Pedro Ribera Flores era presidente da União Nacional no concelho de Estremoz, em 1932, e suspirava pela ascensão de Hitler ao poder, tal como também ansiava pelo levantamento nacionalista contra a República Espanhola.
Estas coisas lêem-se a páginas 200 do livro Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares, um autêntico retrato sobre o que foi Portugal no fim da I República e no começo do Estado Novo.
Um romance que recomendo a todos os portugueses, dos 15 aos 80 anos, pois que os mais velhos já poderão ter algumas dificuldades de leitura...e a obra vai para cima das 600 páginas, sendo bem tarefa para todo um mês.
J.H.
13.11.07
2.11.07
O que nos disse o Presidente Ramos-Horta
Duas semanas antes da sua visita oficial a Portugal, de 14 a 16 de Novembro, o PÚBLICO colocou ao chefe de Estado timorense uma série de perguntas, a que ele respondeu por escrito, abordando tanto as relações bilaterais como a presente situação no seu país.
Qual é o significado da viagem que efectua a Lisboa?
É a minha primeira visita oficial a um país europeu e, como não podia deixar de ser, é a Portugal, dada a enorme importância das relações entre Timor-Leste e Portugal. Os que me conhecem sabem o que sinto e penso em relação a Portugal e aos portugueses, um sentimento de muita amizade, gratidão sincera, realismo e pragmatismo.
Gratidão pelo muito que Portugal e os portugueses fizeram por nós ao longo de muitos anos, e pelo muito que ainda estão a fazer por Timor--Leste. Realismo pela imposição da geografia: Portugal está longe da nossa região, os interesses estratégicos de Portugal são na Europa, tem as suas limitações e prioridades, e o actual interesse de Portugal e dos portugueses por Timor-Leste pode diluir-se no tempo. A distância não perdoa. Pragmatismo porque Timor-Leste tem em Portugal o seu melhor amigo e aliado na Europa. Logo, Timor-Leste deve cuidar muito da relação com Portugal.
Portugal e a Indonésia são alguns dos países com que conta?
Temos investimentos portugueses consideráveis em Timor-Leste. O TimorTelecom é um investimento estratégico vital, como é óbvio. Há outros investimentos, mas modestos. Somos um país do Sueste asiático e as nossas atenções estão viradas para a nossa região, sendo de destacar as relações com a Indonésia e a Austrália, dois vizinhos incontornáveis. A maior parte do nosso comércio é com Indonésia, Austrália, Singapura, China, etc.
A alfabetização da maioria da população é um objectivo viável a curto ou médio prazo?
A alfabetização de toda a população só pode ser um objectivo a longo prazo, isto é, de uns dez a 20 anos. Com a cooperação de Portugal, Brasil e Cuba estamos a fazer um grande esforço nesse sentido. Temos excelentes equipas de professores portugueses, brasileiros e cubanos. Cuba está a apoiar-nos muito na alfabetização de adultos, foi o primeiro programa inaugurado por mim como primeiro-ministro. A vertente mais importante, dominante, da cooperação com Cuba é na área da saúde. Temos uns 600 jovens a cursar Medicina em Cuba e mais de 100 a estudar sob a mão amiga de professores médicos cubanos. Além disto temos perto de 200 médicos cubanos a trabalhar em Timor--Leste, colocados em todos os distritos e subdistritos do país.
O inglês poderá vir a ser uma das vossas línguas oficiais, a par do tétum e do português?
O inglês e o bahasa indonésio são duas línguas de trabalho estipuladas na Constituição. Temos que investir mais no seu ensino. Elevar o seu estatuto para línguas oficiais? Não descarto esta possibilidade, mas careceria de um parecer de linguistas e pedagogos, de muito debate, para pesarmos todas as vantagens e desvantagens de tal opção. Acredito que devemos dar às gerações actuais e futuras instrumentos de comunicação e acesso à informação, à ciência e à tecnologia, e isto é mais facilmente feito através do inglês. O bahasa indonésio é também muito importante pelo simples facto de que uns 50 por cento do povo ainda fala o indonésio, pelo facto dessa língua ser falada por 250 milhões de pessoas na Indonésia, 30 milhões na Malásia. É sobretudo uma língua que já faz parte da nossa história, das nossas vidas, da nossa cultura.
Estes últimos meses têm sido ou não de acalmia?
De uma maneira geral, no plano de segurança, a situação em todo o país está muito mais calma. Depois dos eventos tristes e trágicos de Agosto (para não falarmos da situação que se vivia no ano passado, que foi bem mais trágica), graças ao esforço concertado da UNPOL (polícia das Nações Unidas), da GNR, da nossa polícia e das Forças de Segurança Internacionais, a situação estabilizou rapidamente. As nossas Forças de Defesa desempenharam um papel cívico extremamente importante no apaziguamento dos ânimos. O brigadeiro-general Taur Matan Ruak, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, foi incansável, um verdadeiro homem de Estado e de paz, ajudou-me imenso com os seus homens a remover obstáculos nas estradas, a realizar diálogos, a fazer mediação. A maior parte da nossa polícia também se portou muito bem. A liderança da Fretilin de igual modo ajudou na tranquilização. Mas a situação continua precária. Não se pode dizer com demasiado optimismo que está tudo resolvido. O Estado é novo, recente, logo necessariamente frágil, e é preciso muita prudência e paciência quando se quer resolver certas situações mais complexas.
O principal partido actualmente na oposição está a conseguir coexistir razoavelmente com a aliança governamental?
A liderança da Fretilin continua a dizer que a minha decisão em convidar a Aliança da Maioria Parlamentar (AMP) é inconstitucional e logo o IV Governo liderado pelo nosso irmão Xanana é ilegal. Convidei--os a levar o caso ao Tribunal de Recurso, mas ainda não tiveram a coragem de o fazer. A liderança da Fretilin pode também iniciar um processo de impeachment do Presidente pela via do Parlamento, se realmente acredita que cometi um acto inconstitucional. Mas a base da Fretilin tem sido mais pragmática do que certa liderança. Exemplo disso é Suai, onde também a Fretilin obteve a maioria. Ali a liderança regional da Fretilin disse claramente em reunião pública comigo: "Uma vez tomada uma decisão pelo Presidente da República, nós acatamos. Não questionamos. Aqui em Suai todos os partidos estão a colaborar". Isto está a acontecer em todos os outros distritos. Acabo de me reunir com todos os administradores dos três distritos e subdistritos de Baucau, Lautém e Viqueque e todos em uníssono comprometem-se a trabalhar com o Presidente da República e com o Governo, porque dizem: "Nós somos da Fretilin, mas somos servidores do Estado."
Como é que vê os pedidos para o afastamento do procurador-
-geral da República?
Longuinhos Monteiro foi reconduzido por mais quatro anos, pelo então Presidente da República, pouco antes do término do seu mandato. Não tenho razões de força maior para o substituir.
Existe alguma novidade no caso do major Alfredo Reinado e no dos ex-peticionários?
O Governo estabeleceu um grupo de trabalho liderado pelo secretário de Estado para a Segurança, Francisco Guterres, para resolver os dois casos pela via do diálogo. Ele é altamente experiente em resolução de conflitos. Tem um mestrado pela Universidade de Uppsala (Suécia) e um doutoramento pela Universidade Nacional da Austrália em Resolução de Conflitos. Além disso é assistido pelo Centro para o Diálogo Humanitário, de Genebra (Suíça), e por uma organização não governamental timorense. Com paciência e prudência, vamos fechar estes dois dossiers. O caso de Alfredo Reinado prende--se com a justiça, embora esteja ligado também à questão dos peticionários e aos eventos de 28 de Abril de 2006.
Jorge Heitor
Qual é o significado da viagem que efectua a Lisboa?
É a minha primeira visita oficial a um país europeu e, como não podia deixar de ser, é a Portugal, dada a enorme importância das relações entre Timor-Leste e Portugal. Os que me conhecem sabem o que sinto e penso em relação a Portugal e aos portugueses, um sentimento de muita amizade, gratidão sincera, realismo e pragmatismo.
Gratidão pelo muito que Portugal e os portugueses fizeram por nós ao longo de muitos anos, e pelo muito que ainda estão a fazer por Timor--Leste. Realismo pela imposição da geografia: Portugal está longe da nossa região, os interesses estratégicos de Portugal são na Europa, tem as suas limitações e prioridades, e o actual interesse de Portugal e dos portugueses por Timor-Leste pode diluir-se no tempo. A distância não perdoa. Pragmatismo porque Timor-Leste tem em Portugal o seu melhor amigo e aliado na Europa. Logo, Timor-Leste deve cuidar muito da relação com Portugal.
Portugal e a Indonésia são alguns dos países com que conta?
Temos investimentos portugueses consideráveis em Timor-Leste. O TimorTelecom é um investimento estratégico vital, como é óbvio. Há outros investimentos, mas modestos. Somos um país do Sueste asiático e as nossas atenções estão viradas para a nossa região, sendo de destacar as relações com a Indonésia e a Austrália, dois vizinhos incontornáveis. A maior parte do nosso comércio é com Indonésia, Austrália, Singapura, China, etc.
A alfabetização da maioria da população é um objectivo viável a curto ou médio prazo?
A alfabetização de toda a população só pode ser um objectivo a longo prazo, isto é, de uns dez a 20 anos. Com a cooperação de Portugal, Brasil e Cuba estamos a fazer um grande esforço nesse sentido. Temos excelentes equipas de professores portugueses, brasileiros e cubanos. Cuba está a apoiar-nos muito na alfabetização de adultos, foi o primeiro programa inaugurado por mim como primeiro-ministro. A vertente mais importante, dominante, da cooperação com Cuba é na área da saúde. Temos uns 600 jovens a cursar Medicina em Cuba e mais de 100 a estudar sob a mão amiga de professores médicos cubanos. Além disto temos perto de 200 médicos cubanos a trabalhar em Timor--Leste, colocados em todos os distritos e subdistritos do país.
O inglês poderá vir a ser uma das vossas línguas oficiais, a par do tétum e do português?
O inglês e o bahasa indonésio são duas línguas de trabalho estipuladas na Constituição. Temos que investir mais no seu ensino. Elevar o seu estatuto para línguas oficiais? Não descarto esta possibilidade, mas careceria de um parecer de linguistas e pedagogos, de muito debate, para pesarmos todas as vantagens e desvantagens de tal opção. Acredito que devemos dar às gerações actuais e futuras instrumentos de comunicação e acesso à informação, à ciência e à tecnologia, e isto é mais facilmente feito através do inglês. O bahasa indonésio é também muito importante pelo simples facto de que uns 50 por cento do povo ainda fala o indonésio, pelo facto dessa língua ser falada por 250 milhões de pessoas na Indonésia, 30 milhões na Malásia. É sobretudo uma língua que já faz parte da nossa história, das nossas vidas, da nossa cultura.
Estes últimos meses têm sido ou não de acalmia?
De uma maneira geral, no plano de segurança, a situação em todo o país está muito mais calma. Depois dos eventos tristes e trágicos de Agosto (para não falarmos da situação que se vivia no ano passado, que foi bem mais trágica), graças ao esforço concertado da UNPOL (polícia das Nações Unidas), da GNR, da nossa polícia e das Forças de Segurança Internacionais, a situação estabilizou rapidamente. As nossas Forças de Defesa desempenharam um papel cívico extremamente importante no apaziguamento dos ânimos. O brigadeiro-general Taur Matan Ruak, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, foi incansável, um verdadeiro homem de Estado e de paz, ajudou-me imenso com os seus homens a remover obstáculos nas estradas, a realizar diálogos, a fazer mediação. A maior parte da nossa polícia também se portou muito bem. A liderança da Fretilin de igual modo ajudou na tranquilização. Mas a situação continua precária. Não se pode dizer com demasiado optimismo que está tudo resolvido. O Estado é novo, recente, logo necessariamente frágil, e é preciso muita prudência e paciência quando se quer resolver certas situações mais complexas.
O principal partido actualmente na oposição está a conseguir coexistir razoavelmente com a aliança governamental?
A liderança da Fretilin continua a dizer que a minha decisão em convidar a Aliança da Maioria Parlamentar (AMP) é inconstitucional e logo o IV Governo liderado pelo nosso irmão Xanana é ilegal. Convidei--os a levar o caso ao Tribunal de Recurso, mas ainda não tiveram a coragem de o fazer. A liderança da Fretilin pode também iniciar um processo de impeachment do Presidente pela via do Parlamento, se realmente acredita que cometi um acto inconstitucional. Mas a base da Fretilin tem sido mais pragmática do que certa liderança. Exemplo disso é Suai, onde também a Fretilin obteve a maioria. Ali a liderança regional da Fretilin disse claramente em reunião pública comigo: "Uma vez tomada uma decisão pelo Presidente da República, nós acatamos. Não questionamos. Aqui em Suai todos os partidos estão a colaborar". Isto está a acontecer em todos os outros distritos. Acabo de me reunir com todos os administradores dos três distritos e subdistritos de Baucau, Lautém e Viqueque e todos em uníssono comprometem-se a trabalhar com o Presidente da República e com o Governo, porque dizem: "Nós somos da Fretilin, mas somos servidores do Estado."
Como é que vê os pedidos para o afastamento do procurador-
-geral da República?
Longuinhos Monteiro foi reconduzido por mais quatro anos, pelo então Presidente da República, pouco antes do término do seu mandato. Não tenho razões de força maior para o substituir.
Existe alguma novidade no caso do major Alfredo Reinado e no dos ex-peticionários?
O Governo estabeleceu um grupo de trabalho liderado pelo secretário de Estado para a Segurança, Francisco Guterres, para resolver os dois casos pela via do diálogo. Ele é altamente experiente em resolução de conflitos. Tem um mestrado pela Universidade de Uppsala (Suécia) e um doutoramento pela Universidade Nacional da Austrália em Resolução de Conflitos. Além disso é assistido pelo Centro para o Diálogo Humanitário, de Genebra (Suíça), e por uma organização não governamental timorense. Com paciência e prudência, vamos fechar estes dois dossiers. O caso de Alfredo Reinado prende--se com a justiça, embora esteja ligado também à questão dos peticionários e aos eventos de 28 de Abril de 2006.
Jorge Heitor
26.10.07
Ausência de perspectivas de paz no Darfur
Os dois principais grupos rebeldes que actuam no Darfur, o Movimento Justiça e Igualdade (JEM) e o Exército de Libertação do Sudão/facção Unidade, decidiram ontem que não irão participar nas conversações de paz a começar hoje na Líbia, sob a mediação das Nações Unidas e da União Africana (UA).
Desde o acordo de paz assinado o ano passado por apenas uma de três delegações negociais rebeldes, a guerrilha dividiu-se em mais de uma dezena de grupos, prevendo os peritos citados pela Reuters que sem a presença de todos as conversações arriscam-se a ter o mesmo destino que as de 2006.
Antes da comunicação feita ontem à tarde pelo Jem e pelo SLA/Unidade, já Abdel Wahed Mohamed el-Nur, fundador do Exército de Libertação do Sudão, dissera que não iria à Líbia enquanto não houvesse no Darfur uma força da ONU para acabar com as violações e assassínios que se verificam desde o início de 2003.
“O regime não quer a paz. Se houver uma verdadeira paz, ele perde o poder”, considerou el-Nur, de 39 anos, que vive há 10 meses em Paris, de onde a França ameaça expulsá-lo se persistir em boicotar as conversações de paz.
Enquanto isto, o Presidente do Chade, Idriss Deby, considerou que um acordo de cessar-fogo assinado esta semana, também na Líbia, entre o seu Governo e quatro grupos rebeldes é a última oportunidade de estes últimos conseguirem a paz, num conflito que está intrinsecamente ligado ao do Darfur.
Deby aproveitou para avisar os diversos países vizinhos do Chade de que não voltem a apoiar e armar movimentos que pretendam derrubá-lo, pois que isso levaria a uma guerra generalizada e internacional.
As autoridades de N’Djamena têm têm desde há muito acusado o Sudão de apoiar rebeldes chadianos que actuam a partir do Leste, na fronteira com o Darfur.
O acordo conseguido quinta-feira na Líbia prevê uma comissão que integre figuras rebeldes nas estruturas do Estado. E o próprio Deby só conseguiu chegar ao poder, em 1990, depois de ter desencadeado no Leste do país um revolta contra o seu antecessor, Hissene Habré, actualmente exilado no Senegal, onde poderá vir a ser julgado por crimes de guerra. Jorge Heitor
Desde o acordo de paz assinado o ano passado por apenas uma de três delegações negociais rebeldes, a guerrilha dividiu-se em mais de uma dezena de grupos, prevendo os peritos citados pela Reuters que sem a presença de todos as conversações arriscam-se a ter o mesmo destino que as de 2006.
Antes da comunicação feita ontem à tarde pelo Jem e pelo SLA/Unidade, já Abdel Wahed Mohamed el-Nur, fundador do Exército de Libertação do Sudão, dissera que não iria à Líbia enquanto não houvesse no Darfur uma força da ONU para acabar com as violações e assassínios que se verificam desde o início de 2003.
“O regime não quer a paz. Se houver uma verdadeira paz, ele perde o poder”, considerou el-Nur, de 39 anos, que vive há 10 meses em Paris, de onde a França ameaça expulsá-lo se persistir em boicotar as conversações de paz.
Enquanto isto, o Presidente do Chade, Idriss Deby, considerou que um acordo de cessar-fogo assinado esta semana, também na Líbia, entre o seu Governo e quatro grupos rebeldes é a última oportunidade de estes últimos conseguirem a paz, num conflito que está intrinsecamente ligado ao do Darfur.
Deby aproveitou para avisar os diversos países vizinhos do Chade de que não voltem a apoiar e armar movimentos que pretendam derrubá-lo, pois que isso levaria a uma guerra generalizada e internacional.
As autoridades de N’Djamena têm têm desde há muito acusado o Sudão de apoiar rebeldes chadianos que actuam a partir do Leste, na fronteira com o Darfur.
O acordo conseguido quinta-feira na Líbia prevê uma comissão que integre figuras rebeldes nas estruturas do Estado. E o próprio Deby só conseguiu chegar ao poder, em 1990, depois de ter desencadeado no Leste do país um revolta contra o seu antecessor, Hissene Habré, actualmente exilado no Senegal, onde poderá vir a ser julgado por crimes de guerra. Jorge Heitor
22.10.07
Joaquim Chissano recebeu o maior prémio do mundo (em termos monetários)
Ex-Mozambique president wins African leader award
Haroon Siddique and agencies
Monday October 22, 2007
Guardian Unlimited
The former Mozambique president Joaquim Chissano was today named as the inaugural winner of a multi-million dollar prize for achievement in African leadership.
Mr Chissano, who was the president of Mozambique for 19 years, oversaw a political settlement to the long-running civil war in 1992. He also engineered a move away from Marxism and the introduction of a multi-party constitution.
The ex-leader became the first recipient of the $5m (£2.5m) Mo Ibrahim prize, which will be the largest awarded annually in the world.
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Kofi Annan, the chairman of the award committee, praised Mr Chissano for his achievement in "bringing peace, reconciliation, a stable democracy and economic progress".
The former UN secretary general also commended him for voluntarily stepping down as president in 2004 after his second term in office, rather than running for a third term as he was entitled to do.
One of the criteria for a leader to be eligible for the award is for them to have democratically transferred power to their successor.
Mr Ibrahim, a UK-based mobile phone entrepreneur who was born in Egypt, developed the plan to rate governance in 53 African countries each year.
"I hope it will persuade a new generation of leaders to come forward and use their talents for the good of their countries," Mr Annan said.
All African heads of state who left office over the last three years were eligible for the inaugural award.
The wining leaders will received the money over 10 years when they leave office, plus $200,000 a year for life.
Mr Annan expressed hope that the prize would "make it easier for the winner to carry on using their experience and talent to make a contribution to Africa and the wider world".
-- O antigo Presidente completou hoje mesmo 68 anos
Haroon Siddique and agencies
Monday October 22, 2007
Guardian Unlimited
The former Mozambique president Joaquim Chissano was today named as the inaugural winner of a multi-million dollar prize for achievement in African leadership.
Mr Chissano, who was the president of Mozambique for 19 years, oversaw a political settlement to the long-running civil war in 1992. He also engineered a move away from Marxism and the introduction of a multi-party constitution.
The ex-leader became the first recipient of the $5m (£2.5m) Mo Ibrahim prize, which will be the largest awarded annually in the world.
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Kofi Annan, the chairman of the award committee, praised Mr Chissano for his achievement in "bringing peace, reconciliation, a stable democracy and economic progress".
The former UN secretary general also commended him for voluntarily stepping down as president in 2004 after his second term in office, rather than running for a third term as he was entitled to do.
One of the criteria for a leader to be eligible for the award is for them to have democratically transferred power to their successor.
Mr Ibrahim, a UK-based mobile phone entrepreneur who was born in Egypt, developed the plan to rate governance in 53 African countries each year.
"I hope it will persuade a new generation of leaders to come forward and use their talents for the good of their countries," Mr Annan said.
All African heads of state who left office over the last three years were eligible for the inaugural award.
The wining leaders will received the money over 10 years when they leave office, plus $200,000 a year for life.
Mr Annan expressed hope that the prize would "make it easier for the winner to carry on using their experience and talent to make a contribution to Africa and the wider world".
-- O antigo Presidente completou hoje mesmo 68 anos
11.9.07
Sempre estive na vida "underneath what is above"
Sempre à minha frente encontrei homens e mulheres de outra condição. Mais altos, quiçá mais belos, mais ricos e muito mais poderosos.
Eu, como todos os que se sentem por baixo, oprimidos, sempre encontrei homens e mulheres prontos para me dirigirem e para me indicarem o caminho; para me dizerem o que deveria ou não deveria fazer. Pessas bem encaixadas na vida ou com muito mais ousadia ou descaramento, prontas para me suplantarem e oprimirem.
Sempre me senti "underneath what is above", conforme um dia sonhei, creio que no ano de 1976, na cidade de Londres, um dos muitos lugares onde sofri desilusões, de vária ordem. Vi-me como um palhaço pobre, um faz-tudo; e a imagem tinha essa legenda.
É a todos os que um dia me passaram a perna que hoje dedico este apontamento, na manhã de 11 de Setembro do ano 2007.
Jorge Heitor
Eu, como todos os que se sentem por baixo, oprimidos, sempre encontrei homens e mulheres prontos para me dirigirem e para me indicarem o caminho; para me dizerem o que deveria ou não deveria fazer. Pessas bem encaixadas na vida ou com muito mais ousadia ou descaramento, prontas para me suplantarem e oprimirem.
Sempre me senti "underneath what is above", conforme um dia sonhei, creio que no ano de 1976, na cidade de Londres, um dos muitos lugares onde sofri desilusões, de vária ordem. Vi-me como um palhaço pobre, um faz-tudo; e a imagem tinha essa legenda.
É a todos os que um dia me passaram a perna que hoje dedico este apontamento, na manhã de 11 de Setembro do ano 2007.
Jorge Heitor
9.9.07
Campanha pela liberdade de imprensa no Zimbabwe
09.09.2007
A Fundação Peter Weiss para a Cultura e a Política, criada em Berlim em 1993, promove hoje uma jornada mundial pela democracia e a liberdade de imprensa no Zimbabwe, a fim de recordar que neste país, dirigido por Robert Mugabe, desde Fevereiro a maior parte das manifestações são proibidas e a comunicação social estrangeira é vítima de discriminação.
O festival internacional de literatura que decorre na capital alemã, de 4 a 16 de Setembro, associou-se à iniciativa, para que sejam feitas em muitos países leituras de textos sobre a situação zimbabweana, tendo pedido a emissoras, escolas, universidades, teatros e outras instituições que divulguem poemas de Chengerai Hove, Chirikuré Chirikuré e Dumudzo Marecharas.
Em Portugal, decorre na noite da próxima quarta-feira na livraria lisboeta Ler Devagar/Eterno Retorno, nas instalações da antiga fábrica de armamento de Braço de Prata, a leitura de poesia não só daqueles zimbabweanos, mas também do moçambicano Mia Couto e do brasileiro João Cabral de Melo Neto.
A mensagem que se pretende transmitir é a de que "a realidade no Zimbabwe é desesperante, com os media controlados e a informação manipulada".
A Fundação Peter Weiss para a Cultura e a Política, criada em Berlim em 1993, promove hoje uma jornada mundial pela democracia e a liberdade de imprensa no Zimbabwe, a fim de recordar que neste país, dirigido por Robert Mugabe, desde Fevereiro a maior parte das manifestações são proibidas e a comunicação social estrangeira é vítima de discriminação.
O festival internacional de literatura que decorre na capital alemã, de 4 a 16 de Setembro, associou-se à iniciativa, para que sejam feitas em muitos países leituras de textos sobre a situação zimbabweana, tendo pedido a emissoras, escolas, universidades, teatros e outras instituições que divulguem poemas de Chengerai Hove, Chirikuré Chirikuré e Dumudzo Marecharas.
Em Portugal, decorre na noite da próxima quarta-feira na livraria lisboeta Ler Devagar/Eterno Retorno, nas instalações da antiga fábrica de armamento de Braço de Prata, a leitura de poesia não só daqueles zimbabweanos, mas também do moçambicano Mia Couto e do brasileiro João Cabral de Melo Neto.
A mensagem que se pretende transmitir é a de que "a realidade no Zimbabwe é desesperante, com os media controlados e a informação manipulada".
7.9.07
Poucas esperanças quanto ao Darfur
Alguns dos dirigentes rebeldes do Darfur, onde a situação se mostra cada vez mais complexa, desde há quatro anos, manifestaram ontem a sua desilusão quanto ao balanço da visita de três dias que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, efectuou ao Sudão, antes de se ter dirigido ao Chade, para conversações com o Presidente Idriss Deby Itno sobre a violência que também aí se faz sentir.
Aqueles líderes da guerrilha disseram à Reuters ter poucas expectativas quanto ao que possa resultar das conversações de paz marcadas para 27 de Outubro na Líbia, uma vez que no seu entender a ONU não está a pressionar suficientemente o Presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir, quanto aos problemas de que se queixam muitos dos naturais do Darfur, país que em 1916 perdeu a sua independência, quando o Reino Unido o invadiu e submeteu a Cartum.
“Há novas tribos árabes que o Governo (de Al-Bashir) foi buscar ao Níger e ao Chade para as instalar no Darfur, de modo a alterar a respectiva demografia antes de aí se efectuarem eleições”, declarou um dos dirigentes do Exército de Libertação do Sudão (SLA), Ahmed Abdel Shafie, que poucas esperanças tem na pacificação enquanto as Nações Unidas não exercerem mais pressões.
De igual modo o fundador do Movimento de Libertação do Sudão (SLM), Abdel Wahid Mohamed el-Nur, residente em Patris, declarou não ter sido consultado sobre o lugar, a data e outros pormenores das conversações que Ban anunciou, antes de ter ido tratar da situação dos 230.000 refugiados e 150.000 refugiados actualmente existentes no Leste do Chade. “Nós não vamos participar”, esclareceu, mantendo o boicote que já o mês passado fizera aos contactos preliminares efectuados na Tanzânia para se tentar deliniar uma plataforma comum a todos os rebeldes.
A digressão africana do secretário-geral da ONU termina hoje em Tripoli, depois de haver dito que “o Governo líbio tem estado a desempenhar um papel muito construtivo” no que se refere às questões sudanesas.
J.H. 8 de Setembro de 2007
Aqueles líderes da guerrilha disseram à Reuters ter poucas expectativas quanto ao que possa resultar das conversações de paz marcadas para 27 de Outubro na Líbia, uma vez que no seu entender a ONU não está a pressionar suficientemente o Presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir, quanto aos problemas de que se queixam muitos dos naturais do Darfur, país que em 1916 perdeu a sua independência, quando o Reino Unido o invadiu e submeteu a Cartum.
“Há novas tribos árabes que o Governo (de Al-Bashir) foi buscar ao Níger e ao Chade para as instalar no Darfur, de modo a alterar a respectiva demografia antes de aí se efectuarem eleições”, declarou um dos dirigentes do Exército de Libertação do Sudão (SLA), Ahmed Abdel Shafie, que poucas esperanças tem na pacificação enquanto as Nações Unidas não exercerem mais pressões.
De igual modo o fundador do Movimento de Libertação do Sudão (SLM), Abdel Wahid Mohamed el-Nur, residente em Patris, declarou não ter sido consultado sobre o lugar, a data e outros pormenores das conversações que Ban anunciou, antes de ter ido tratar da situação dos 230.000 refugiados e 150.000 refugiados actualmente existentes no Leste do Chade. “Nós não vamos participar”, esclareceu, mantendo o boicote que já o mês passado fizera aos contactos preliminares efectuados na Tanzânia para se tentar deliniar uma plataforma comum a todos os rebeldes.
A digressão africana do secretário-geral da ONU termina hoje em Tripoli, depois de haver dito que “o Governo líbio tem estado a desempenhar um papel muito construtivo” no que se refere às questões sudanesas.
J.H. 8 de Setembro de 2007
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