17.4.10

Também começou a exploração de platina

Também vos posso anunciar agora que começou a exploração de platina no Nordeste da Guiné-Bissau, por intermédio da West Africa Mining Holding, cujas actividades envolvem pessoas da Alemanha, Suíça, Reino Unido e Portugal.
A platina, o ouro, o lítio, o irídio, a bauxite e os diamantes da Guiné-Bissau explicam muitas das movimentações destes últimos 14 meses, pois que as prospecções provocaram muitas cobiças; e ninguém quererá ficar sem o seu quinhão.
De há muito se referia que os Presidentes Nino Vieira e Lansana Conté, das duas Guinés vizinhas, eram sócios em muitas actividades, umas mais lícitas do que outras. E depois da morte de ambos os respectivos parentes, amigos e colaboradores trataram de levar por diante os seus negócios e as suas actividades exploratórias, devidamente combatidos por outros grupos.
Da Casamansa à República da Guiné há uma Cobra de cobiça a serpentear, passando por Pirada e pelas colinas do Boé. Talvez um dia venham a ser sobre tudo isto que se está a passar nas terras do antigo reino do Gabú.

14.4.10

Essa holding quer o ouro da Guiné-Bissau

No meio da grande crise político-militar que a Guiné-Bissau está a viver, a "holding" West Africa Mining, da Suíça, anunciou que que as suas prospecções de ouro no norte do país foram positivas.
A licença que o Governo de Carlos Gomes Júnior concedeu ao grupo, em Junho do ano passado, “cobre a exploração de todos os recursos minerais do país”, incluindo bauxite, lítio, irídio e diamantes.

Enquanto o ouro parece ser uma certeza no norte, a bauxite vai ser explorada na região do Boé, no Sueste, em cujas colinas a independência guineense foi unilateralmente proclamada em 24 de Setembro de 1973.

A investigação aurífera decorreu em 46 áreas com anomalias geofísicas. As análises da amostras “revelaram ser consistentemente positivas quanto à sua proporção de ouro”, afirma o comunicado ontem distribuído pela "holding" de Untermüli, no cantão de Zug, na Suíça de língua alemã.

Dados os resultados prometedores, a Westafrica Mineral Mining Ltd “decidiu apressar o processo”. Com base nas recomendações feitas por geólogos, a empresa “vai começar imediatamente um programa de extracção, de acordo com os padrões internacionais”.

A empresa M-Consult, do Mali, gerida pelo geólogo Ahmed El Madani Diallo, que foi candidato às presidenciais de 2002, está já contratada para concretizar a exploração aurífera no norte da Guiné-Bissau. Do trabalho até agora efectuado, conclui-se que o potencial de extracção de ouro é particularmente forte a leste de Canquelifa (já perto da fronteira com a República da Guiné) e entre essa localidade e Paunca (nas proximidades da fronteira com o Senegal).

As reservas senegalesas de ouro estão avaliadas em 60 toneladas, incluindo 30 toneladas de ouro aproveitável com fins industriais. E na República da Guiné (Conacri) a bauxite é a principal produção mineira, pelo que desde há décadas se admite que também a Guiné-Bissau virá um dia a explorar esse produto.

Figo na direcção de uma grande holding mineira

As already previously announced, at the upcoming general meeting of West
Africa Mining Holding AG, the former Portuguese international football star
Luis Figo will be recommended for election to the board of directors. As a member of the board of directors, Luis Figo will not only provide the company with valuable contacts, but he
will also take an 11% share in the company through his private investment
holding company, Damafh S.G.P.S. Lda., in Lisbon.

Alongside Luis Figo, well-known expert in capital markets Swen Lorenz is
also standing for election to the board of directors of West Africa Mining
Holding AG.

Mr Lorenz is a renowned expert in locating investment opportunities in
newly industrialised countries and pioneer markets. He was instrumental in
the founding and creation of Speymill Macau Property Company, a property
company listed in London which has been able to increase its equity to
around $150m in two rounds of financing and therefore became one of the
first large foreign investors into Macau’s property market. Mr Lorenz was a
member of the board of this company between November 2006 and July 2009.
Through his work as a private investor, writer, columnist and regular
television guest, he is able to provide an extensive and close-nit network
for the company. Amongst other things, he will help the company by opening
up sources of finance on the international capital market.

‘In West Africa, there are still under-developed markets in the traditional
sense. Any type of operative business creation in this area represents an
enormous challenge. However, this type of pioneer market offers the chance,
if successful, to achieve extraordinarily high returns,’ says Lorenz. ‘West
Africa Mining Holding AG finds itself at an early stage of development into
which I would like to bring my experience from other similar projects and
support the company management in strategic measures and capital market
issues’.

Subject to the vote of the general meeting, the newly-formed board of
directors will consist of Mr Swen Lorenz (chairman of the board of
directors), Luis Figo (board of directors) and Peter Sommer (board of
directors).

The general meeting is scheduled for the end of April.

13.4.10

Barbaridades nos meios militares guineenses

Zamora Induta e Samba Djaló

Oficiais guineenses detidos em Mansoa em “condições infra-humanas”

Por Jorge Heitor


A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) disse hoje ao PÚBLICO que a sua maior batalha é a “libertação incondicional” do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e do chefe da contra-inteligência militar, “que se encontram em condições infra-humanas”.
Este último, coronel Samba Djaló, preso numa casa de banho do “estabelecimento prisional” de Mansoa, a 60 quilómetros de Bissau, “sofreu coronhadas na cabeça” e apresenta igualmente ferimentos nas pernas.

Djaló e o chefe do Estado-Maior, almirante Zamora Induta, foram conduzidos para o aquartelamento daquela localidade dois dias depois de detidos, a 1 de Abril, pelas tropas que se rebelaram. Lá continuam, sem que para isso tivesse havido qualquer decisão judicial. Apenas o querer dos amotinados, liderados pelo vice-chefe do Estado-Maior, major-general António Indjai.

Induta “quando vai à casa-de-banho só deita sangue”. Foi visitado por um médico que lhe prometeu medicamentos, mas eles nunca apareceram, disse a LGDH, segundo a qual o almirante, que foi nomeado no ano passado para substituir na chefia do Estado-Maior o assassinado general Tagma Na Waie não está autorizado a receber a visita da família.

Ainda segundo um relatório daquela instituição humanitária, que com ele só conseguiu falar na presença dos militares seus carcereiros, Zamora Induta por pouco não foi morto no trajecto entre a base aérea de Bissalanca, onde primeiro esteve detido, e o quartel de Mansoa, considerado um reduto do sublevado Indjai. Alguns dos militares que o escoltavam teriam dado indícios de ser esse o seu desejo.

Quando chegou já de noite ao aquartelamento agora a funcionar como “estabelecimento prisional”, o almirante Induta passou algumas horas sem ter sequer um cobertor ou um colchão, coisas que só mais tarde lhe foram facultadas.

Até hoje, nem o Presidente Malam Bacai Sanhá nem o Governo de Carlos Gomes Júnior conseguiram fazer fosse o que fosse para libertar os dois oficiais detidos há 12 dias, numa acção em que Indjai contou com a colaboração do contra-almirante Bubo Na Tchuto, que foi buscar à representação das Nações Unidas na Guiné-Bissau, onde se encontrava refugiado.

Entretanto, Bubo Na Tchuto foi indiciado pela Administração norte-americana como uma das personalidades guineenses profundamente ligadas ao narcotráfico que passa pela África Ocidental e que parece condicionar toda a evolução do país durante os últimos anos.

Angola está ainda longe de vencer a corrupção

O Governo de Angola ainda não fez o suficiente para combater a corrupção e a má gestão generalizadas, disse hoje a organização não governamental Human Rights Watch (HRW), num relatório de 31 páginas distribuído em Washington.







Apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) do país ter aumentado mais de 400 por cento nos últimos seis anos, os angolanos não estão a assistir a uma melhoria de vida proporcional a este aumento, afirmou a HRW no seu trabalho “Transparency and Accountability in Angola: Un Update”.



No entender do relator, o Governo de José Eduardo dos Santos apenas tomou algumas medidas para aumentar a transparência depois de em 2004 a organização ter dito que milhares de milhões de dólares provenientes da exploração do petróleo estavam a passar ilegalmente à margem do Banco Nacional de Angola (BNA) e a desaparecer sem qualquer explicação.



“É necessário que o Governo adopte medidas rigorosas de combate à corrupção e ao secretismo que põem em risco os direitos dos angolanos,” declarou Arvind Ganesan, director do Programa de Negócios e Direitos Humanos da HRW. “A nação é rica em recursos, mas o povo vive na pobreza.”



Segundo este estudo, um acordo celebrado recentemente com o Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de se ter desenvolvido a crise financeira global e verificado a queda do preço do petróleo, oferece alguma esperança de que haja melhorias, caso as suas cláusulas sejam cumpridas.







Indicadores humanos desastrosos



As autoridades angolanas já melhoraram a publicação de dados relativos às receitas de petróleo, mas os indicadores humanos do país continuam a ser desastrosos e não têm correspondeido de forma alguma ao rápido crescimento da riqueza nacional. Angola é agora o maior produtor de petróleo da África Subsariana, tendo ultrapassado a Nigéria; mas o acesso de milhões de angolanos aos serviços básicos de assistência social é ainda muito limitado.



O maior dos territórios africanos de língua oficial portuguesa ocupa a posição 143 entre um conjunto de 182 países referidos no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).



Quanto à classificação de Angola no Índice de Percepção da Corrupção elaborado em 2009 pela Transparency International foi ainda pior do que no ano anterior, tendo descido do lugar 158 para o 162, num conjunto de 180 países sobre os quais foram apresentados dados.



O relatório hoje conhecido vai mesmo ao ponto de expor novos indícios de corrupção e má gestão, citando o caso de Aguinaldo Jaime, antigo ministro das Finanças que de 1999 a 2002 ocupou o cargo de governador do BNA. Tal como foi documentado num relatório elaborado em Fevereiro último pelo Senado norte-americano, Aguinaldo Jaime - que chegou a ser ministro adjunto do então primeiro-ministro Fernando da Piedade Dias dos Santos, agora vice-presidente da República - deu início a uma série de transacções suspeitas com bancos norte-americanos, no valor de 50 milhões de dólares (36,7 milhões de euros).



Durante os três anos em que Aguinaldo Jaime esteve à frente do BNA, o Governo angolano não conseguiu explicar que destino teriam tido 2.400 milhões de dólares (1.766 milhões de euros), sublinha o documento hoje divulgado.



Nos últimos meses, o Presidente José Eduardo dos Santos anunciou uma “estratégia de moralização da prestação de serviço na Administração Pública”, com aprovação de uma Lei sobre a Probidade Administrativa e reorganização das Finanças Públicas.



“Probidade, no senso comum, quer dizer honestidade, honradez, integridade de carácter”, explicou em Fevereiro o chefe de Estado, que prometeu “começar de novo, com novos métodos de trabalho, outra disciplina, nova consciência e um perfil do servidor público mais adequado às tarefas e à função que lhe confiam”.



José Eduardo dos Santos reafirmou então a sua alegada “tolerância zero em relação à repetição e vícios do passado na Administração Pública”.

11.4.10

Cabinda, que mais se poderá dizer?

Comunicaram-me esta noite mais 10 detenções em Cabinda, por as pessoas andarem com camisolas com as fotos de Raul Tati e de outros detidos no processo aberto na sequência do atentado contra a selecção togolesa de futebol.
Parece um assunto difícil de resolver, este de Cabinda, até porque a maioria da comunidade internacional não se importa absolutamente nada com o que ali se está a passar.
Cabinda é uma palavra mágica no imaginário português, mas os portugueses de hoje em dia vão tendo cada vez menos imaginação; mormente no que diz respeito ao seu passado histórico.
Muitos portugueses parecem ter vergonha de algum dia ter a Pátria andado pela foz do rio Zaire, ou Congo, e estabelecido tratados com as autoridades tradicionais da região.
Muita gente, hoje, em Lisboa, não quer saber absolutamente nada das sequelas daquilo que representantes da Nação negociaram em 1884 e 1885, com sobas africanos.
Rasgou-se o Passado; perdeu-se a Memória.

8.4.10

EUA punem Bubo Na Tchuto

“Acha a reforma das forças de defesa e segurança uma prioridade?”. Foi esta a pergunta que o site oficial das Forças Armadas da Guiné-Bissau colocou em linha no dia 18 de Novembro do ano passado. E até ontem 282 pessoas (78,1 por cento) tinham votado sim e 79 (21,9 por cento) dito não. Ao inaugurar o site, o Chefe do Estado-Maior General, almirante José Zamora Induta, transmitira a “determinação de fazer destas Forças Armadas um símbolo da unidade nacional e um espaço que congregue e una as diferentes sensibilidades e personalidades do povo guineense num único sentido e objectivo comum”.
Agora, alguns meses depois, Induta encontra-se detido e teme-se que volte a correr sangue nas ruas de Bissau, porque os militares não estão unidos e o seu vice-chefe, major-general António Indjai, é cada vez mais uma referência dos balantas, o principal grupo étnico do país, congregando 30 por cento da população. Apesar de a prática multipartidária ter sido introduzida na Guiné-Bissau em 1994, as tropas têm continuado a ser um centro de instabilidade política, através de levantamentos como os de Ansumane Mané (1998), Veríssimo Correia Seabra (2003) e, agora, Indjai.