Ce qui se passe dans le monde arabe c'est des revolutions populaires contre les regimes totalitaires. Et je pense que tous les regimes arabes sont pareils(l'injustice. confisquation des libertés. la corruption. la fraude des elections...).
Je parle de l'Algerie come exemple. La jeunesse algerienne represente 75 pour cent de la population. Mais nos ministres tous depassaient l'age de 70 ans. Imagine toi: nous sommes en l'ere des tchnologie mais malheureusement on a une seule television gouvernementale. Le taux de chomage est plus eleve, malgré notre reserve, qui atteint 150 milliards de dollars.
Mensagem pessoal enviada por um indivíduo de 34 anos a partir da cidade de Batna, na região de Aurès (ou Awras), perto de fronteira da Argélia com a Tunísia. Por motivos óbvios, não refiro o nome de quem me enviou este desabafo.
21.2.11
Berlim 1885/1886: quatro meses fundamentais
Informa-me o sempre atento Professor Eduardo Costa Dias que no domingo 20 de Fevereiro e na segunda-feira 21 o Canal Arte http://www.arte.tv/fr/70.html vai passar um trabalho sobre quatro meses fundamentais para a História da África.
De Novembro de 1885 a Fevereiro de 1886, sob o impulso do chanceler Otto von Bismarck, a Alemanha, o Império Austro-Húngaro, a Espanha, a França, o Reino Unido, a Itália, os Países Baixos, Portugal, a Suécia-Noruega e o Império Otomano estiveram reunidos em Berlim com os Estados Unidos para partilhar a África, sem consultar os africanoos.
Num documentário de 84 minutos, realizado por Joël Calmettes, e que em 15 de Março será lançado em DVD, será possível verificar como é que as fronteiras foram traçadas a régua e esquadro, dividindo entre entidades diversas povos que eram unos e falavam uma mesma língua.
"Berlin 1885, la ruée sur l'Áfrique" é o nome deste trabalho documental, que me é recomendado por aquele meu amigo do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), da Universidade de Lisboa; pessoa que está a contribuir para que na altura da passagem à reforma eu não me alheie de assuntos que durante décadas me interessaram.
De Berlim 1885/1886 surgiram o Senegal, a Gâmbia, a Serra Leoa, a Costa do Marfim, o Gana, a Nigéria, os Camarões e tantas outras entidades políticas destes últimos 120 anos.
A quase totalidade da África foi partilhada pelos europeus, à revelia dos fulas, dos mandingas, dos achantis, dos fur, dos lundas e de tantos, tantos outros povos africanos. E isso explica muita coisa, que não podemos deixar de ter em conta. Jorge Heitor
De Novembro de 1885 a Fevereiro de 1886, sob o impulso do chanceler Otto von Bismarck, a Alemanha, o Império Austro-Húngaro, a Espanha, a França, o Reino Unido, a Itália, os Países Baixos, Portugal, a Suécia-Noruega e o Império Otomano estiveram reunidos em Berlim com os Estados Unidos para partilhar a África, sem consultar os africanoos.
Num documentário de 84 minutos, realizado por Joël Calmettes, e que em 15 de Março será lançado em DVD, será possível verificar como é que as fronteiras foram traçadas a régua e esquadro, dividindo entre entidades diversas povos que eram unos e falavam uma mesma língua.
"Berlin 1885, la ruée sur l'Áfrique" é o nome deste trabalho documental, que me é recomendado por aquele meu amigo do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), da Universidade de Lisboa; pessoa que está a contribuir para que na altura da passagem à reforma eu não me alheie de assuntos que durante décadas me interessaram.
De Berlim 1885/1886 surgiram o Senegal, a Gâmbia, a Serra Leoa, a Costa do Marfim, o Gana, a Nigéria, os Camarões e tantas outras entidades políticas destes últimos 120 anos.
A quase totalidade da África foi partilhada pelos europeus, à revelia dos fulas, dos mandingas, dos achantis, dos fur, dos lundas e de tantos, tantos outros povos africanos. E isso explica muita coisa, que não podemos deixar de ter em conta. Jorge Heitor
17.2.11
Costa do Marfim: quando o tempo era de paz
Em Setembro de 1970 publiquei no jornal "A Tribuna", da então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, um artigo em que apresentava a Costa do Marfim como um exemplo de paz no continente africano. Mas a verdade é que nos últimos dois meses e meio, 40 anos depois, juá se verificaram lá três centenas de mortos, em escaramuças várias, com dois homens a intitularem-se presidentes.
No meu pequeno artigo de 1970, que fora distribuído pela agência ANI, falava da paz e da harmonia que reinariam durante a primeira década do mandato de Félix Houphouet-Boigny, chefe do Governo a partir de 1959 e Presidente da República desde 1960.
Os marfinenses ainda eram então apenas quatro milhões e pareciam ser relativamente felizes, com uma grande coesão entre as diferentes regiões do país, agora bem divididas entre as setentrionais e as meridionais. As primeiras a querer como Presidente Alassane Dramane Ouattara e as segundas fiéis a Laurent Gbagbo.
Houphouet-Boigny, antigo deputado à Assembleia Nacional da França e ex-ministro sem pasta no executivo gaulês, dava a aparência de tudo controlar e de querer demonstrar que a paz era possível na África.
Só que, não há bem que sempre dure, nem divergências que não acabem por vir à superfície, depois de algumas décadas de aparência de normalidade. Neste mundo tudo é efémero e tudo evolui. Umas vezes para melhor, outras para pior.
De momento, a Costa do Marfim é uma grande incógnita, depois das convulsões verificadas nos últimos nove anos. E só os próximos meses é que dirão que rumo irá tomar. JH
No meu pequeno artigo de 1970, que fora distribuído pela agência ANI, falava da paz e da harmonia que reinariam durante a primeira década do mandato de Félix Houphouet-Boigny, chefe do Governo a partir de 1959 e Presidente da República desde 1960.
Os marfinenses ainda eram então apenas quatro milhões e pareciam ser relativamente felizes, com uma grande coesão entre as diferentes regiões do país, agora bem divididas entre as setentrionais e as meridionais. As primeiras a querer como Presidente Alassane Dramane Ouattara e as segundas fiéis a Laurent Gbagbo.
Houphouet-Boigny, antigo deputado à Assembleia Nacional da França e ex-ministro sem pasta no executivo gaulês, dava a aparência de tudo controlar e de querer demonstrar que a paz era possível na África.
Só que, não há bem que sempre dure, nem divergências que não acabem por vir à superfície, depois de algumas décadas de aparência de normalidade. Neste mundo tudo é efémero e tudo evolui. Umas vezes para melhor, outras para pior.
De momento, a Costa do Marfim é uma grande incógnita, depois das convulsões verificadas nos últimos nove anos. E só os próximos meses é que dirão que rumo irá tomar. JH
16.2.11
Médio Oriente: a ambiguidade dos conceitos
Como é possível que a BBC fale de "protestos no Médio Oriente" para se referir a tudo o que está a acontecer de Marrocos ao Irão?
Se Casablanca ou Argel são no Médio Oriente, então qual é que é o Próximo Oriente: a Madeira e as Canárias? E Próximo de quem? Ou Médio em relação a quê?
A origem da expressão Médio Oriente já foi por C. G. Smith atribuída, no Journal of Contemporary History, Julho de 1968, a um "curioso acidente de nomenclatura militar", quando em 1932 se procedeu a uma reestruturação de comandos britânicos desde o Vale do Nilo até certos territórios asiáticos com populações muçulmanas.
Ou seja, a designação Médio Oriente foi levada pelo uso, e contra a lógica, a englobar terras desde o Magrebe até ao Iraque e ao Irão. Raramente se fala de Próximo Oriente, enquanto o Extremo Oriente fica obviamente para os lados da China, do Japão e das Coreias.
Tendo o Reino Unido ficado muito enfraquecido após a II Guerra Mundial, foram os Estados Unidos que lhe sucederam numa espécie de supervisão cristã e ocidental sobre tudo o que entretanto tem vindo a acontecer em zonas tais como o Egipto, o Iémene e o Bahrein.
O eixo Washington-Londres julga-se com direito a controlar a evolução de tudo o que acontece desde o Mediterrâneo Oriental até ao Mar Arábico, região estratégica, em termos económicos, mas não só. Tem sido assim desde há mais de 50 anos e ainda ninguém saberá dizer quando é que o deixará de ser. Talvez um dia; talvez. A História funciona por períodos; e 80 ou 90 anos pouco são na vida dos povos. Jorge Heitor
Se Casablanca ou Argel são no Médio Oriente, então qual é que é o Próximo Oriente: a Madeira e as Canárias? E Próximo de quem? Ou Médio em relação a quê?
A origem da expressão Médio Oriente já foi por C. G. Smith atribuída, no Journal of Contemporary History, Julho de 1968, a um "curioso acidente de nomenclatura militar", quando em 1932 se procedeu a uma reestruturação de comandos britânicos desde o Vale do Nilo até certos territórios asiáticos com populações muçulmanas.
Ou seja, a designação Médio Oriente foi levada pelo uso, e contra a lógica, a englobar terras desde o Magrebe até ao Iraque e ao Irão. Raramente se fala de Próximo Oriente, enquanto o Extremo Oriente fica obviamente para os lados da China, do Japão e das Coreias.
Tendo o Reino Unido ficado muito enfraquecido após a II Guerra Mundial, foram os Estados Unidos que lhe sucederam numa espécie de supervisão cristã e ocidental sobre tudo o que entretanto tem vindo a acontecer em zonas tais como o Egipto, o Iémene e o Bahrein.
O eixo Washington-Londres julga-se com direito a controlar a evolução de tudo o que acontece desde o Mediterrâneo Oriental até ao Mar Arábico, região estratégica, em termos económicos, mas não só. Tem sido assim desde há mais de 50 anos e ainda ninguém saberá dizer quando é que o deixará de ser. Talvez um dia; talvez. A História funciona por períodos; e 80 ou 90 anos pouco são na vida dos povos. Jorge Heitor
Médio Oriente: Pão, Paz, Democracia
"Em geral, este pobre povo do Egipto é demasiado desprezado pelos europeus", escreveu Gérard de Nerval no primeiro volume da sua Voyage en Orient. E ainda há um mês muitos europeus pensariam que os egípcios eram pobres, ignorantes e conformados.
No entanto, as últimas semanas teriam alterado a nossa percepção desses 1 002 000 quilómetros quadrados de terra que se alargam do Sudão ao Mediterrâneo e da Líbia ao Mar Vermelho. Um quadrilátero quase perfeito, compreendido entre dois desertos e bordejado por dois mares.
A parte setentrional do Vale do Nilo, compreendida entre o Cairo, Alexandria, Damieta, Ismaília e Suez, está desde há um mês com lugar cativo nas nossas salas, presente nas nossas refeições.
O mundo julga hoje perceber o que é que está a acontecer entre o deserto líbio e o deserto arábico, entre o grande mar de areia e a bíblica península do Sinai.
Numa altura em que o Sudão se prepara para perder a sua parte meridional, que tenta atingir a maioridade, o Alto e o Baixo Egipto rumam ao desconhecido, que esperam seja melhor do que o passado recente.
De Assuão ao Delta, o Nilo leva as mágoas e expectativas de um povo que quer pão, trabalho e mais justiça do que aquela que normalmente tem conhecido ao longo dos séculos, muitos séculos.
Com dois braços abertos aos povos do Mar Mediterrâneo, os de Roseta e de Damieta, o Nilo é hoje em dia como um cravo em flor, trazendo em si os anseios de todos os povos do Médio Oriente, entre os quais os da Palestina, da Jordânia e da Arábia Saudita.
De El Alamein a Port Said e El Arish, a costa egípcia vira-se para Chipre e Creta, num aceno a terras mais ao norte, as terras de uma civilização helenística que todos prezamos tanto.
"Nem mestres nem escravos; mas sim todos iguais", assim proclamou Gamal Abdel Nasser em 9 de Janeiro de 1963; e assim sonharão todos aqueles que neste último mês têm andado pelas ruas do Cairo, Alexandria e Suez.
Que via egípcia para o socialismo e a democracia? Que paz, que pão e que poema?
O Egipto de Mohammed Ali Pacha e de Gamal Abdel Nasser é ainda um longo país a haver, uma enorme promessa, devidamente acompanhada no Iémen, no Qatar e no Bahrein.
O Egipto e a Palestina, ali tão perto, são dois países árabes cujo futuro preocupa todos os países árabes e nos deve preocupar e interessar a todos. Jorge Heitor
No entanto, as últimas semanas teriam alterado a nossa percepção desses 1 002 000 quilómetros quadrados de terra que se alargam do Sudão ao Mediterrâneo e da Líbia ao Mar Vermelho. Um quadrilátero quase perfeito, compreendido entre dois desertos e bordejado por dois mares.
A parte setentrional do Vale do Nilo, compreendida entre o Cairo, Alexandria, Damieta, Ismaília e Suez, está desde há um mês com lugar cativo nas nossas salas, presente nas nossas refeições.
O mundo julga hoje perceber o que é que está a acontecer entre o deserto líbio e o deserto arábico, entre o grande mar de areia e a bíblica península do Sinai.
Numa altura em que o Sudão se prepara para perder a sua parte meridional, que tenta atingir a maioridade, o Alto e o Baixo Egipto rumam ao desconhecido, que esperam seja melhor do que o passado recente.
De Assuão ao Delta, o Nilo leva as mágoas e expectativas de um povo que quer pão, trabalho e mais justiça do que aquela que normalmente tem conhecido ao longo dos séculos, muitos séculos.
Com dois braços abertos aos povos do Mar Mediterrâneo, os de Roseta e de Damieta, o Nilo é hoje em dia como um cravo em flor, trazendo em si os anseios de todos os povos do Médio Oriente, entre os quais os da Palestina, da Jordânia e da Arábia Saudita.
De El Alamein a Port Said e El Arish, a costa egípcia vira-se para Chipre e Creta, num aceno a terras mais ao norte, as terras de uma civilização helenística que todos prezamos tanto.
"Nem mestres nem escravos; mas sim todos iguais", assim proclamou Gamal Abdel Nasser em 9 de Janeiro de 1963; e assim sonharão todos aqueles que neste último mês têm andado pelas ruas do Cairo, Alexandria e Suez.
Que via egípcia para o socialismo e a democracia? Que paz, que pão e que poema?
O Egipto de Mohammed Ali Pacha e de Gamal Abdel Nasser é ainda um longo país a haver, uma enorme promessa, devidamente acompanhada no Iémen, no Qatar e no Bahrein.
O Egipto e a Palestina, ali tão perto, são dois países árabes cujo futuro preocupa todos os países árabes e nos deve preocupar e interessar a todos. Jorge Heitor
13.2.11
O Islão do nosso desconhecimento
O Islão, religião monoteísta de que tanto se fala e de que tão pouco se conhece na Europa, fora dos círculos académicos, ocupa uma área geopolítica que vai de Marrocos à Indonésia e engloba uma comunidade de bem mais de mil milhões de seres humanos.
A religião é monoteísta, mas a realidade sóciocultural não é monolítica. Tal como aliás o mundo cristão engloba as mais distintas vertentes, desde a católica à luterana e à ortodoxa. E quase outro tanto se poderá dizer do judaísmo.
A Umma islâmica, a constelação dos que a Deus chamam Allah, é extremamente pluralista, sendo muito difícil comparar o clima predominante em Casablanca com o de Cartum, de Peshawar ou de Kuala Lumpur; de onde o risco de generalizar quando se fala dos "muçulmanos". Tal como um cristão da diocese de Leiria também terá muito pouco a ver com um da Finlândia ou do Kentucky.
Córdova, Bagdad e os sultanatos da Insulíndia são apenas algumas das múltiplas referências que poderemos encontrar desde o século VIII até aos nossos dias, quando desejamos falar dos que grosso modo procuraram seguir ao longo dos tempos os ensinamentos do profeta Maomé, propagados a partir de território árabe.
Só quem estiver suficientemente habilitado para ler os jornais do Cairo, de Istambul, de Argel, de Teerão, de Beirute e de Sana é que poderá talvez falar com um pouco mais de propriedade da forma como a realidade islâmica tem vindo a evoluir do século XIX até ao derrube de Hosni Mubarak.
No entanto, com um pouco de esforço, qualquer um de nós poderá tentar entrar nos meandros do que se tem feito, nos últimos 130 anos, para reformular a realidade sócio-cultural das sociedades islâmicas, com vista tanto ao progresso como à renovação moral dos povos deixados à margem quando, por volta de 1880/1890, o Reino Unido, a França e a Alemanha se impunham de Tânger a Zanzibar.
Os jovens turcos de antanho e os jovens egípcios de hoje são algumas das tendências de reformulação de sociedades islâmicas existentes desde o dealbar do século XX até à segunda década do século XXI.
O mundo muçulmano não está impune aos impulsos de busca de algo de novo e de melhor. Também ele "pula e avança", para recorrer às palavras de Gedeão. Também ele tem os que querem combinar o progresso material e o moral da espécie humana; de modo a que o quotidiano se torne mais suportável.
Em Fez, Argel, Tunes, Alexandria e Teerão existem decerto agentes de modernismo, que defendem as liberdades individuais, incluindo a de consciência. Existem multidões de jovens a reivindicar justiça social e o triunfo da Razão.
O Islão que ao longo do nosso século se irá desenvolver será decerto muito diferente daquele que caracterizou os últimos tempos do Império Otomano. Se "Roma e Pavia não se fizeram num dia", a nova Umma dos seguidores de Maomé também não se fará apenas numa ou duas décadas. Mas ela está decerto em gestação. Inch'Allah! Jorge Heitor
A religião é monoteísta, mas a realidade sóciocultural não é monolítica. Tal como aliás o mundo cristão engloba as mais distintas vertentes, desde a católica à luterana e à ortodoxa. E quase outro tanto se poderá dizer do judaísmo.
A Umma islâmica, a constelação dos que a Deus chamam Allah, é extremamente pluralista, sendo muito difícil comparar o clima predominante em Casablanca com o de Cartum, de Peshawar ou de Kuala Lumpur; de onde o risco de generalizar quando se fala dos "muçulmanos". Tal como um cristão da diocese de Leiria também terá muito pouco a ver com um da Finlândia ou do Kentucky.
Córdova, Bagdad e os sultanatos da Insulíndia são apenas algumas das múltiplas referências que poderemos encontrar desde o século VIII até aos nossos dias, quando desejamos falar dos que grosso modo procuraram seguir ao longo dos tempos os ensinamentos do profeta Maomé, propagados a partir de território árabe.
Só quem estiver suficientemente habilitado para ler os jornais do Cairo, de Istambul, de Argel, de Teerão, de Beirute e de Sana é que poderá talvez falar com um pouco mais de propriedade da forma como a realidade islâmica tem vindo a evoluir do século XIX até ao derrube de Hosni Mubarak.
No entanto, com um pouco de esforço, qualquer um de nós poderá tentar entrar nos meandros do que se tem feito, nos últimos 130 anos, para reformular a realidade sócio-cultural das sociedades islâmicas, com vista tanto ao progresso como à renovação moral dos povos deixados à margem quando, por volta de 1880/1890, o Reino Unido, a França e a Alemanha se impunham de Tânger a Zanzibar.
Os jovens turcos de antanho e os jovens egípcios de hoje são algumas das tendências de reformulação de sociedades islâmicas existentes desde o dealbar do século XX até à segunda década do século XXI.
O mundo muçulmano não está impune aos impulsos de busca de algo de novo e de melhor. Também ele "pula e avança", para recorrer às palavras de Gedeão. Também ele tem os que querem combinar o progresso material e o moral da espécie humana; de modo a que o quotidiano se torne mais suportável.
Em Fez, Argel, Tunes, Alexandria e Teerão existem decerto agentes de modernismo, que defendem as liberdades individuais, incluindo a de consciência. Existem multidões de jovens a reivindicar justiça social e o triunfo da Razão.
O Islão que ao longo do nosso século se irá desenvolver será decerto muito diferente daquele que caracterizou os últimos tempos do Império Otomano. Se "Roma e Pavia não se fizeram num dia", a nova Umma dos seguidores de Maomé também não se fará apenas numa ou duas décadas. Mas ela está decerto em gestação. Inch'Allah! Jorge Heitor
11.2.11
Guiné Equatorial partilha posições de Angola
A Guiné Equatorial, agora na presidência anual da União Africana (UA), fez saber que partilha das posições de Angola quanto ao problema da Costa do Marfim. Mais um país a juntar-se ao bloco que ajuda Laurent Gbagbo a manter-se no poder, depois de as convulsões dos últimos meses já terem feito três centenas de mortos.
O embaixador de Teodoro Obiang Msogo em Luanda deu de igual modo a notícia de que o regime de Malabo conta com a formação a prestar pelos angolanos para que se torne realidade o seu velho sonho de vir a integrar de pleno direito, e não apenas como observador, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Sendo Teodoro Obiang e José Eduardo dos Santos presidentes que há 30 anos já se encontravam no poder, conhecem-se muito bem e apoiam-se mutuamente, em diferentes campos.
O ditador Obiang, agora com o peso suplementar de estar a presidir à UA, junta-se assim a Angola, à África do Sul, ao Uganda, à Gâmbia e ao Zimbabwe na trincheira dos que permitem que o historiador socialista Gbagbo continue à frente dos destinos do maior produtor mundial de cacau.
Nicolas Sarkozy, Barack Obama, a Comissão Europeia e Ban Ki-moon não conseguiram até agora levar por diante o seu desejo de que Gbagbo seja substituído pelo economista liberal Alassane Dramane Ouattara, que num hotel de Abidjan mantém uma Presidência da República paralela à que é ocupada pelo historiador apadrinhado pela Internacional Socialista.
Se bem que a Comunicação Social não dê tanto relevo ao que se passa a sul do Sara quanto o que concede às convulsões do Norte de África, a verdade é que o problema se arrasta desde a segunda volta das presidenciais na Costa do Marfim, em 28 de Novembro, com Laurent Gbagbo a ignorar ostensivamente as posições do secretário-geral das Nações Unidas.
José Eduardo dos Santos, Teodoro Obiang, Jacob Zuma, Yoweri Museveni, Robert Gabriel Mugabe, Roland Dumas, Henri Emmanuelli, Jack Lang e Jacques Vergès ajudam a Frente Popular Marfinense (FPI), do socialista Gbagbo, a combater as aspirações da direita francesa de recuperar terreno numa antiga colónia que Paris tinha na África Ocidental.
Cinquenta anos depois de ter encetado a luta para acabar com a administração colonial portuguesa, o MPLA procura que a sua influência se faça sentir, entre outros locais, na Costa do Marfim e na Guiné-Bissau.
As tropas e o dinheiro de Angola ajudam o regime de José Eduardo dos Santos a expandir-se (a exercer o seu querer) muito para além de Cabinda e dos dois Congos.
A velha palavra de ordem "de Cabinda ao Cunene" está a ser actualizada; e ampliada. Uma nova potência emergente surgiu no mapa da geo-estratégia, pronta para dar cartas em Kinshasa, Brazzaville, São Tomé, Malabo, Bissau e outras cidades. Jorge Heitor
O embaixador de Teodoro Obiang Msogo em Luanda deu de igual modo a notícia de que o regime de Malabo conta com a formação a prestar pelos angolanos para que se torne realidade o seu velho sonho de vir a integrar de pleno direito, e não apenas como observador, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Sendo Teodoro Obiang e José Eduardo dos Santos presidentes que há 30 anos já se encontravam no poder, conhecem-se muito bem e apoiam-se mutuamente, em diferentes campos.
O ditador Obiang, agora com o peso suplementar de estar a presidir à UA, junta-se assim a Angola, à África do Sul, ao Uganda, à Gâmbia e ao Zimbabwe na trincheira dos que permitem que o historiador socialista Gbagbo continue à frente dos destinos do maior produtor mundial de cacau.
Nicolas Sarkozy, Barack Obama, a Comissão Europeia e Ban Ki-moon não conseguiram até agora levar por diante o seu desejo de que Gbagbo seja substituído pelo economista liberal Alassane Dramane Ouattara, que num hotel de Abidjan mantém uma Presidência da República paralela à que é ocupada pelo historiador apadrinhado pela Internacional Socialista.
Se bem que a Comunicação Social não dê tanto relevo ao que se passa a sul do Sara quanto o que concede às convulsões do Norte de África, a verdade é que o problema se arrasta desde a segunda volta das presidenciais na Costa do Marfim, em 28 de Novembro, com Laurent Gbagbo a ignorar ostensivamente as posições do secretário-geral das Nações Unidas.
José Eduardo dos Santos, Teodoro Obiang, Jacob Zuma, Yoweri Museveni, Robert Gabriel Mugabe, Roland Dumas, Henri Emmanuelli, Jack Lang e Jacques Vergès ajudam a Frente Popular Marfinense (FPI), do socialista Gbagbo, a combater as aspirações da direita francesa de recuperar terreno numa antiga colónia que Paris tinha na África Ocidental.
Cinquenta anos depois de ter encetado a luta para acabar com a administração colonial portuguesa, o MPLA procura que a sua influência se faça sentir, entre outros locais, na Costa do Marfim e na Guiné-Bissau.
As tropas e o dinheiro de Angola ajudam o regime de José Eduardo dos Santos a expandir-se (a exercer o seu querer) muito para além de Cabinda e dos dois Congos.
A velha palavra de ordem "de Cabinda ao Cunene" está a ser actualizada; e ampliada. Uma nova potência emergente surgiu no mapa da geo-estratégia, pronta para dar cartas em Kinshasa, Brazzaville, São Tomé, Malabo, Bissau e outras cidades. Jorge Heitor
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