13.11.14
Ramos-Horta sai em defesa de Xanana
- José Ramos-Horta
https://www.facebook.com/officialramoshorta?
José Ramos-Horta
Hesitei em opinar sobre esta matéria pois não estava na posse de informações fidedignas embora há muito me chegavam rumores muito perturbadores com alegações gravosas nada abonatórias da Justiça em Timor-Leste.
A Justiça em Timor-Leste padece de muitas debilidades; mas o mesmo acontece com a maior parte da nossa Administração Pública. Obviamente cada setor tem o seu peso relativo e a Justiça pesa muito mais porque tem ramificações mais graves quando não funciona com competência profissional e integridade inquestionáveis.
A questão central para o Governo Timorense e para todos os Timorenses, de todos os quadrantes sociais e politicos, está no Tribunal de Díli: o embate entre David (Timor-Leste) e Golias (as famigeradas "Sete Irmãs", assim são conhecidas as sete mais poderosas empresas petrolíferas do mundo).
O Governo exibiu provas documentais, até agora não contestadas, de falhas gravosas de quem julgou o processo - Estado de Timor-Leste Vs Conocco Philips - lesando seriamente o Estado. Que haja então uma auditoria objetiva e aprofundada da Justiça em Timor-Leste.
Como Timorense fiquei muito entristecido e profundamente desiludido com as ofensas públicas e injuriosas contra o nosso Primeiro Ministro Xanana Gusmão.
Houve poucas vozes serenas. Saliento o Prof. Pedro Bacelar (Universidade do Minho) e o Irmão Guineense, Fernando Casimiro "Didinho" (http://www.didinho.org/) que revelaram honestidade e coragem intelectuais impares.
Não existe em Timor-Leste qualquer animosidade em relação aos Portugueses. E não poderia haver! Este imbróglio implica apenas uma parte, embora muito importante, da cooperação Portugal / Timor-Leste.
Fiquei consternado com a ordem de expulsão. Eu teria gerido a situação de uma outra maneira: teria convidado o Embaixador de Portugal para uma conversa íntima de amigos; ter-lhe-ia entregue o dossier acusatório; e face à documentação apresentada, os dois Governos amigos decidiriam em conjunto os passos seguintes.
Durante mais de uma década, fui apoiado no MNE (2001-2006), na Primatura (2006-2007) e na Presidência, (2007-2012) por assessores de países da CPLP e de muitas outras nacionalidades - e todos foram um exemplo de profissionalismo e dedicação, de todos guardo gratas recordações.
A cooperação Portugal / Timor-Leste tem sido exemplar, a todos os níveis. Um exemplo saliente de sucesso no setor de Educação é comprovado pelas longas filas de espera em todo o País, de pais ansiosos por ingressar os filhos na Escola Portuguesa de Díli assim como nas Escolas de Referência nos Distritos.
Ainda nesta área, temos o programa coordenado pela Fundação das Universidades Portuguesas na formação e gestão da Faculdade de Direito da UNTL, hoje bastante prestigiada, talvez a que se pode classificar de maior sucesso.
Na área de Defesa e Segurança: as relações desenvolvidas entre as duas forças são um modelo; a qualidade de formação administrada por instrutores Portugueses é visível; outro tanto tem sido a cooperação no setor de formação policial com o apoio da PSP.
A GNR deixou muito bom nome entre todos os Timorenses pelo seu profissionalismo e eficácia na actuação operacional, granjeando respeito mesmo junto dos gangues que gostavam de provocar e testar a GNR.
E não nos podemos esquecer da excelente e generosa cooperação das autarquias, Câmaras, ONGs, Igrejas Portuguesas etc, que trabalham diretamente com as populações em áreas esquecidas do nosso Pais.
O Maun Bot Xanana é um Amigo sincero e grato de Portugal; que ninguém duvide disto.
Depois do malogrado poeta Borja da Costa e do escritor Luís Cardoso (Takas), Xanana será o maior poeta e cultivador da Língua Portuguesa em toda a Ásia.
Graças a ele, a sua visão e coragem, apoiado por líderes como Francisco Lu-Olo Guterres e Mari Alkatiri, Mário e João Carrascalão, os nossos venerados Bispos, o Jesuíta Pe. Filomeno Jacob, a língua Portuguesa, moribunda em 1999-2000, com menos de 1% de falantes, ressuscitou, bem viva, falada ou entendida, por cerca de 30% da nossa população em apenas 10 anos, número que continua a crescer.
O incidente dos magistrados toldou com uma nuvem carregada as relações entre os nossos Países, mas estas relações históricas e humanas profundas deveriam sair reforçadas deste mau tempo. Tentemos colocar este episódio dos magistrados no passado e ao mesmo tempo investir mais seriamente no setor de Justiça, pilar indispensável do Estado democrático.
Publicada por FORUM HAKSESUK
Timor-Leste: A corrupção galopante
terça-feira, 19 de junho de 2012
Às vésperas da comemoração dos 10 anos da independência do Timor Leste, o Primeiro Ministro do país no período entre 2002 e 2006, Mari Alkatiri, apontou a existência de uma “corrupção galopante” no país, firmada sobre as bases do “mal gasto” dinheiro do petróleo.
“Este é um país pequeno, somos vizinhos uns dos outros, alguns antes de serem ministros ou diretores-gerais não tinham nada em casa, hoje têm tudo”.
A frase acima reproduzida, do ex-chanceler do Timor Leste, Mari Alkatiri, é só um exemplo de como a corrupção tem sido percebida no país. Recentemente, o Conselho Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), partido do atual Primeiro Ministro Xanana Gusmão, reconheceu a existência de suspeitas de envolvimento de membros do governo em atos de corrupção. Alkatiri, membro da oposição e ferrenho defensor de uma investigação ampla sobre o caso no país, entoa o coro dos que acusam o atual governo de não tomar providências para julgar e punir os possíveis envolvidos.
Além disso, segundo o atual Ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do Partido Social Democrata (PSD) do Timor Leste, Zacarias da Costa, recentemente “criou-se um grupo pequeno que está a [se] beneficiar das riquezas do país enquanto o povo continua numa situação muito difícil”. Apesar de ter sido, em 2011, investigado, julgado e absolvido das acusações de corrupção, da Costa e o PSD assumem o compromisso para as eleições legislativas deste ano, que ocorrem em 7 de julho, de focar em três pontos principais, sendo um deles o combate à corrupção.
Os esforços para o combate a crimes desta natureza ganharam um grande reforço no ano de 2009, quando o parlamento do país aprovou a Lei Anticorrupção e, em sequência, criou a Comissão Anticorrupção (CAC), responsável por investigar as suspeitas em conjunto com o Ministério Público. A este último cabe, inclusive, estudar os relatórios da Comissão e fazer as acusações formais. Só em 2011, a CAC investigou pelo menos 16 casos de corrupção, alguns deles envolvendo membros do governo. As principais acusações são de “abuso de poder e intervenção econômica em negócios”.
Em decisão inédita no país, em 8 de maio deste ano um membro do governo do Timor Leste foi considerado culpado por envolvimento na falsificação de documentos e abuso de poder. A ex-Ministra da Justiça, Lúcia Lobato, foi condenada pelo Tribunal Distrital de Díli a cinco anos de prisão e ao pagamento de 4 mil dólares, estando a partir de então impedida de concorrer às eleições parlamentares do mês de julho. Na ocasião, Xanana Gusmão declarou que a Ministra das Finanças, Emília Pires, também será convocada ao Tribunal por acusações de corrupção e abuso de poder.
Em dezembro de 2011, a ONG Transparência Internacional lançou o “Corruption Perceptions Index 2011”, no qual classifica os países de acordo com os níveis de percepção da corrupção no setor público. O índice, que ranqueia os países com notas de 0 (extremamente corrupto) a 10 (muito transparente), colocou Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia no topo da lista, e Coreia do Norte e Somália no nível mais baixo. O Timor Leste, na 143.ª posição em 183 países, registrou nota igual a 2.4, colocando-se assim ao lado de Nigéria, Uganda, Rússia, Bielorrússia, Mauritânia, Togo, Cômoros e Azerbaijão.
Apesar dos resultados negativos, Adérito Soares, Comissário-Geral da CAC, ressaltou que o fenômeno não é “sistemático”. Evocando o lema da Comissão Anticorrupção, “Um Estado do Timor Leste democrático, com uma forte cultura de rejeição da corrupção em prol do interesse e da prosperidade do povo”, Soares afirmou que é preciso “mudar as mentalidades das pessoas”: “Os seres humanos não são anjos e a questão é como conseguimos construir um bom sistema que previna e minimize [a corrupção]”, disse. Apesar de compreender a corrupção como um fenômeno endêmico no país, Zacarias da Costa também defende a consolidação das instituições como uma resposta para a questão. “Eu creio que porque as nossas instituições ainda não estão consolidadas existem muitos outros problemas como, por exemplo, a corrupção”.
Observatório dos Países de Língua Oficial Portuguesa
Timor-Leste: "Xanana é o dono do cofre"
DN entrevistou o polícia expulso de Timor-Leste juntamente com seis magistrados portugueses.
José Fernando Brito, que trabalhou na Comissão Anti-Corrupção, em Díli, ameaça publicar tudo o que sabe num livro sobre negócios supostamente ilícitos envolvendo ministros timorense
Já está fora de Timor, com a sua família, na Tailândia. Mas vai sendo informado da situação em Díli. O que lhe dizem os seus contactos?
Dizem-me que há um clima de medo entre juízes, procuradores e até nos investigadores da Comissão Anti- Corrupção (CAC), órgão a que eu pertencia. A milícia Brigada Negra, ligada a Xanana, está a avisar todos os funcionários judiciários para se manterem calados.
Abriu vários processos na CAC por alegada corrupção de membros do governo. Quem são os ministros visados nesses inquéritos?
Não posso falar em concreto dos casos que estão em investigação. O que lhe posso dizer é que um número considerável de inquéritos estão abertos e que os mesmos visam vários ministros e membros deste e do anterior governo, bem como altas figuras da administração pública.
Como qualifica o papel do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, nesta situação?
Xanana Gusmão é o dono do cofre e a sua ministra das Finanças, Emília Pires [acusada de gestão danosa e participação económica em negócio] é o guardião do cofre. Ninguém faz nada no governo timorense sem a intervenção direta dos dois.
Haverá então indícios de alegada corrupção que poderão atingir diretamente Xanana Gusmão?
É olhar para os casos de importação de arroz pela empresa criada para o efeito pela filha do Xanana ou para o caso das importações de combustível pela empresa do sobrinho. Não sou o primeiro a falar do envolvimento de Xanana em corrupção. Nos últimos quatro anos foram várias as vozes dentro e fora de Timor-Leste a afirmar que Xanana é um corrupto.
Países pobres com ricas mansões em Nova Iorque
New York’s Upper East Side is a neighbourhood of celebrities and millionaires – and home to some of the poorest countries on the planet.
An investigation by The Telegraph has found dozens of embassies, consuls, missions and ambassadorial residences, worth tens of millions of dollars, dotted along the rarefied streets of Manhattan’s wealthiest district.
They include a number owned by some of the most impoverished countries on the planet, including Congo, ranked in 186th place out of 187 countries on the Human Development Index (HDI), the annual report produced by the United Nations which assesses the wealth of populations around the world.
Others belong to nations struggling to cope with war and dictatorship, including Iraq and Myanmar.
And some are owned by middle-ranking countries economically, whose citizens may nonetheless question why their governments hold properties in the most sought-after quarter of one of the most expensive cities in the world. Greece, which has struggled with debt and recession since the 2008 financial crisis, falls into this category.
Diplomats from around the world are assigned to New York because Manhattan is home to the United Nations, meaning each nation is entitled to maintain an embassy – known as a mission – in the city.
But while more frugal nations occupy office buildings close to the UN, in Manhattan’s Midtown, others maintain lavish residences a 10-minute car ride away on the Upper East Side.
Many are tucked away on quiet cross streets between the millionaires’ rows of Fifth Avenue, Madison Avenue and Park Avenue, where property prices for a town house run into the tens of millions of dollars.
A large number are close to Central Park and amenities such as the designer boutiques of Madison Avenue and Uptown’s most exclusive bars and restaurants.
Diplomats living on the Upper East Side, which runs between 59th Street and 96th Street, and Central Park and the East River, can expect to rub shoulders with celebrities including Madonna and Woody Allen, and the billionaires Michael Bloomberg and David Koch, the fourth richest person in America.
Amid concern in some countries, including the United Kingdom, about the cost of maintaining expensive overseas properties, a number of nations have sold off their Upper East Side mansions in recent years.
They include France, which this year divested itself of the ambassador’s residence, an apartment at 740 Park Avenue, known as the most expensive apartment building in New York, for $70 million (£43.8 million).
Ivory Coast and Senegal have also recently sold off property on the Upper East Side.
But a number continue to allow their diplomats to live in a style which the vast majority of their citizens could only dream of.
They include Congo, where average income is just over a dollar (62p) a day, and which owns a large town house on East 65th between Fifth and Madison Avenues.
A house across the street from Congo’s recently sold for $40 million (£25 million), which would make a not insignificant dent in its national debt of $6 billion (£3.76 billion).
The tiny nation of Cape Verde, which is ranked 123 in the HDI, owns a town house on East 69th Street between Fifth and Madison Avenues; the neighbouring property was on the market in 2012 for $48 million (£30.1 million).
A third African country, Angola, possesses a town house on East 73rd Street, between Park and Lexington Avenues, where the house next door sold for $32.5 million (£20.3 million) in 2008.
Iraq’s property, on East 79th Street between Fifth and Madison Avenues, neighbours one which is currently on the market for $48.5 million (£30.4 million).
A property close to Iraq’s embassy is currently on the market for $48.5 million
And a house belonging to Myanmar, the dictatorship formerly known as Burma, which has one of the widest wealth discrepancies in the world, is beside one which is for sale for $33 million (£20.7 million), on East 77th Street, also between Fifth and Madison.
Burma/Myanmar house
The Philippines owns a town house on East 66th Street between Fifth and Madison, which is used as an official residence and was once the home of dictator Ferdinand Marcos' wife Imelda Marcos, and another on Fifth Avenue for its administrative offices.
Like those belonging to the other countries, it is difficult to give a precise estimate for the current value of the house, as it has been off the market for so long. However, a single apartment in a building a few doors down is currently up for sale for $11.5 million (£7.2 million).
Philippines residence
The Upper East Side is one of the priciest property markets both in New York and the US as a whole. According to the 2014 Forbes list of America's most expensive zip codes (post codes), two of the Upper East Side's neighbourhoods are in the top five, with its third in 25th place.
The average price of a property in the zip code 10065, where many of the nation's most expensive properties are located, is just under $6 million (£3.8 million). This includes apartments as well as houses.
Frances Katzen, Principal Broker for the estate agent Douglas Elliman, said town houses on the Upper East Side were currently being sold for anything between $24 million (£15.1 million) and $100 million (£63.2 million).
She added: "This is a very nice place to live indeed. It's a destination unto itself. For most people it is a surreal market, beyond the dreams of the normal demographic."
The Telegraph contacted the embassies of all of the nations mentioned in this article. With the exception of The Philippines, all either failed to respond or were unavailable.
Elmer Cato, a spokesman for The Philippines, said the townhouse on East 66th Street had been bought for $350,000 (£220,000) in 1960.
He added: "Subject property [is] the official accommodations of our top diplomats and is being used for a variety of reasons intertwined with our official functions and community relations to some 350,000 Filipinos in the Northeast.
"The rental of accommodations for diplomats and office spaces as well as entertaining and hosting diplomatic and official functions in New York, year-by-year, are prohibitively priced.
"Our officials and government planners had the foresight to acquire these properties which in the long term benefited our government and, needless to say, saved taxpayers’ money, by substantially saving on rental, administrative and other logistical costs for both residences and offices of the Philippine Government agencies in New York.
"In addition, the official residential properties have been used as accommodations for and as venue for functions by visiting top-level officials from the Executive, Legislative, and Judicial branches of our government, befitting the status of a sovereign government."
The Telegraph
12.11.14
Chade: Manifestações contra a carestia de vida
Des habitants de la ville de Sarh (sud) et des lycéens de N’Djamena ont manifesté mardi pour dénoncer la cherté de la vie au Tchad et soutenir des enseignants grévistes qui réclament le paiement de primes, a-t-on appris de sources concordantes.
A Sarh (500 km au sud-est de N’Djamena), tôt mardi matin des habitants ont frappé sur des casseroles pour dénoncer à grand bruit le coût de la vie, selon des habitants joints par téléphone. Des groupes de manifestants ont également lancé des pierres sur la mairie et brûlé des pneus dans des rues, entraînant l’intervention de la police, selon les mêmes sources.
La hausse du prix des carburants et le non paiement des primes des examens des enseignants sont à l’origine du mécontentement, a expliqué l’un d’eux sous couvert d’anonymat à l’AFP.
A l’appel de syndicats d’enseignants qui ne supportent pas la chèrte de prix de carburant aux environs de quatre heures du matin (03H00 GMT), la ville s’est réveillée par un concert de casseroles, a ajouté cet habitant: toute la circulation est bloquée, aucun engin ne circule. Toutes les boutiques sont fermées ainsi que le marché de la ville.
A N’djamena, des groupes de lycéens sont également descendus dans la rue mardi matin pour manifester leur soutien aux revendications des enseignants, a constaté un correspondant de l’AFP. Les manifestants ont été dispersés par la police anti-émeutes.
Le Tchad a commencé à produire du pétrole en 2003. La production était de l’ordre de 100.000 barils par jour en 2013, selon le département américain de l’Energie.
Les revenus pétroliers lui ont permis de moderniser son armée, de se doter d’un meilleur réseau routier et de construire de nombreux bâtiments publics. Mais les membres de la société civile et de l’opposition demandent au président Idriss Déby Itno d’employer davantage cette manne pour améliorer les conditions de vie de la population aux revenus très bas. Le Tchad figure parmi les dix derniers pays au monde, classés selon l’Indice de développement humain (IDH) des Nations unies.
11.11.14
Chade: Começou o levantamento popular
Au Tchad, la grogne sociale s'est transformée en manifestation dans trois villes du pays, ce mardi 11 novembre au matin, avec plusieurs mouvements de grève des enseignants, des avocats, des huissiers et des notaires.
A Ndjamena, la capitale tchadienne, des jeunes s'en sont pris à des véhicules de l'administration pour manifester leur colère. A Moundou, dans le sud du pays, des jeunes se sont attaqués à la station Total et aux citernes d'essence. Dans les deux villes, les forces de l'ordre sont intervenues et font désormais la chasse aux manifestants. Mais tout a commencé à Sarh, dans le sud du Tchad. Dès 4h du matin, les habitants ont entamé une opération « tintamarre », notamment à l'appel du syndicat des enseignants, et ont frappé sur des casseroles, et sur tout ce qu'ils pouvaient trouver, pour faire du bruit.
Une manière d'exprimer leur mécontentement contre le non paiement des salaires pour les enseignants mais aussi surtout contre les pénuries et la hausse des prix du carburant. Le prix de l'essence est en effet passé de 550 à 1500 francs CFA, voire même à 5000 FCFA certains jours, et ce dans un pays pétrolier. Mais le ras-le-bol dépasse le simple problème de l'approvisionnement. Pour un manifestant, « l’essence, ce n’est que la goutte d’eau qui fait déborder le vase ». « Il y a d’autres situations, explique-t-il. Tout ce que l’on revendique, c’est la dignité de l’homme tchadien. On a beau dire qu’il y a des présidents qui assurent la stabilité, à quoi sert la stabilité quand on a faim, quand on n’a pas l’eau potable, ni même d’électricité, quand l’école devient trop chère, quand il est impossible de se soigner dans les hôpitaux… Ça vaut quoi cette paix-là ? »
Les habitants, jeunes en tête, sont ensuite descendus dans les rues, direction la mairie, la sous-préfecture, le gouvernorat. Les forces de sécurité sont alors intevrenues et auraient tiré à balle réelle pour disperser la foule. Deux personnes ont été blessés, deux jeunes, une fille et un garçon. Selon les témoignages recueillis par RFI, ils ont été transférés à l'hôpital de Sarh. Les manifestants se sont ensuite dirigés vers la gendarmerie, et de nouveaux coups de feu ont dispersé le cortège. A la mi-journée, le calme était revenu à Sarh. Comme à Moundou et à Ndjamena, où la police déclare chercher, à l'heure actuelle, les fauteurs de troubles.
Burkina: Em tempos de um Outono negro
En souhaitant triturer ses faibles institutions, l’ex-homme fort du Burkina Faso, Blaise Compaoré, n’a fait que révéler sa propre fragilité. Avertissement aux alchimistes présidents qui rôdent autour de leur Loi fondamentale.
"Alerte à la contagion venue d’Afrique de l’Ouest !" Depuis des mois, des messages de mise en garde sont sur toutes les lèvres et à la pointe de toutes les plumes. Mais cette fois, il ne s’agit plus d’Ebola. Il s’agit d’un branle-bas moins sanitaire que politique. Et le virus politicien dont il est question est moins celui de la "révisionnite", pathologie dénoncée depuis des années, que celui de la "décagnotite", cette crise épileptique populaire qui a décapité le régime burkinabè. Or, une comptine africaine dit "Chacun son tour chez le coiffeur".
L’Afrique s’est déjà habituée à voir ses hommes forts plus bas que terre. On se surprend à ne plus être surpris face au spectacle d’un Raïs égyptien derrière les barreaux ou d’un Guide libyen ébouriffé et ensanglanté. Mais cette fois, le printemps n’est plus seulement arabe et le message est plus ciblé : il s’adresse aux présidents qui, à l’instar de Blaise Compaoré, tentent de modifier une Constitution appuyée sur un système démocratique biaisé. Après le printemps arabe, quel dirigeant tripatouilleur sera-t-il victime de ce que le socialiste burkinabè Emile Paré a qualifié d’"automne noir" ?
Sur le continent, tout comme Blaise Compaoré, certains chefs d’État menottés pas leur Loi fondamentale ont suscité les prémices d’une réflexion sur la modification de leur Constitution.
Quel dirigeant tripatouilleur sera-t-il victime de ce que le socialiste burkinabè Emile Paré qualifie d’"automne noir" ?
Le président béninois est le plus hésitant. Peut-être parce que le Bénin fut considéré comme le champion des alternances. Peut-être parce que Boni Yayi n’a pas l’expérience d’un putschiste en treillis. Peut-être parce que la Commission des lois du parlement béninois ne semble pas complaisante. Peut-être, tout simplement, parce qu’il avait fait la promesse de ne pas se présenter en 2016. Pour rester sur son trône sans être candidat, il lui reste l’éventualité d’un report du scrutin présidentiel. Usera-t-il de l’argument budgétaire ?
Dans le collimateur des gardiens de l’intégrité constitutionnelle, se trouvent également les deux Congos. Comme Yayi et Compaoré, Joseph Kabila aura bientôt achevé son deuxième mandat que la Loi fondamentale considère comme le dernier. Comme Boni Yayi, le terme du président de la RDC est 2016. Comme Blaise Compaoré, Kabila tente de noyer l’éventuelle modification du verrou constitutionnel dans l’ajustement d’autres articles concernant le mode d’élection des sénateurs et des députés provinciaux au suffrage indirect. Cheval de Troie qui entraînerait d’autres changements, notamment du fait de la non-rétroactivité de la loi ? L’opposition se méfie.
Autre Congo, autre Congolais : celui qui, pour avoir déjà connu le départ du pouvoir, sait qu’il est long, le chemin de la reconquête. Le général Denis Sassou N’Guesso, lui, se heurte en plus à son statut de septuagénaire qui le "périme" au regard des conditions de candidature. Mais il évoque une opportune "volonté populaire" qui pourrait bien valoir plus qu’un parchemin. Une commission ad hoc a déjà défendu l’idée selon laquelle "la limitation de l’âge des candidats à l’élection présidentielle" est contraire à un autre article de la Constitution qui stipule que "tous les citoyens sont égaux devant la loi" et que "la limitation à deux mandats du président de la République viole le principe constitutionnel d’équité puisque ne s’appliquant pas aux autres élus". Pour ajouter de la menace voilée aux arguments spécieux, le parti au pouvoir (PCT) accueillait le président, à son retour de Washington, avec une banderole "Baméka Sassou té, Bakéba na bango", ce qui signifie "Ne touchez pas à Sassou, vous êtes avertis".
Comme les "jumeaux" congolais, les jumeaux burundais et rwandais alimentent le débat. Si Pierre Nkurunziza s’apprête à terminer son deuxième mandat autorisé, son parti, le CNDD-FDD, a ouvertement souhaité réviser la Loi fondamentale. À moins qu’il n’arrive à convaincre que la première accession au pouvoir de son poulain ne compte pas, puisque celui-ci avait été désigné par le Parlement et non pas élu au suffrage direct.
Au Rwanda, même scénario des deux mandats presque échus et même comportement ambigu du chef de l’État. En avril, Paul Kagamé promettait de respecter la Loi fondamentale, non sans ajouter qu’il ne connaissait "pas un seul pays où la Constitution soit immuable".
La Constitution burkinabè n’était pas immuable. Pas plus et pas moins que celles des Congos, du Rwanda, du Burundi ou du Bénin. Qu’en pense Blaise Compaoré qui aurait pu jouir des honneurs présidentiels jusqu’en novembre 2015 ?
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Par Damien Glez
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