24.8.15

Os caminhos da Somália

O Reino Unido retirou-se em 1960 da Somalilândia para que esse seu protectorado (instituído em 1886) se juntasse a uma colónia italiana com a mesma composição étnica (criada em 1889) e assim se formasse a Somália independente, que em 1969 viria a ser governada por Mohamed Siad Barre, na sequência de um golpe de estado. Mas em 1991, após a queda deste ditador, tudo voltou à primeira forma; e alguns dos clãs setentrionais proclamaram a República da Somalilândia, que hoje em dia engloba as regiões de Awdal, Woqooyi Galbeed, Togdheer, Sanaag e Sool. Trata-se de “uma democracia muçulmana pacífica, com um governo pró-ocidental”, como a caracterizou The Daily Telegraph. Possui bandeira própria, hino nacional, Exército e outras instituições, que regem 3,5 milhões de cidadãos, com a capital em Hargeisa e o porto principal em Berbera, à beira do Golfo de Aaden. Fora dos 137.600 quilómetros quadrados do antigo protectorado britânico, a Somália é “um mapa de confusão”, como Liban Ahmad escreveu num livro que há três anos foi publicado na cidade inglesa de Manchester. E essa confusão começa pela Puntlândia, território de 220.520 km2 ; que é autónomo desde 1998, com 3,5 milhões de habitantes, mas diz não visar a independência, preferindo vir a integrar-se numa futura federação de todos os somalis. Tal como ela, também as autoridades locais do Northland State, do Maakhir e do Galmudug afirmam reconhecer a necessidade de estruturas comuns a todos os somalis. Por enquanto, as instituições federais transitórias da Somália criadas em Outubro de 2004 são pouco mais do que uma ficção, que apenas tem funcionado nas cidades de Mogadíscio e de Baidoa, no terço meridional do país. O maior perigo para elas é constituído por uma série de grupos fundamentalistas existentes no Centro e Sul do país, desde a União dos Tribunais Islâmicos (UTI) até ao actualmente mais radicalizado Shabab, não se sabendo portanto até que ponto é que um dia de toda esta manta de retalhos se poderá erguer uma só Somália, como a que foi idealizada pelos independentistas de 1960, que desejaram suceder aos colonizadores britânicos e italianos. Fora da Somália, há ainda cidadãos de etnia somali a viver numa série de países, a começar pelos sete milhões existentes na Etiópia. J.H. Novembro 2008

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