quando o detiveram em Londres na sequência do pedido de extradição efectuado pelo juiz espanhol Baltazar Garzon, que o acusou de ser responsável, durante a ditadura, pelo assassínio e desaparecimento de vários cidadãos espanhóis. Esta mulher a quem chamaram «dama de ferro», como poderiam ter chamado «de zinco» ou «de chumbo», nutria um profundo desprezo pelos grandes intelectuais ingleses do seu tempo, designadamente Aldous Huxley, John Maynard Keynes, Bertrand Russell, Virgínia Woolf e T. S. Eliot, conhecidos como o «círculo de Bloomsbury» (do nome do famoso bairro londrino de editores e livreiros e de boémia intelectual). A frustração dela perante o talento e a inteligência que irradiavam deles, e que ela não conseguia captar, levaram-na a considerá-los «intelectuais estouvados, que conduziram o Reino (Unido) pelos caminhos nada recomendáveis da segunda metade do século XX». Ao diabo as «literatices» da «clique de Bloomsbury», dizia ela. «O meu Bloomsbury foi Grantham» (onde o pai tinha a famosa mercearia) (…) Para compreender a economia de mercado, não há melhor escola do que a mercearia da esquina». Deve ser por isso que as mercearias estão a falir… Thatcher considerava «a distância entre ricos e pobres perfeitamente legítima» e proclamava «as virtudes da desigualdade social» como motor da economia. A verdade dos números é, no entanto, bastante diferente. Como salienta John Gray, um dos mais importantes pensadores contemporâneos, na Grã-Bretanha da chamada «dama de ferro» os níveis dos impostos e das despesas públicas eram tão ou mais altos, ao fim de 18 anos de governos conservadores, do que quando os trabalhistas deixaram o poder, em 1979. Ao mesmo tempo, nos EUA de Ronald Reagan, co-autor da «contra-revolução neoliberal», o mercado livre e desregulado destruiu a civilização de capitalismo liberal baseada no New Deal de Roosevelt, em que assentou a prosperidade do pós-guerra. Convém dizer que John Gray, autor de vários livros editados em português, entre os quais Falso Amanhecer (False Dawn), chegou a ser uma das figuras dominantes do pensamento da chamada «Nova Direita», que teve uma grande influência nas políticas que Thatcher pôs em prática. Mas ficou desiludido e alarmado com as terríveis consequências dessas políticas e tornou-se um dos críticos mais lúcidos e implacáveis dos «mercados livres globais», cuja desregulação tem causado os efeitos mais perversos nas sociedades contemporâneas, provocando a desintegração social e o colapso de muitas economias. O capitalismo global parece funcionar, segundo Gray, de acordo com as regras da selecção natural, destruindo e eliminando os que não conseguem adaptar-se e recompensando, quase sempre de maneira desproporcionada, os que se adaptam com sucesso. Estas são, logicamente, as inevitáveis consequências do pensamento de Thatcher, ao pôr em prática «as virtudes da desigualdade social» como motor da economia. A pesada herança de Margaret Thatcher, tal como a de Ronald Reagan - adoptadas não apenas pela direita ultraliberal, mas também por uma certa esquerda neoliberal (Tony Blair, Gerhard Schröder e alguns discípulos da Europa do Sul, designadamente lusitanos) - é esta crise brutal em que a UE e os EUA estão mergulhados há já cinco anos. E o mais terrível é que é o pensamento dos principais responsáveis por esta crise que continua e prevalecer na maioria dos governos que prometem acabar com ela à custa da austeridade, do empobrecimento dos cidadãos e do confisco dos seus direitos sociais. Lisboa, 8 de Abril de 2013 Alfredo Barroso (este texto foi oferecido ao jornal PÚBLICO, que não teve espaço para o utilizar)

13.4.13

A Austrália vai a eleições no dia 14 de Setembro

The 2013 Australian federal election will elect members of the 44th Parliament of Australia. Prime Minister Julia Gillard has announced it will be held on 14 September 2013. No writ of election has been issued, and the date is thus still subject to change, though it must be held no later than 30 November. The centre-left Labor minority government she leads will attempt to win a third term against the opposition centre-right Coalition led by Opposition Leader Tony Abbott, a Liberal.

12.4.13

Omar al-Bashir visita o Sudão do Sul

President Omar al-Bashir of Sudan is visiting South Sudan for the first time since it became independent in 2011. Mr Bashir and his southern counterpart, Salva Kiir, will discuss territorial disputes and border demarcation. Also on the agenda is a recent deal on how much the South should pay for exporting its oil through Sudan. The two countries came to the brink of war last year over unresolved disputes following South Sudan's secession. However, there has been an easing of tension since they agreed to resume pumping oil last month. A military band played the two national anthems as Mr Bashir was welcomed by Mr Kiir at the airport in the southern capital, Juba. Security in the city is described as tight, with only official vehicles on the road and those on foot subject to regular checks. Speaking ahead of the visit, South Sudanese Information Minister Barnaba Marial Benjamin said it would be "good for the future of the two countries". Struggling economies The South's independence - which followed decades of civil war - left key issues unresolved. South Sudan took with it nearly three-quarters of Sudan's oil production when it declared independence and the two sides fell out over how much the South should pay to export its oil through Sudanese pipelines. At the height of the dispute last year, the South shut down its entire oil output, badly hitting both struggling economies. Oil started flowing again this month after both sides struck a deal in the Ethiopian capital, Addis Ababa, in March. They also agreed to withdraw troops from their border area. BBC

Moçambique: riscos de fortes conflitos

Cidade do Vaticano, 11 abr 2013 (Ecclesia) – O Papa recebeu hoje no Vaticano o primeiro-ministro de Moçambique, Alberto Vaquina, num encontro que realçou a “contribuição positiva da Igreja Católica para a paz e o desenvolvimento do país através das suas obras caritativas e sociais”. Durante as “conversações cordiais” foi manifestada a “satisfação pelas boas relações existentes entre a Santa Sé e Moçambique, reforçadas pelo acordo bilateral entre as partes, assinado a 7 de dezembro de 2011 e ratificado o ano passado”, revela uma nota enviada à Agência ECCLESIA pelo Serviço de Informação do Vaticano. Depois de renovar as felicitações da população moçambicana pela eleição de Francisco, o primeiro-ministro discutiu com o Papa alguns dos problemas que afetam o sul de África, assinala a nota. Afonso Dhlakama, líder do principal partido da oposição moçambicana, Renamo, disse esta quarta-feira que o presidente da República, Armando Guebuza, lhe enviou cinco pontos de negociação para a manutenção da paz no país, incluindo a cessação imediata dos ataques a forças de segurança e civis, como aconteceu recentemente em Sofala, refere o site do jornal ‘Notícias’. A Conferência Episcopal de Moçambique assinalou em agosto de 2012 com uma nota pastoral a celebração dos 20 anos do Acordo Geral de Paz no Estado lusófono, alertando para os riscos que se colocam ao regime democrático. “A democracia e a paz no nosso país só estarão garantidas se houver uma efetiva transformação dos partidos políticos, para que sejam não somente retórica mas verdadeiramente democráticos, a partir do seu interior”, vincam os bispos católicos. O documento centra-se também na vaga de descobertas de recursos minerais e nos riscos de se poderem converter em fonte de “divisão, conflitos e guerras”. "Se vierem a faltar, a sabedoria, a prudência e políticas justas e clarividentes, na sua exploração, podem tornar-se em pesadelo, uma séria ameaça para o país", alerta o episcopado. O texto criticava igualmente os casos de privatização de bens ou de espaços, “inicialmente destinados às comunidades”, como no caso da “devastação rápida e excessiva” das florestas ou a atribuição de “praias, ilhas e reservas florestais” a cidadãos nacionais ou estrangeiros. RJM/OC

11.4.13

Bissau: estagnação geral de um país sem perspectivas

Bissau- O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau afirmou hoje (quinta-feira) acreditar na justiça norte-americana para um tratamento justo no processo do ex-chefe da Armada Bubo Na Tchuto, suspeito de tráfico de droga. Falando à Agência Lusa no âmbito do balanço de um ano após o golpe de Estado que destituiu as autoridades eleitas, Daba Na Walna aproveitou para comentar que tudo o que se sabe até agora sobre a captura de Bubo Na Tchuto pelas autoridades norte- americanas é através da imprensa. "Acredito na justiça norte-americana. Se há país no mundo em que a justiça funciona com imparcialidade são os Estados Unidos e, como disse o governo, Bubo Na Tchuto terá um tratamento como qualquer um, terá o seu advogado para lhe garantir a defesa. Vamos aguardar para ver o que vai ser", declarou Na Walna, frisando ser prematuro tecer mais comentários. O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas sublinhou que Bubo Na Tchuto já não fazia parte dos quadros desde que passou à reserva em Dezembro de 2011, na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado de que seria autor. "Mas seja como for, como cidadão e como militar, não deixa de entristecer um pouco saber que o meu concidadão foi capturado por um outro país e seguramente será submetido à justiça nesse país", notou Na Walna. Aquele militar abordou igualmente a actual situação da Guineé-Bissau, destacando ser praticamente impossível realizar eleições gerais ainda este ano por falta de agenda nacional que balize o período de transição. Ao ser solicitada uma data excata para as eleições, Na Walna disse que prefere dizer o que o Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, tem dito. "Assumiria a posição do Presidente da República. Que não é apologista de uma transição 'ad eternum' (sem fim) mas também não é apologista de uma transição feita à pressa", disse Na Walna, atirando "as culpas" para a classe política por aquilo que diz ser a estagnação geral do país. "Trinta e nove anos já se passaram desde a independência, vejam o que o nosso país é. Isto é uma miséria. Digo isso francamente, quando oiço políticos a dizerem que são políticos, eu pergunto, mas qual a vossa experiencia política, que não se traduz em bem-estar social do povo. O país está como está. A capital Bissau está com ruas esburacadas, isto não obstante o país ser rico em recurso minerais", disse o coronel. Para Na Walna é "um pingue-pongue" o exercício que se faz no país sobre as eventuais responsabilidades entre os políticos e os militares sobre a situação da Guiné-Bissau. O porta-voz do Estado-Maior citou como exemplo do ex-Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que considera preferir uma "política de terra queimada" em vez de privilegiar o interesse nacional. Na Walna disse ter ficado perplexo quando ouviu Gomes Júnior a afirmar que se for eleito Presidente da República não irá respeitar os acordos assinados pelo actual governo de transição. Quanto aos países lusófonos com os quais as autoridades de transição praticamente não falavam desde o golpe de Estado, o porta-voz do exército guineense enalteceu que "paulatinamente" as portas se estão a abrir de novo. E disse que a Guiné-Bissau "nunca cortou as relações" com Angola, com Portugal e com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa no seu todo.