29.12.10

Jean Ziegler contra a guerra na Costa do Marfim

O Presidente cessante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, parece agora talvez mais bem colocado do que o estava há oito dias, pois que resistiu com força a pressões internacionais e soube ganhar tempo, mobilizando alguns dos seus contactos.
O sociólogo suíço Jean Ziegler é agora uma das pessoas que não querem que se verifique uma intervenção militar e que Gbagbo seja corrido pela força das armas.
As palavras mais excitadas do primeiro-ministro queniano Raila Odinga e as sanções da União Europeia ainda não surtiram qualquer efeito, pelo que Gbagbo chega ao fim do ano numa posição de poder, longe das perspectivas que havia em 20 de Dezembro de que estaria apenas por um fio.
Enquanto o secretário-geral das Nações Unidas e o Presidente da França falaram alto, a favor de Alassane Ouattara, os amigos e confrades de Gbagbo moveram-se na sombra, ajudando-o a resistir e a não aceitar partir para o exílio de uma semana para a outra.
A situação mostra-se extremamente complexa e demonstra bem como é que determinados governantes africanos se conseguem aguentar no seu posto, contra ventos e marés, durante muito mais tempo do que inicialmente se acreditaria.
O folhetim prossegue na próxima semana, quando o Presidente Pedro Pires e outros chefes de Estado e de Governo regressarem a Abidjan, com novas propostas para se resolver o impasse destas últimas quatro semanas.
Nesta contingência não haverá verdadeiramente deuses nem demónios, mas pura e simplesmente facções que se digladiam e tentam cada uma delas ficar na mó de cima.

27.12.10

A Grande Loja da Costa do Marfim

Há quem pretenda ver nos actuais acontecimentos da Costa do Marfim o reflexo de conflitos entre diferentes correntes da franco-maçonaria.
Em Abidjan funciona a Grande Loja da Costa do Marfim, com um Conselho Supremo e um Directório Escocês, entre outros órgãos. E pela África fora têm sido referenciados uma série de presidentes maçónicos, como o histórico Omar Bongo (Gabão), Dennis Sassou-Nguesso (República do Congo), Idriss Déby (Chade), François Bozizé (República Centro-Africana) e Blaise Campaoré (Burkina Faso).
De onde, não custa a acreditar que as diferentes lojas maçónicas, os diferentes ritos, desde a Escócia a York, tenham vindo a acompanhar a vida na Costa do Marfim.
Maçónicos foram, ao longo dos anos, indivíduos como Eduardo VII, Eduardo VIII (duque de Windsor), Jorge VI, Sibelius, Pierre Mendés-France, Stendhal e Magalhães Lima.
Esta é uma das pistas possíveis para a leitura da actualidade marfinense, a par da dicotomia socialismo/liberalismo e dos interesses conflituosos que o Ocidente e o Leste, nomeadamente a China, têm no que diz respeito à África e aos seus recursos naturais.
Canadá, Estados Unidos e a França degaullista estão agora de acordo em que Alassane Ouattara deverá ser o porta-voz dos seus interesses, pelo que sublinham o mais possível os defeitos de Laurent Gbagbo, um protegido da Internacional Socialista.
Nenhum dos campos estará isento de culpas. Jorge Heitor

26.12.10

Cheira muito a petróleo na Costa do Marfim

http://presscore.ca/2011/?p=676 ----
The country of the Ivory Coast contains many natural resources. One of the main natural resources found is petroleum. Petroleum is the base of the gasoline used in the cars we drive today. Part of the petroleum found is exported out to the United States of America. Diamonds, the hardest known rock in the world, is another natural resource found in this country. Copper and iron ore are two very useful resources unearthed in this small country. The main natural resource that is not excavated from the ground is found in the rivers of this country, fish. This greatly affects the eating habits of Ivorians. One other natural resource found in the Ivory Coast is cobalt. The diversity of natural resources is very large in the Ivory Coast.

----Cheira a petróleo, a diamantes e a cobalto, por isso se compreende que a União Europeia e os Estados Unidos estejam tão interessados em saber quem é que na verdade vai gerir todas essas riquezas. E manifestem preferência por um economista, como o é Alassane Dramane Ouattara, de há muito um dos grandes homens do FMI.

Alassane Ouattara falou em defesa do euro

The euro area can, nonetheless, contribute to recovery. I mentioned earlier the scope that exists for further monetary easing if growth remains weak. In addition, a successful economic and monetary union (EMU) will bring a broader and deeper European capital market, offering new opportunities to savers and borrowers the world over. It should facilitate European growth in the medium-term, and all that entails for the world economy. It also offers new scope for global cooperation-and the IMF looks forward to playing a major role in this process.

Ouattara no Mónaco, em Março de 1999

O novo Presidente da Costa do Marfim defende há mais de 11 anos a união económica e monetária, como meio de facilitar o crescimento europeu

Um liberal de firmes convicções; e fortes ligações, cujo casamento com Dominique, de origem sefardita, foi celebrado por Nicolas Sarkozy, então maire de Neuilly

Os Ouattara e a grande finança internacional

Derrière chaque grand homme se trouve une grande dame, dit-on. Cela se vérifie aisément. Inconditionnel soutien de son mari, le géant des finances internationales et premier opposant de Côte d`Ivoire, Alassane Ouattara, Dominique Folloroux est avant tout une femme d`affaires. Elle prend les rènes de la société immobilière Aici en 1979, et gère les biens immobiliers de très hautes personnalités, dont feu de Président Félix Houphouët-Boigny, le Président Omar Bongo Odimba du Gabon, etc. Tout en implantant des agences en Côte d`Ivoire, puis en France, elle rachète en 1996 les franchises de Jacques Dessange aux Etats-Unis. Le groupe qu`elle a fondé emploie aujourd`hui près de 250 personnes sur trois continents. Cette habituée des pages people met à profit ses relations et crée en 1998 Children of Africa, une fondation pour la promotion sociale de l`enfance en Afrique, parrainée par la princesse Ira de Fürstenberg.

Abidjan net

24.12.10

A importância de Madame Dominique Ouattara

Nascida há 57 anos na cidade argelina de Constatina, de nacionalidade francesa, Dominique Claudine Novion Folloroux é agora a primeira dama da Costa do Marfim, pois que em 1990 se casou em segundas núpcias com o então primeiro-ministro Allasane Dramane Ouamara. Celebrou esse casamento o maire de Neully, um sujeito de pequena estatura chamado Nicolas Sarkozy. Talvez saibam de quem se trata, pois que ultimamente tem sido visto ao lado da bela italiana Carla Bruni.
Dominique Claudine Novion, viúva Folloroux, senhora Ouattara, é uma mulher riquíssima, de origem sefardita.
Bastante conhecida nos meios empresariais, nomeadamente nos que têm algo a ver com Israel, como chegou a notar a jornalista belga Colette Braeckman, no Le Soir, de Bruxelas, a loira Madame Ouattara ainda deverá vir a dar muito que falar, pois que algumas pessoas andam a escrutinar a sua vida. E até já se fala de eventual lavagem de dinheiros.
Os interesses financeiros do novo casal presidencial são representados por Midale Simon, presidente honorário do N'Bai B'Rith (Os Filhos da Aliança) France e membro da direcção do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França.
Talvez estas informações que aqui vos deixo ajudem um pouco a explicar por que é que os presidentes da França e dos Estados Unidos se encontram tão empenhados em que seja feita justiça ao economista Alassane Ouattara, que já foi figura grada do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Achegas para se tentar compreender tantos apoios a Ouattara

Boaz Hirsch, do ministério da Indústria, Comércio e Trabalho, foi o ano passado eleito presidente do Processo de Kimberley, estabelecido em 2003, numa cimeira na Namíbia.
Um painel de especialistas da ONU disse então que Israel, cujo comércio de diamantes está avaliado em mais de 10 biliões de dólares norte-mericanos, poderia estar envolvido na exportação ilegal de diamantes oriundos da Costa do Marfim.
Assim, tendo agora na Presidência pessoas conotadas com a comunidade internacional judaica, o Estado de Israel poderia muito bem aumentar a sua fiscalização do comércio de pedras tão preciosas. Jorge Heitor

22.12.10

Memória de um quase meio século a escrever

Terminei ontem à noite 46 anos e alguns meses de actividade profissional como jornalista, durante a qual passei pela ANI, ANOP, Lusa e PÚBLICO, tendo ainda sido correspondente da Capital, do Tempo e da secção da BBC em língua portuguesa.
Tive como primeiro e grande director o Dr. Francisco de Paula Dutra Faria e como primeiro chefe de redacção o Artur Pedro Gil, dois grandes amigos, que muito me incentivaram.
Desses primeiros 10 anos de actividade recordo também o António Maria Zorro, o Milton Moniz e o Mário Matos e Lemos, que ainda hoje em dia tem o cuidado de me contactar de vez em quando. Bem como os subchefes de redacção Maria Luísa Metzner Leone e Aires Domingos Neves; e ainda o António Santos Gomes, que nos últimos anos tem sido secretário-geral da Lusa.
Da BBC recordo, entre outros, o António Menezes, o Paulo David e o António Cartaxo, enquanto da ANOP me ficaram saudades dos administradores João Tito de Morais, Eduardo Corregedor da Fonseca, Alfredo Duarte Costa e Suleiman Valy Mamede. Da Lusa fica em especial uma profunda gratidão ao administrador António Horta Lobo.
Dos primeiros anos do PÚBLICO evoco o Vicente Jorge Silva, o Jorge Wemans, o Carlos Santos Pereira e a Maria Ângela Carrascalão.
Do tempo restante, posso falar do Jorge Almeida Fernandes, do João Carlos Silva, do Nuno Pacheco, do Miguel Gaspar, da Isabel Coutinho, da Margarida Santos Lopes, do Fernando Sousa... e de tantos outros. Mas é sempre muito mais difícil falar dos anos recentes do que daquilo que aconteceu há um bom quarto de século. Corre-se sempre o risco de esquecer alguém, de não ser justo para com todos, como os querídíssimos camaradas fotógrafos Carlos Lopes, Miguel Madeira, Pedro Barão da Cunha, Daniel Rocha e Rui Gaudêncio. Ou a emérita secretária de direcção Lucília Santos.
De fora do jornal, devo destacar as muitas provas de simpatia que tenho encontrado nos directores da revista moçambicana Prestígio e da revista comboniana Além-Mar, bem como nos catedráticos Eduardo Costa Dias, Gerhard Seibert e Luís Moita.