6.4.15

O interesse judaico pelas terras de Angola

Sexta-feira, 2 de Agosto de 1912 Interesse judaico por Angola Passa por Lisboa uma missão judaica que se dirigia a Angola, para averiguar se o planalto de Benguela reunia condições para uma colonização de judeus, tendo em especial atenção que essa região era considerada um território apropriado para a "colonização branca". Vinha de longa data o interesse judaico nos territórios coloniais portugueses. Em 1886, S.A. Anahory já propusera que Angola, nomeadamente a zona dos planaltos, fosse o destino de uma imigração judia em massa. Em Maio de 1903, o dirigente do movimento sionista Theodor Herzl propôs ao representante português em Viena o estabelecimento de uma colónia em Moçambique e, mais tarde, também Israel Zangwill, dissidente desse movimento, manifestara interesse em Angola. Na verdade, o sétimo Congresso Sionista, realizado em 1907, recusara a proposta britânica, que consistia na oferta de uma área de 15.500 quilómetros quadrados no Uganda, território virgem onde poderia ser estabelecido uma colónia judaica gozando de autonomia e que constituísse um abrigo para os judeus em fuga da Europa de Leste e da Rússia. O Congresso reafirmou a sua fidelidade ao princípio fundamental do Programa de Basileia, a saber, "O estabelecimento de uma pátria legal, segura e publicamente reconhecida, para o povo judeu na Palestina", recusando, como um fim ou como um meio, a colonização fora da Palestina. No entanto, uma facção dissidente, "territorialista", liderada por Israel Zangwill abandonou a Organização e funda, que tinha como um dos seus principais objectivos a procura de uma região para a fixação de uma colónia judaica, fazendo várias tentativas, do México à Austrália. O projecto da Jewish Territorial Organization para Angola foi dinamizado no nosso país por Alfredo Bensaúde e Wolf Terló, conseguindo que o deputado Manuel Bravo apresentasse o projecto de colonização israelita em Angola em 1 de Fevereiro de 1912. O projecto Bravo (depois denominado 200 B) chegaria a ser discutido no Parlamento português, estando também pendente uma outra proposta assinada pelo ex-ministro das Colónias Freitas Ribeiro, que definia a colonização branca do planalto de Benguela. Entretanto, a Jewish Territorial Organization enviara a Lisboa diversos representantes (Jacob Teitel, Zangwill, D. Jochelmann e S. Rubinstein) e patrocinou uma expedição a Angola, dirigida pelo geólogo John Walter Gregory, cujo relatório será publicado em 1913. O certo é que o governo de Afonso Costa em 1913-14 manifestará pouco interesse pelo projecto. Este, para ser aprovado, requeria a reunião do Congresso da República (Câmara dos Deputados e Senado), o que nunca aconteceu. ---- Isto encontra-se nos Arquivos da Fundação Mário Soares; e o tema tem sido ao longo dos anos tratado por muita gente, como ainda recentemente no livro "Do Maoa Cor de Rosa à Europa do Estado Novo", de Álvaro Henriques do Vale. É uma matéria que quem conheça alguma coisa da presença portuguesa em terras africanas está habituado a ver referida.

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